Priscila Tossan, que começou cantando no metrô e brilhou no 'The Voice', ganha passe livre no pop urbano de ‘Cine Odeon’
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Priscila Tossan, que começou cantando no metrô e brilhou no 'The Voice', ganha passe livre no pop urbano de ‘Cine Odeon’

A verdade é que Priscila Tossan nunca foi ao Cine Odeon, tradicional cinema localizado no Centro do Rio de Janeiro. Mas não pense que isso faz do segundo EP da cantora, “Cine Odeon”, algum tipo de mentira. A cantora, descoberta nos transportes públicos e ex-participante do “The Voice”, escolheu o título da primeira faixa do álbum pela energia. “Quando a Aline (Coutinho, compositora) me mostrou a música, eu só conseguia pedir para repetir. Ela traz muita alegria, é muito astral e eu não conseguia parar de ouvir”, conta, em entrevista por telefone ao Reverb.

A faixa é mesmo como Priscila Tossan define: alto astral. O piano, a levada do violão, as notas marcadas do baixo e as batidas da bateria dão à música uma energia que mistura jazz, pop e MPB. Na letra, ela cita, com sotaque bem “cariocaj” e um fraseado meio gringo de R&B, hábitos que deixou para trás, como ir ao Cine Odeon, ler versos de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) e escutar Tom Zé. “Ao Cine Odeon eu nunca fui, mas escuto Tom Zé e leio Drummond”, garante. Além do cantor baiano, a carioca de 30 anos também tem entre Tim Maia (1942-1998), Cartola (1927-1980) e Los Hermanos algumas de suas referências. Sem falar, é claro, na mãe, com quem sempre compartilhou momentos musicais dentro de casa.

Priscila Tossan no videoclipe de ‘Cine Odeon’ / Foto: Divulgação
Priscila Tossan no videoclipe de ‘Cine Odeon’ / Foto: Divulgação

“Antes desse boom todo do metrô, lembro de puxar minha mãe, que é muito tímida também, para dançar em casa e a gente gargalhava e ficava cantando junto.” Priscila diz que é dela o título de fã número 1. “E a minha noiva é a segunda”, conta, sobre a modelo Gabriela Rocha, com quem está há mais de quatro anos.

As imagens do vídeo produzido para “Cine Odeon” podem causar uma espécie de gatilho aos cariocas e amantes da praia. Gravado antes do isolamento social, o clipe mostra Priscila Tossan aproveitando um dia de sol no Rio de Janeiro com direito a caminhada na Urca e pedaladas de bicicleta. Com três dias de lançamento, já eram quase 300 mil visualizações no YouTube. Agora, o vídeo acumula quase um milhão de reproduções. “Isso tudo é só alegria mesmo. Só penso que mamãe estava certa em dizer que eu não podia desistir. Ela falava para eu seguir que Papai do céu iria abençoar. Que alegria!”, comemora.

A carreira de Priscila, que trabalhava como auxiliar de cozinha em Campo Grande, na Zona Oeste, começou na igreja. A influência da vida cristã é percebida em letras como a de “Vida”, que faz referência a um salmo bíblico em seus versos. Depois, Priscila ascendeu mesmo sobre os trilhos do metrô da capital carioca. A timidez por vezes a fez hesitar de cantar nos vagões. Antes de estrear nas estações, ela chegou a pagar a passagem e desistir. Ver outros artistas se apresentando nas ruas a incentivou. A partir dali, conseguiu uma vaga no reality show da TV Globo e foi semifinalista da sétima edição do programa, em 2018. Ano passado, ela cantou no Rock in Rio ao lado de Lulu Santos, um dos jurados da atração.

A exposição na televisão deu a ela uma das oportunidades mais marcantes até agora: cantar ao lado de Nelson Sargento. "Quando o produtor falou que ele queria que eu cantasse naquele show, eu fiquei incrédula. Falei que não era possível", relembra. “É uma benção mesmo, só seguir. A gente riu muito e ele contou muitas coisas da vivência passada dele. Eu só fiquei pertinho ouvindo, absorvendo, não falei muito não”, admite.

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O novo EP produzido por Kassin, Alê Siqueira e Tó Brandileone mostra uma Priscila Tossan de ouvido apurado, mais atenta aos detalhes musicais. “Preciso estudar cada vez mais a teoria, as cordas... Não posso parar.”

A timidez de Priscila nunca a afastou da música. Pelo contrário, descobrir artistas e novos sons sempre foram formas que ela buscou para se expressar. “Sempre fucei muita música, desde os 12 anos. Eu ia pesquisando, salvando as sugestões e anotando”, diz. Foi assim que conheceu o jazz de Ella Fitzgerald (1917-1996) e a força de Nina Simone (1933-2003. “Eu fiquei transtornada, ouvindo sem parar!”

De influências viscerais como essas, Priscila Tossan aprendeu a compartilhar suas vulnerabilidades. Em “Quanto Tempo Faz”, a mais jazzística das faixas, canta a saudade de um amor perdido. A canção, única assinada por ela sozinha, é pessoal, sim. “A música é antiga, tem uns nove anos. Eu escrevi em um momento de dor amorosa, um momento de saudade e de término de uma relação. Fui para o meu quarto e a música simplesmente foi”, diz.

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