Quem é John Reid, o empresário vilão de 'Rocketman' — que aparece como gente boa em 'Bohemian Rhapsody'?
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Quem é John Reid, o empresário vilão de 'Rocketman' — que aparece como gente boa em 'Bohemian Rhapsody'?

Em cartaz nos cinemas brasileiros, o filme "Rocketman" reconta a história da origem, os fracassos e triunfos de Elton John na indústria musical. Os altos e baixos do cantor são retratados em conexão com o relacionamento que teve com o empresário John Reid, vivido no musical pelo ator Richard Madden (o Robb Stark de "Game of Thrones"). O filme dirigido por Dexter Fletcher pinta Reid basicamente como um vilão — um retrato muito diferente da imagem que o mesmo personagem real ganhou em outra biografia musical recente, "Bohemian Rhapsody", que conta a história do Queen e que também contou com Fletcher na direção (finalizando trabalho iniciado por Bryan Singer).

Nascido na Escócia em 1949, John Reid acompanhou a carreira de Elton John desde o comecinho — ainda na época que o cantor usava seu nome de batismo, Reg Dwight. Tornaram-se namorados em 1970; Elton foi o primeiro cliente de Reid como empresário. O relacionamento amoroso durou apenas cinco anos, mas o escocês guiou a carreira do astro até 1998 (apesar de o final de "Rocketman" sugerir que a separação profissional ocorreu bem antes). Reid ajudou Elton a se tornar um sucesso mundial, administrando o temperamento difícil e os excessos químicos de seu protegido... e tornando-se milionário no processo, claro. Como se não bastasse, também cuidou da carreira do Queen entre 1975 e 1978, período no qual a banda inglesa transformou-se em uma das mais bem-sucedidas de sua geração.

Taron Egerton e Richard Madden em cena de 'Rocketman'
Taron Egerton e Richard Madden em cena de 'Rocketman'

"Rocketman" mostra Reid como o parceiro amoroso de Elton que, com o passar dos anos, deixa de amá-lo de verdade e mantém a relação apenas pelo lucro. No filme, o empresário trata o cantor friamente durante suas crises existenciais e os períodos de abuso de drogas e álcool. No fim, livre da dependência química e com a auto-estima recuperada, Elton reconhece o cinismo de Reid e decide dar um fim ao relacionamento. Se todo filme biográfico tem de ter um vilão, o personagem interpretado por Richard Madden sem dúvida ocupa o posto.

O retrato de Reid em "Bohemian Rhapsody" não chega a ser heróico, mas o filme sobre o Queen não o trata como vilão. Vivido na tela por Aidan Gillen (por coincidência, outro protagonista de "Game of Thrones", na qual viveu o maquiavélico Lord Baelish), a versão anterior de John Reid é mais gentil que a de "Rocketman". Em boa parte do filme, o empresário é visto como um defensor da visão artística da banda, como na cena em que ele e o grupo exigem que a gravadora não interfira em "Bohemian Rhapsody" e no álbum "A Night at the Opera", em 1975.

Aidan Quinn em cena de 'Bohemian Rhapsody'
Aidan Quinn em cena de 'Bohemian Rhapsody'

Entretanto, o filme mostra Freddie Mercury (Rami Malek) demitindo Reid de forma sumária, quando o empresário sugere, de forma um tanto gananciosa, que o cantor aceite uma lucrativa proposta de carreira solo. De acordo com Jim Beach, que assumiu o lugar de Reid, a separação entre a banda e o empresário foi amigável e consensual. Ou seja: em "Bohemian Rhapsody", Reid é um sujeito ambicioso que sabe como negociar dos dois lados para conseguir um resultado favorável. Já "Rocketman" o exibe mais como um frio homem de negócios que não vê problemas em levar Elton John além de seus limites - mostra até como o empresário o obrigou a voltar a fazer shows pouco depois de sofrer um ataque cardíaco.

Rami Malek como mostra Freddie Mercury
Rami Malek como mostra Freddie Mercury

Com tantas coincidências entre os dois filmes, chegou-se a imaginar a ideia de criar um "crossover" entre as biografias. Dexter Fletcher (que completou o trabalho iniciado pelo cineasta Bryan Singer em "Bohemian Rhapsody" e dirigiu "Rocketman" desde o início) chegou a imaginar uma cena na qual Freddie, Elton e Reid se encontravam por acaso num restaurante. Mas por mais fantasioso que "Rocketman" possa ser, no fim das contas a ideia de uma participação de Rami Malek foi descartada pelo diretor. "Seria um pouquinho demais da conta", declarou Fletcher. "Não estamos criando um 'universo cinematográfico' como o dos filmes da Marvel." Olha, que não seria má ideia, hein?

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