Rob Halford, do Judas Priest: 'A comunidade do metal sempre foi inclusiva'
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Rob Halford, do Judas Priest: 'A comunidade do metal sempre foi inclusiva'

Rob Halford, líder do Judas Priest, é um cidadão britânico que vive nos EUA há um bom tempo — em Phoenix, no Arizona, desde 1984. Isso, no entanto, não impede que o "Deus do Metal", como foi apelidado pelos fãs, fique esperando horas e horas no consulado americano para renovar seu visto provisório. Ali, ele é tratado como mero mortal.

"Sempre tomo chá de cadeira e no fim percebo que esqueceram de mim e fecharam as portas", brincou ele, em entrevista ao "NME". "Nesse momento, não me sinto tanto como um 'Deus do Metal'..."

Como já contamos anteriormente, Rob lançou, na última sexta-feira (18), seu segundo álbum natalino, 'Celestial' (ouça abaixo). O disco temático é repleto de canções sobre símbolos da festa cristã misturados com arranjos de heavy metal. Ele foi feito junto de seus amigos e familiares, que tocam os instrumentos — o irmão, Nigel, por exemplo, toca bateria, seu sobrinho, Alex (filho de Ian Hill, do Judas Priest), fica no baixo, e a irmã, Sue, é responsável pelos sinos.

A paixão de um headbanger pelo Natal pode parecer contraditória, mas não para Rob. Ele acredita que a festa tem uma mensagem muito bonita, capaz de ensinar muitos valores para as novas gerações.

"Eu amo o Natal. Fico ansioso por sua chegada todos os anos. Quanto mais velho fico, mais ele importa para mim", falou o músico de 68 anos. "É uma época fantástica para refletir sobre o que realmente importa. Amo árvores de Natal. Eu realmente as amo. Já tive muitas. Neste Natal, vou estragar minha neta dando muitos presentes."

Como se considera um "procrastinador", Rob ainda não foi às lojas comprar seus presentes. Tudo bem, né? Ainda faltam alguns meses para o dia 25 de dezembro. Mas, mesmo assim, é bom garantir logo as promoções. Para isso, ele se garante com sua nova "droga", a Amazon Prime. "Parei de beber e me drogar há um tempo, então estou sempre atrás de novos vícios. O meu mais recente é a Amazon Prime. Fico no telefone até 2 horas da manhã comprando merdas que eu não preciso. Depois, esqueço que comprei e me confundo com tantas caixas que chegam", refletiu.

Rob ficou "limpo" em 1986 e, desde então, a religião tem grande importância em sua vida. Mas ele não é o tipo de cara que sai pregando por aí. Ele acredita na simplicidade. "Tente ser uma pessoa melhor. Trate as pessoas como gostaria de ser tratado. Aprendi tudo isso quando criança. Não gosto muito de rótulos, pois há uma grande diferença entre religião e espiritualidade", disse. "Especialmente neste ano, precisamos espalhar esses ensinamentos. Por isso me reuni com meus amigos e familiares para desenvolver 'Celestial'. O que está havendo nos EUA agora é ridículo, e na minha casa está acontecendo o Brexit. O mundo anda complicado."

O vocalista do Judas Priest, Rob Halford, durante um show em Austin, no Texs, em 29 de maio de 2019/Getty Images
O vocalista do Judas Priest, Rob Halford, durante um show em Austin, no Texs, em 29 de maio de 2019/Getty Images

Rob concedeu a entrevista para o "NME" em 11 de outubro, quando se celebra no Reino Unido o Dia Nacional de Sair do Armário. Rob ficou feliz em explicar como é ser um homem gay e cantor de heavy metal nos EUA. "Coloquei no meu Instagram um vídeo na qual falo publicamente pela primeira vez que sou gay. Recebi comentários de todos os tipos, e temos que ficar preparados para os ruins. Mas a maioria foi com boas intenções, muito bonitos. Recebi uma chuva de amor verdadeiro e compreensão ali", comentou.

Fora de sua "bolha virtual", entretanto, Rob sabe que a situação não anda muito boa para a comunidade LGBT. "Estão aprovando leis que permitem com que pessoas gays percam seus empregos somente por serem quem são. Isso é horrível. Os EUA deveriam ser uma superpotência de diversidade. Em vez disso, pregam coisas medievais", avaliou. "Aqui não é um país onde me sinto seguro, e muito menos agora. Você pode levar um tiro enquanto está no mercado. Isso me entristece, mas não deixo essas coisas acabarem comigo. Os políticos, a mídia... Eles querem que você fique com medo, mas eu me recuso."

Voltando à questão da ironia sobre um músico de heavy metal amar o Natal, Rob quer mudar esse paradigma. "A comunidade do heavy metal sempre foi inclusiva, apesar de ter sido tratada como uma bola de futebol por muitos anos. Isso nos deixou mais fortes. E realmente acho que o metal é o componente mais forte do rock", avalia. E completa, prevendo um ótimo futuro metal: "Nós sempre seremos barulhentos, sempre seremos orgulhosos!"

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No ano passado, Rob anunciou que estava escrevendo uma autobiografia, ainda sem data de lançamento prevista. Este é o novo projeto na qual tem se dedicado, e deverá ser bastante autêntico, falando sobre drogas, reabilitação, sexualidade... "Está tudo pronto. Não tenho medo de como as pessoas vão recebê-lo", afirmou.

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