'Rave para surdos' no Reino Unido é exemplo de acessibilidade e inclusão
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'Rave para surdos' no Reino Unido é exemplo de acessibilidade e inclusão

Não é necessário ter uma audição perfeita para sentir na pele os efeitos provocados pela música. Na verdade, não é preciso nem ouvir. Prova disso é a Deaf Rave — “rave para surdos”, em português —, uma balada trimestral voltada para pessoas com deficiência auditiva que acontece há 15 anos no Reino Unido e conta com uma seleção de DJs e artistas surdos.

"Nosso evento é como nenhum outro", conta o londrino Troi Lee, fundador da Deaf Rave e nascido com elevado grau de surdez. Aos 14 anos, Lee ganhou um walkman e ficou viciado nas batidas e vibrações do grupo americano de hip hop Public Enemy, sentidas com um pouco mais de intensidade devido ao auxílio de um aparelho auditivo que o permitia ouvir algumas frequências sonoras. “Nós precisamos reverter o mito de que pessoas surdas não conseguem aproveitar música”, diz o também DJ da festa inclusiva e antigo frequentador de baladas inglesas ilegais onde era possível sentir o grave estremecedor das caixas de som.

Precisamos reverter o mito de que pessoas surdas não conseguem aproveitar música

Para acontecer, a Deaf Rave conta com uma superajuda da tecnologia. Um software utilizado na festa reconhece a música e a transforma em imagem, ajudando o público-alvo a não só sentir a batida, mas também a vê-la. Outras inovações como o “alto-falante vestível” SubPac — um aparelho em formato de mochila que permite ao usuário sentir vibrações sonoras diretamente no tórax — intensificam ainda mais a experiência imersiva. E, assim como Amber Galloway (a moça que traduziu em tempo real shows de Kendrick Lamar e Red Hot Chilli Peppers para libras), o evento também inclui intérpretes de linguagens de sinais.

“As pessoas geralmente têm ideias preconcebidas sobre a possibilidade de indivíduos surdos desfrutarem de música ao vivo”, conta Suzanne Bull, CEO da Attitude is Everything — “atitude é tudo”, em português —, instituição britânica de caridade que luta para tornar eventos de música mais acessíveis a portadores de necessidades especiais. “Nosso papel é deixar claro que os surdos querem sim se envolver com música e participar de shows ao vivo”, diz.

Confira um pouco de como funciona a Deaf Rave:

As informações são do “Positive News” e do “The Guardian”.

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