Red Hot Chili Peppers: 20 anos depois, 'Californication' continua um grande álbum
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Red Hot Chili Peppers: 20 anos depois, 'Californication' continua um grande álbum

Se você tem mais ou menos 30 anos de idade deve lembrar o quanto se falou (e se escutou) de Red Hot Chilli Peppers no final dos anos 1990. Não é por acaso: o lançamento de “Californication”, álbum que completa 20 anos em 2019, foi um estrondoso sucesso e um marco na carreira da banda, anunciada como uma das atrações do Rock in Rio 2019, com show marcado para o dia 3 de outubro na Cidade do Rock. Os motivos que explicam esse fenômeno são vários.

Para entender a grandiosidade de “Californication”, porém, é preciso dar alguns passos para trás e analisar a carreira da banda. O grupo liderado por Anthony Kiedis pode ter hoje uma identidade sonora consolidada, mas sua história guarda um turbulento passado de troca de guitarristas e apostas em diversas direções.

John Frusciante estabeleceu, nas gravações de “Blood Sugar Sex Magik”, de 1991, as camadas de guitarra que melhor acompanhariam a cozinha formada pelo baixista (e gênio) Flea e pelo baterista Chad Smith. Mas um problema sério com abuso de heroína afastou o guitarrista da banda após o fim de uma turbulenta turnê.

É um disco sobre amizade e reconciliação, permeado pelo entrosamento dos quatro músicos no que muitos consideraram o ápice criativo dos Peppers

Para o seu lugar foi chamado o experiente Dave Navarro, ex-Jane’s Addiction e um guitarrista com uma sonoridade muito diferente da proposta por Frusciante. A nova formação gravou, em 1995, “One Hot Minute”, um fracasso de crítica e público que, somado a uma briga de egos travada entre Kiedis e Navarro, levou à expulsão do guitarrista em 1998. Nesse contexto, os Red Hot Chili Peppers quase anunciaram o fim.

A demissão de Navarro coincidiu com a saída de Frusciante de um programa de reabilitação para usuários de drogas em abril de 1998. A convite de Flea, John retorna à banda e o grupo dá início ao trabalho de gravação de “Californication”. Esse retorno, somado ao clima de reconstrução, teve impacto imediato em todo o espectro do disco. “Californication” é a soma de tudo que faz o Red Hot Chilli Peppers gigante: é um álbum que carrega a sonoridade requebrada do funk que é a marca da banda, mas com espaço para letras profundas e sons introspectivos. É um disco sobre amizade e reconciliação, permeado pelo entrosamento dos quatro músicos no que muitos consideraram o ápice criativo dos Peppers.

Produzido por Rick Rubin, que acompanhava a produção da banda desde “Blood Sugar (...)”, e lançado em junho de 1999, “Californication” ganhou rapidamente as rádios (era algo importante pra época, ok?) com “Scar Tissue”. Diferentemente do que se esperava de uma banda que anunciava o retorno de um membro antigo e deveria fazer barulho por isso, o single foi uma escolha menos “pé na porta”. “Scar Tissue” é uma faixa de pegada calma, com uma letra que fala sobre solidão e perdas. O clipe desse primeiro single foi gravado no deserto de Mojave, na Califórnia, e mostrava a banda rodando uma estrada em um velho conversível, cheia de ferimentos. Uma representação visual perfeita do momento do grupo: a volta de Frusciante era um momento de cicatrizar feridas abertas.

Os clipes, aliás, são um fator importante para compreender o sucesso de “Californication”: lançado no auge mundial da MTV e numa época em que a internet ainda se consolidava como um veículo popular, todos os singles do disco foram pensados para passar mensagens visuais. “Otherside”, “Road Trippin” e a homônima “Californication” (que tinha um clipe feito em CGI num momento pós-“Toy Story”) foram acompanhadas de vídeos cuidadosamente pensados para refletir o teor das letras de Kiedis.

Esse mergulho na própria relação entre os membros da banda não impediu o Red Hot de também fazer o que fez a fama da banda: uma mistura equlibrada de funk com outros elementos do rock. “Get On Top”, “I Like Dirt” e “Purple Stain” poderiam figurar sem medo na tracklisting de discos anteriores como “Mother’s Milk” ou mesmo de “Blood Sugar (...)”.

Um retrato bastante apurado do momento pelo qual passava a banda, “Californication” é a representação sonora do que são os Peppers até hoje, mesmo após a nova substituição de guitarristas (sai Frusciante, entra Josh Klinghoffer, três discos depois). O sucesso comercial de vendas, mais de 15 milhões em todo o mundo, deu espaço para mais experiências da banda no disco seguinte (“By The Way”, de 2002). Se existe um disco dos Red Hot Chilli Peppers que resume e explica o porquê de a banda ser o fenômeno que foi (e é), com certeza é “Californication”.

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