Renée Zellweger: quando a atriz de cinema canta de verdade
Na Trilha do LEÃO

Renée Zellweger: quando a atriz de cinema canta de verdade

Recentemente, ficamos bem impressionados com o inglês Taron Egerton, na pele de Elton John, em “Rocketman”; e com o americano Rami Malek como Freddie Mercury, no “filme do Queen” (“Bohemian Rhapsody”). Não apenas pela magnífica caracterização e atuação de ambos (Rami até ganhou Oscar de melhor ator), como também pelas performances vocais. Em vez de apenas dublar as canções originais de Frederic Bulsara ou Sir Reginald Dwight, nas trilhas, Taron e Rami as cantaram, de verdade, mandando no gogó. No caso do Taron, ele e Reggie até lançaram clipe, cantando juntos (que onda!), uma música inédita que Elton fez especialmente para “Rocketman” e que está concorrendo ao Oscar na categoria de melhor canção, “(I’m Gonna) Love Me Again”. Nada mal.

Agora, outra pessoa vem nos impressionar com magnífica performance e atuação vocal num filme biográfico: a meio sumida Renée Zellweger (a eterna Bridget Jones), que em “Judy: Muito Além do Arco-íris” (estreando no Brasil em 30/1), não apenas entrega uma atuação digna de prêmios, como realmente canta todas as partes que um dia saíram da garganta da sofrida Judy Garland (1922-1969), que ficou marcada em Hollywood (e em nossa mentes), quando, ainda jovenzinha, interpretou a Dorothy de “O Mágico de Oz” (1939). O filme não conta toda a vida de Garland, faz um recorte. Começa com ela, estreante, em “Oz”, e pula para a fase final, quando fez as últimas apresentações num teatro em Londres, em 1968, onde tudo podia acontecer. Nessa época, não tinha mais dinheiro nem para pagar suas diárias nos hotéis, onde vivia, com dois filhos. Triste.

Renée Zellwegger na estreia europeia de 'Judy' /Mike Marsland (Getty/WireImage)
Renée Zellwegger na estreia europeia de 'Judy' /Mike Marsland (Getty/WireImage)

Falando em filhos, poucos associam que Judy é a mãe de Liza Minnelli (a teve com o diretor de cinema Vincent Minnelli, de “Nasce Uma Estrela”, estrelado por Judy, a versão original, de 1954, que inspirou a versão com Lady Gaga). É outra grande performer do teatro e cinema (marcou como a cantora do filme “Cabaret”, nos anos 1970), cantado ou atuando. Liza é sua filha mais velha e aparece pouco em “Judy”, para não desviar o foco principal.

Difícil não se concentrar e focar em Renée, tão arrebatadora no papel que, depois de algum tempo, a gente até esquece que está vendo uma atriz interpretando Judy Garland, e não vendo a própria. Na trilha, Renée/Judy desfila standards do jazz e do cancioneiro americano como “The Trolley Song” (que Judy canta em “Agora Seremos Felizes” (“Meet Me in St. Louis”, 1944 — assista aqui), a climática “Come Rain or Come Shine”, “By Myself” (que, vai num crescendo dramático), a conhecida e divertida “Get Happy”, a natalina “Have Yourself A Merry Little Christmas” e, claro, “Over The Rainbow”. Mas, ela está especialmente cativante em “For Once In My Life”, que a gente se acostumou a ouvir com Stevie Wonder (ou com Gladys Knight & The Pips). Na voz de Judy/Renée, soa como outra música. É completamente diferente. Parece que foi feita para Garland. E cria um clima de final de festa melancólico.

Curiosamente, outra atriz cantante, Jessie Buckley (da qual falamos aqui no filme da country girl escocesa, “As Loucuras de Rose”) está na tela. Mas, neste, faz apenas um papel coadjuvante e não canta uma nota sequer. O restante da boa trilha, é preenchida por músicas de Johnnie Taylor (“Take Care of Your Homework”), The Romancers (“Take My Heart”) e Paul Weston & His Orchestra (“No Other Love”). Mas, é a Judy de Renée, quem dá um verdadeiro show na tela. Bravo!

Relacionados

Canais Especiais

Ícone do FacebookÍcone do TwitterÍcone do InstagramÍcone do YoutubeÍcone do DeezerÍcone do SpotifyÍcone do Pinterest