Raphael Taira, o homem que tem 55 instrumentos musicais diferentes — e aprendeu todos eles sozinho!
Inspiração

Raphael Taira, o homem que tem 55 instrumentos musicais diferentes — e aprendeu todos eles sozinho!

Raphael Taira ganhou um piano dos pais quando era criança. O presente despretensioso era apenas uma reprodução em tamanho infantil do instrumento de verdade. Não passava de uma tentativa do casal de entreter o filho. Um dia, ao chegar em casa, a mãe dele percebeu que, enquanto a avó do menino, então com quatro anos, assistia à televisão, o garoto tocava no piano a mesma música do comercial que passava, sem nunca ter recebido qualquer instrução musical na vida. "Eu não lembro sobre o que era o comercial, mas a música se chama ‘Quatro Semanas de Amor(sucesso da dupla teen Luan e Vanessa). 'O seu nome eu escrevi na areia...', eu lembro dessa parte", conta Raphael, que, aos 32 anos e dotado de um talento autodidata para aprender instrumentos musicais, hoje tem 55 diferentes em casa — e sabe tocar todos.

"Para mim, a graça sempre foi ouvir e tocar. Quando me colocaram na aula de teclado, eu encontrei meu primeiro problema. Eu não gostava do método de ensino, achava muito restritivo. Eu não sei ler partitura até hoje", confessa o músico. Quando começou a frequentar as aulas de música, Raphael dava, digamos, uma leve enrolada na professora. Ele pedia para a professora tocar a música que deveria aprender. Ao chegar a sua vez, ele apenas reproduzia os sons que havia memorizado da apresentação dela. "Eu fingia que estava lendo a partitura, mas eu decorava e tocava. Isso aconteceu várias vezes, até que ela desconfiou e tocou uma música diferente da que estava na partitura. Quando eu reproduzi o que tinha ouvido, ela me pegou no flagra”, se diverte o hoje prestador de serviços do Google, formado em Publicidade e Propaganda pela ESPM de São Paulo.

Raphael Taira tem 55 instrumentos musicais diferentes e sabe tocar todos / Foto: Arquivo pessoal
Raphael Taira tem 55 instrumentos musicais diferentes e sabe tocar todos / Foto: Arquivo pessoal

A primeira composição própria de Raphael veio aos seis anos. Uma canção chamada "Céu e Inferno" — ele não faz ideia do porquê. A avó insistia para que ele voltasse a estudar e não desperdiçar o dom que tinha, mas, para ele, isso não era sério. "Eu gostava de música como uma forma de me expressar, eu não queria transformar aquilo em estudo, cobrança, chatice...", explica.

Eu tenho vários instrumentos que não são utilizados para fazer solos, mas eu diria que consigo acompanhar qualquer música com qualquer um deles. Aprendi tudo sozinho

Apesar da resistência, o interesse pela música não morreu. Ao encontrar um violão empoeirado e desafinado guardado pela mãe, Raphael resolveu pegá-lo para tocar. "Naquela época não tinha como procurar no Google como se afina um violão. Eu afinei de acordo com as notas do piano, provavelmente tocando tudo errado, mas montei os meus próprios acordes e as músicas saiam. Quando meu pai viu que eu estava tocando violão, veio conversar comigo. Eu fazia os acordes de ouvido, sem saber quais eram, mas eu via que soavam bem."

Dali surgiu um trato com o pai: a cada duas semanas, ele ganharia um instrumento novo que quisesse mas, passado o tempo, teria que mostrar que havia aprendido. O combinado começou com um baixo elétrico, depois foi para o violino, o baixo acústico, acordeão, banjo, violoncelo, flauta transversa, trompete, trombone e mais um monte de instrumentos, até chegar na gaita de fole. "Aí foi muito frustrante, porque eu estava muito empolgado, mas não consegui tocar. Não saía som. As duas semanas passaram e eu não consegui tocar. Foi quando encontrei o síndico do prédio e ele contou que tocava gaita de fole. Ele foi lá em casa e me explicou que o problema era que as palhetas que chegaram com o meu instrumento estavam ruins, por isso eu não conseguia fazer som."

Autodidate: de todos os instrumentos que têm, o piano tem um lugar guardado no coração do músico / Foto: Arquivo pessoal
Autodidate: de todos os instrumentos que têm, o piano tem um lugar guardado no coração do músico / Foto: Arquivo pessoal

Foram 20 instrumentos dados pelo pai até que o músico começou a comprar os seus próprios. Atualmente, ele tem 55 tipos, muitos deles bastante diferentes do que estamos acostumados a ver por aí. Flauta chinesa hulusi, uma cítara húngara comprada em Budapeste, uma balalaika russa, um cuatro venezolano, um charango boliviano... Ele já teve até uma gatorra do próprio Tony da Gatorra.

"Eu tenho vários instrumentos que não são utilizados para fazer solos, mas eu diria que consigo acompanhar qualquer música com qualquer um deles. Aprendi tudo sozinho", conta ele. Apesar de saber tocar tantos instrumentos, ele tem uma queda maior por um. "O piano é indispensável, eu toco todos os dias. É o que eu mais domino. Mas atualmente eu tenho gostado muito de tocar o contrabaixo acústico, a bateria — que eu aprendi há um ano —, o banjo e o teremim, que eu tenho tocado com a minha filha, que tem quatro anos."

Raphael está envolvido em três projetos musicais. Na banda indie Gram, ele entrou em 2015. Apesar de ser o atual pianista do grupo, ele já passou por outros instrumentos dentro do conjunto. No clipe de “Minha Rapunzel Tem Dread”, parceria com MC Soffia, ele pode ser visto tocando baixo. Raphael integra ainda o power trio Kóva Raza e desenvolve uma empreitada solo nova, chamada de Ônfalo. “É quase como um catálogo das coisas que eu faço, tudo que eu crio ou que eu já compus e vou catalogar. Eu vou fazer tudo via instagram, como eu sou diretor de arte também, eu vou gerar conteúdo visual todo, fazer algo bem orgânico e próximo que e as pessoas consigam me ver compondo. Bem pessoal e sem rótulo”. E livre, como ele sempre quis que sua música fosse.

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