Ric Lee, baterista do Ten Years After, conta como 'sobreviveu' ao Woodstock; festival completa 50 anos em agosto
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Ric Lee, baterista do Ten Years After, conta como 'sobreviveu' ao Woodstock; festival completa 50 anos em agosto

Em 15 de agosto, a histórico festival de Woodstock completa 50 anos. E, se o Woodstock 50 ficou na poeira, cancelado depois de vários micos, despejos e desprezos, o aniversário do lendário evento, está mantida a Woodstock Experience, que reunirá, de 9 a 11 de agosto em West Jefferson, na Carolina do Norte, alguns músicos que participaram da primeira edição, como a banda Ten Years After.

Antes da celebrada apresentação, o baterista Ric Lee, de 73 anos, concedeu uma entrevista à "Billboard" e contou sobre seu novo livro, "From Headstocks to Woodstock", uma autobiografia (sem tradução para o português) que narra as memórias de sua vida e do épico festival ocorrido em uma fazenda de Nova York em 1969.

Abaixo, leia os melhores trechos desse bate-papo entre Ric e o repórter Gary Graff.

A banda Ten Years After nos anos 1970/Getty Images
A banda Ten Years After nos anos 1970/Getty Images

O Ten Years After não sabia da existência do Woodstock até a véspera do festival

Segundo o músico, a banda não sabia o que era o Woodstock, pelo menos até a véspera do evento. Um dia antes do festival, eles estavam com Nina Simone em St. Louis, nos EUA. O empresário da banda não queria topar viajar até Nova York em troca de um "cachê miserável". Mas o agente do Ten Years After, Frank Barsalona, insistiu que eles tocassem . "Ele dizia que seríamos loucos se negássemos fazer um show lá. Janis topou, Jimi Hendrix, os Doors, o Who...", relembrou Ric.

A banda só percebeu as dimensões do festival depois que sobrevoou o local de helicóptero

"Na época, chutavam que 50 mil pessoas iriam a Woodstock, não mais que a quantidade de gente que ia ao Seattle Pop Festival", disse o baterista. Mas as estimativas estavam erradas, e o evento ganhou proporções enormes. "Nós nos tocamos que o bagulho tinha ficado sério quando sobrevoamos o festival de helicóptero. Não dava pra chegar lá de carro, já que as estradas estavam abarrotadas de automóveis estacionados", completou ele.

O grupo teve de dividir quarto com a Big Brother and the Holding Company

"Voamos de St. Louis para Nova York às 6 horas da manhã e não tínhamos dormido bem. Daí, quando finalmente chegamos ao hotel, todos os quartos estavam lotados. A gente acabou dividindo quarto com o pessoal da Big Brother and the Holding Company. Mal sobrou espaço para a gente se deitar direito."

Comer em Woodstock? Nem pensar

No helicóptero que levou Ric e sua banda para o Woodstock, também havia um médico, que pegou carona para o festival. Ele recomentou aos músicos que não comessem nada no evento que não estivesse cozido. "Ele também disse para evitar a todo custo beber coisas que estivessem fora de uma lata fechada. Temia uma epidemia de hepatite no festival, uma loucura", contou.

Um temporal atrasou o show da banda

A apresentação do Ten Years After deveria acontecer na tarde do dia 17 de agosto, mas foi adiada para as 20h30min daquele dia. "Passei a maior parte do meu tempo no backstage", revelou Ric. "Estava tentando encontrar algo para comer. Estava de barriga vazia desde 7 horas da manhã. Também não conseguia encontrar nada para beber, apenas latas abertas.". Mas ele conseguiu, enfim, encontrar cervejas para saciar a sede, enquanto a maior das pessoas estava "meio chapada de maconha".

A tempestade atrapalhou o som, claro

"Quando subimos ao palco, tudo ainda estava muito úmido, o que atrapalhou o som das guitarras. Precisamos recomeçar 'Good Morning, Little School Girl' umas quatro vezes até ficar bom. Mas o público foi muito paciente, o que foi legal. Ainda assim, ficamos muito estressados. Nunca tínhamos nos apresentado para 500 mil pessoas, claro", declarou o baterista.

O festival, apesar de tudo, entregou o que pretendia: três dias de paz, amor e música

"Woodstock era nossa fonte de esperança de que o mundo poderia ser mais pacífico no futuro", falou Ric. "As pessoas se tratavam muito bem, compartilhavam tudo. Era realmente lindo, cheio de amor, algo que precisamos retomar em nossas vidas."

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