Rock in Rio 1985: o dia em que Glória Maria fez uma entrevista antológica e ficou 'encantada' com Freddie Mercury
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Rock in Rio 1985: o dia em que Glória Maria fez uma entrevista antológica e ficou 'encantada' com Freddie Mercury

Glória Maria é uma instituição do jornalismo brasileira. Com muitas viagens e entrevistas históricas no currículo, poucas delas são tão lembradas no imaginário popular quanto aquela feita com Freddie Mercury, em 1985. Era a segunda vez do Queen no Brasil. O grupo estava aqui para cantar na primeira edição do Rock in Rio naquele show que entraria para a história do festival — e do próprio Queen.

“Milhões de repórteres especializados, mas sempre sobrava para mim. Quando tinha pepino forte, era eu. Aí vai entrevistar o Freddie Mercury, que todo mundo tinha medo, aquela coisa... Eu mal falava inglês ainda”, lembrou Glória, em entrevista ao programa “Estúdio I”, da Globo News, no fim de 2018.

Gloria Maria ficou frente a frente com Freddie Mercury / Foto: Reprodução
Gloria Maria ficou frente a frente com Freddie Mercury / Foto: Reprodução

Uma das perguntas feitas por Glória a Freddie era sobre a música “I Want To Break Free”. Lançada em 1984, a faixa composta por John Deacon, baixista do Queen, era vista como um hino gay, por causa do vídeo em que os quatro integrantes do grupo apareciam vestidos de mulher. “Eu quero me libertar”, dizia a letra que, para muitos, era um claro desabafo de Freddie.

“Absolutamente não. Para começar, essa música é de autoria do John Deacon e ele é um homem bem casado, com uns quatro filhos. Não sei de onde você tirou essa ideia, não tem a ver com gays”, disse Freddie à época. "Ela fala de todos nós, de alguém que leva uma vida muito dura e quer se libertar dos problemas que enfrenta, não tem nada a ver com gays. A música nem é minha", respondeu.

Em entrevistas recentes, Glória já contou uma parte curiosa sobre o papo com o líder do Queen: ela estava tão nervosa, que esqueceu de explicar para o artista que iria fazer a pergunta em inglês e, depois, repeti-la em português, para ajudar na edição da reportagem. “Aí eu perguntava em inglês, ele respondia, e eu perguntava em português de novo. Ele dizia: ‘Essa mulher está maluca, o que ela quer que eu faça? Responda em português?’”, contou.

Ao ouvir a pergunta em português, Freddie, mesmo sem entender, responde: "Eu já falei disso. Viu? Estou te ajudando. Próxima pergunta...", ao que Glória mantém um semblante sorridente, característica que transparece até hoje. No fim do ano passado, a jornalista teve que fazer uma cirurgia às pressas para retirar um tumor no cérebro. Durante o período de recuperação, Glória sempre demonstrou alegria e otimismo. “Eu renasci. Tive o privilégio de viver outra vida depois de tudo que já aprontei", refletiu, em entrevista publicada em dezembro no jornal "O Globo".

Na segunda pergunta, Glória questiona se ser líder do grupo é difícil. Freddie nem espera Glória terminar o questionamento e logo diz que não é o líder do grupo. "Todo mundo me chama de líder da banda mas eu só sou o vocalista principal. Não existe isso. Não sou o 'general da banda'", Quando Glória repete a pergunta, Freddie lhe dá um apertão na bochecha como quem diz “fofinha”. E ironiza: “Desta vez, eu sou o líder, sim.”

Queen no Rock in Rio 1985: John Deacon, Freddie Mercury e Brian May / Foto: Getty Images
Queen no Rock in Rio 1985: John Deacon, Freddie Mercury e Brian May / Foto: Getty Images

A entrevista termina quando Glória questiona o artista se ele prepara alguma surpresa para o público brasileiro. “A surpresa sou eu”, ele responde. “Você pode dar uma demonstração?”, retruca Glória, ao que Fred diz: “Peraí que eu vou te dar uma demonstração”, pegando a repórter pelos ombros, como se fosse agarrá-la.

O que para muitos pareceu grosseiro, para Glória, foi espontâneo. O artista chegou a pedir dicas do que fazer na vida noturna no Rio para ela, que indicou a Galeria Alaska, em Copacabana, que na época tinha shows famosos protagonizados por travestis. Os dois não chegaram a se tornar amigos, mas os momentos que passaram juntos foram o suficiente para Glória achar a representação de Freddie no filme “Bohemian Rhapsody” muito caricata.

“Me incomodou essa coisa da prótese dentária porque ele era dentuço um pouco, mas o cara do filme, o ator (Rami Malek), a caracterização dele foi um pouco demais, muito estereotipado, ficou esquisito”, comentou.

“Eu fiquei tão encantada com ele, porque ele era todo politicamente incorreto, ao contrário dessa chatice que tem hoje. Você imagina um ídolo como o Freddie Mercury com essa tranquilidade, camiseta regata, fumando um cigarrinho, apertando a minha bochecha…”, disse.

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