Quem sampleou o quê? Quem e quanto vai pagar? Entenda complexidades da anatomia do hip-hop
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Quem sampleou o quê? Quem e quanto vai pagar? Entenda complexidades da anatomia do hip-hop

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 A arte de samplear é um dos legados definitivos deixados pelo hip-hop desde sua ascensão, nos anos 1970. Essa técnica — facilmente definida como a arte do Ctrl+C de trechos ou instrumentos de uma faixa distinta e, logo após, Ctrl+V em determinada parte de uma música — foi utilizada desde os primórdios do gênero, e hoje se faz fundamental em qualquer rap que se preze. Com a legislação em torno dos direitos autorais, ficou mais difícil simplesmente "samplear" um trecho de uma faixa e não pagar nada a ninguém. Esse limite legal é a pedra no sapato de gravadoras, editoras e outros especialistas em direito autoral. 

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No ano passado, o tema gerou até um painel, batizado de "Anatomia do Sample", realizado pela Association of Independent Music Publishers (AIMP) em Nova York, com veteranos da indústria fonográfica americana. Entre os presentes, estavam Judith Finell, presidente da Judith Finell MusicServices Inc. e musicóloga responsável pela briga judicial envolvendo a família de Marvin Gaye e os cantores Robin Thicke e Pharrell Williams, acusados por plágio em "Blurred Lines". 

 "Fazer hip-hop sem utilizar samples é como fazer galinha frita sem usar galinha", aponta o produtor Tony DoFat, durante o painel. O cara, colaborador de grandes artistas do gênero, como Diddy, Mary J. Blige, Queen Latifah e Will Smith, explica como certas faixas se tornaram samples.

"Quando eu e Diddy íamos à boates, costumávamos observar como as pessoas reagiam ao DJ. Anotávamos tudo quando víamos que algo fez sucesso entre o público", conta ele, apontando para a vez em que mixou uma música de Mary J. Blige com um sample da banda Ohio Players.

 "'What's the 411' se tornou um sucesso instantâneo, mas não tínhamos ideia de que estávamos moldando a black music naquela época", conta DoFat. Em seu acervo, o produtor tem centenas de samples de discos desconhecidos de toda parte do mundo. A maioria, no entanto, não tem qualquer informação sobre direitos autorais, o que dificulta a utilização dos mesmos. Existem casos conhecidos de samples que foram utilizados sem qualquer responsabilidade, como fizeram alguns rappers americanos com trechos do disco de estreia do maestro brasileiro Arthur Verocai, de 1972.  

Para auxiliar na identificação de samples e prevenir problemas de direitos autorais, produtores utilizam aplicativos como o Shazam ou Tracklib. Assim, fica mais fácil entrar em contato com o profissional responsável pelo trecho de música que se deseja utilizar, pagando, obviamente, o equivalente previsto nesse caso. Quem está por trás do “negócio dos samples” diz que, normalmente, paga-se uma porcentagem ao artista sampleado. Segundo a "Billboard", o dono do sample recebe uma porcentagem da receita proveniente do streaming. Mas os casos e contratos variam, e alguns nunca chegam a ver a cor desse dinheiro. 

Como o hip-hop se tornou recentemente o gênero mais escutado dos EUA, o assunto “sample” tem sido um importante debate entre as gravadoras. Fontes do setor disseram à revista americana que as principais empresas do ramo precisam agora obter o consentimento de terceiros para uma média de 50% das músicas que lançam. Ou seja, pelo menos metade das músicas lançadas nos EUA hoje tem samples. O número é gigante e demonstra um potencial enorme de crescimento nesse setor que precisa, portanto, ser fiscalizado com mais rigor. 

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