Quem é Lizzo: diva pop, que veio do rap, é tudo o que a gente precisava
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Quem é Lizzo: diva pop, que veio do rap, é tudo o que a gente precisava

O hype é real. Lizzo não é apenas a artista pop que ganhou o entusiasmo internacional das redes após cantar o hit "Juice" no "Jimmy Kimmel Live!" — um dos programas de auditório mais populares da TV americana —, em abril deste ano. Com a apresentação lotada que fez no Coachella 2019 e com a repercussão do lançamento do múltiplo "Cuz I Love You", seu terceiro álbum de estúdio, a cantora nascida em Detroit e criada em Houston, no Texas, mostra, com sua música, uma tendência cada vez mais importante: amor próprio e positividade contagiam. Gorda, negra e vinda do rap, Melissa Jefferson fez de si e de suas músicas canais de empoderamento, de inspiração e de (muita) malemolência. Para entender e comprovar tudo isso, basta contar até cinco.

Um. "Espelho, espelho meu / Não precisa dizer, eu sei que sou uma graça" são os dois versos que abrem "Juice", atual maior hit de Lizzo. Na contramão de pesquisas que indicam como a música no geral está ficando mais irritada, e o pop, mais triste, essa e outras faixas como "Like A Girl" e "Soulmate" do álbum mais recente da instrumentista — sim, ela também toca flauta — foram feitas para encher quem as escuta de poder, confiança e bem estar.

Não à toa, em entrevista ao programa de rádio "Elvis Duran Show", a artista de 31 anos conta do efeito terapêutico de escrever tais letras, e como ela gostaria de passar a mesma sensação para quem a acompanha. É essa produção de arte recheada de amor à própria pele, à própria personalidade e ao próprio corpo, a responsável por esgotar shows em minutos e contagiar uma legião de admiradores com alegria e positividade por todo o mundo. "Se eu estiver brilhando, todos vão brilhar" é outro verso de "Juice" capaz de sintetizar o caráter agregador e promotor de identificação e de proximidade do trabalho e do jeito de Melissa.

Se eu estiver brilhando, todos vão brilhar

Dois. Apesar de "Cuz I Love You" ser considerado um disco principalmente pop, é possível perceber a mistura de gêneros musicais já na estrondosa faixa que abre e dá título ao álbum. Quase onipresente, o (ótimo!) rap dos anteriores "Coconut Oil" (2016), "Big Grrrl Small World" (2015) e "Lizzobangers" (2014) divide espaço com toques de R&B ("Jerome"), soul ("Lingerie"), funk ("Juice"), rock ("Crybaby") e indie hip-hop ("Boys"). Todas essas referências tornam a experiência de ouvir Lizzo em uma viagem a musicalidades que transitam por Whitney Houston, Aretha Franklin, Diana Ross, Madonna, Lauryn Hill, Destiny's Child, Cyndi Lauper, Cher e inúmeras outras artistas transformadoras, corajosas e originais — assim como ela.

Em "Juice", Lizzo passa uma mensagem de amor próprio que permeia todo o álbum "Cuz I Love You" / Foto: Reprodução YouTube
Em "Juice", Lizzo passa uma mensagem de amor próprio que permeia todo o álbum "Cuz I Love You" / Foto: Reprodução YouTube

Três. Além dos quesitos "músicas dançantes" e "vibe lá em cima", as coreografias e dançarinas também são partes indissociáveis de outro ponto forte de Lizzo: as apresentações ao vivo. Conhecidas como Big Grrrls, as mulheres que dançam ao lado de Melissa são todas plus size e, junto a uma DJ, completam o palco 100% feminino da cantora. Sexies, talentosas, confiantes e lindas, elas são a extensão de toda a liberdade corporal que Lizzo prega nas músicas e dão um show ao entrar em ação. Quando "Tempo" — canção com participação da rapper Missy Elliot — começa a tocar, é difícil não ficar eufórico com a qualidade do twerk ("rebolado", em tradução livre) executado por elas.

Lizzo acompanhada das Big Grrrls, suas dançarinas plus size, em show no Coachella 2019 / Foto: Getty Images
Lizzo acompanhada das Big Grrrls, suas dançarinas plus size, em show no Coachella 2019 / Foto: Getty Images

Quatro. Contemporânea de Beyoncé, Troye Sivan, Janelle Monáe, Camila Cabello e outros artistas conhecidos por exalarem sensualidade em seus trabalhos mais recentes, Lizzo traz o tema com leveza e mostra como ele pode bater de frente com a gordofobia, com o racismo e com o machismo. Além de abordar temas sexuais em faixas como "Lingerie", a rapper dá bastante atenção para produções em que seu corpo e toda a beleza dele são exaltados, seja nas fotos de seu perfil no Instagram, seja nos figurinos dos shows ou nos videoclipes. Isso contribui para inspirar quem não se encaixa no padrão estético dominante a também se sentir bem com o próprio corpo e à vontade com a própria sexualidade.

Em seu perfil no Instagram, Lizzo sempre posta fotos lindas, com roupas incríveis como esse traje vermelho / Foto: Reprodução Instagram
Em seu perfil no Instagram, Lizzo sempre posta fotos lindas, com roupas incríveis como esse traje vermelho / Foto: Reprodução Instagram

Cinco. Nos comentários do vídeo de "Cuz I Love You", no YouTube, o mais curtido deles é o que diz: "Ela está virando um ícone bem diante dos nossos olhos". Depois de tudo o que você leu até aqui, ainda dá para duvidar?

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