Radiohead: doc de amor pelas pequenas casas de show lembra noites como bandinha de pub 'insegura'
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Radiohead: doc de amor pelas pequenas casas de show lembra noites como bandinha de pub 'insegura'

O baterista Philip Selway, do Radiohead, revisitou os primórdios da banda inglesa no documentário "Long & Winding Road". Eleita como a maior atração principal de todos os tempos em Glastonbury em uma pesquisa da BBC, membro do Rock Hall of Fame e, na semana passada, dona de uma biblioteca virtual própria, o Radiohead, não duvidem, já foi uma pequena banda indie de garagem.

O longa, uma produção do festival Independent Venue Week (IVW), mostra Selway percorrendo o país em busca de bares e clubes que ajudam a promover artistas iniciantes como eles naquele início dos anos 1990.

O baterista Philip Selway (primeiro à esquerda), revisita os primórdios do Radiohead no documentário "Long & Winding Road". Foto: Getty Images
O baterista Philip Selway (primeiro à esquerda), revisita os primórdios do Radiohead no documentário "Long & Winding Road". Foto: Getty Images

Coincidentemente, a ideia da viagem surgiu durante uma entrevista no próprio local onde sua banda foi contratada pela primeira vez em 1991. "Ao longo de cerca de cinco anos, fizemos cerca de seis shows e provavelmente quatro deles foram na Jericho Tavern, em Oxford. Foi um local que nos permitiu dar os primeiros passos, em performances iniciais incertas e muito instáveis", conta Selway em entrevista à BBC.

O músico de 52 anos lembra de ter se inspirado em shows que viu lá, de artistas que estavam começando, como Dinosaur Jr e Pulp muito nascente. Naquela época, sua banda - que inicialmente se chamava On a Friday, uma referência ao dia em que eles ensaiavam na escola — tinha um setlist contendo versões anteriores de músicas como "You" e "Stop Whispering", que entrariam no álbum de estreia.

Selway se lembra do quanto ele adorava "se reconectar" com o ambientes menores, onde a reação próxima dos fãs pode surpreender qualquer realeza do rock. Ele aproveitou para compreender melhor a "dedicação e energia" de locais como o Moles Club Bath, o Brudenell Social Club de Leeds e o John Peel Center em Stowmarket. "É muita boa vontade, criatividade e amor que espaços assim têm pela música. Eu acho que você até percebe isso quando se apresenta como uma banda, mas fica muito focado em sua própria performance. Então, foi incrível falar com os proprietários, as equipes técnicas e as pessoas que administram essas casas de shows para ter uma ideia real das contribuições diárias e das comunidades que cresceram em torno delas", diz o baterista.

Em 2018, estimou-se que 35% das casas de shows da Inglaterra haviam fechado na última década. Desde então, a Music Venues Alliance ajudou a frear o número de fechamentos, equipando melhor os locais nas áreas de planejamento, desenvolvimento e licenciamento. No entanto, apesar de cinco novos locais ligados à IVW este ano, não houve um grande aumento nos novas casas. Mas foi registrada uma vitória com o anúncio do governo sobre a redução de 50% nas taxas de negócios para pequenos e médios "locais de música popular". "Um em cada seis locais do Reino Unido estará ameaçado de fechamento em um ano", prevê o chefe do Music Venue Trust, Mark Davyd.

As viagens de Selway o levaram a um desses locais no centro de Londres que quase se tornou uma estatística. Há dez anos, soube-se que o Clube 100 estava ameaçado de fechamento após mais de 70 anos de atividades devido a pressões financeiras. Ao ler as notícias, Sir Paul McCartney se ofereceu para fazer um show na hora do almoço. "Foi a primeira vez em todos os anos que percebi o quanto o clube era importante", diz o proprietário Jeff Horton no filme. Desde então, o clube se fortaleceu e atraiu novos patrocínios para ajudar a pagar as contas, funcionários e bandas. "Eu acho que, para a saúde e a sanidade das gerações futuras, você precisa de coisas como essa, ou todo mundo ficará louco de insatisfação", diz Selway.

Outros nomes que participam do filme são Fatboy Slim e Adrian Utley, do Portishead. Utley fica nostálgico com o cheiro de "água sanitária e vômito" que ele associa com carinho aos primeiros dias de sua banda de trip-hop em Bristol.

O baterista, que também é narrador do documentário, trabalhou na produção com o fundador da IVW, Sybil Bell, e o diretor Pip Piper que, no filme "Last Shop Standing", olhou para uma "outra parte do ecossistema", as lojas de discos. Ele se diz impressionado com o "fantástico empreendedorismo que está acontecendo nesses espaços", à medida que os locais mais antigos se adaptam às demandas do público.

Cartaz do documentário de Philip Selway, que está na programação do  Independent Venue Week. Foto: Reprodução
Cartaz do documentário de Philip Selway, que está na programação do Independent Venue Week. Foto: Reprodução

Em sua sétima edição, o festival Independent Venue Week, que acontece até o dia 2 de fevereiro, terá mais de 800 shows em 230 locais nas cidades, vilas e aldeias do Reino Unido. Incluindo The Cellar, "o único local em Oxford em que o Radiohead nunca tocou!" brinca Selway, no filme. "Ainda há tempo ...", responde, sorrindo e cheio de esperança, o gerente do local Tim Hopkins.

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