Rock pirata na União Soviética: como os fãs desafiavam a censura prensando discos em material de raio-X
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Rock pirata na União Soviética: como os fãs desafiavam a censura prensando discos em material de raio-X

Eis uma narrativa que os estudantes não aprendem nas aulas de história sobre a União Soviética: durante os anos 1950 e 1960, período que sucedeu a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), ultrapassou o governo Stalin (1924-1953) e terminou durante Guerra Fria (1947-1991) milhares de soviéticos sofreram com a censura por parte do Estado e do Partido Comunista. Diversos tipos de produtos culturais estrangeiros, como gêneros musicais (o rock, o jazz, o boogie woogie...), foram estritamente proibidos por "ameaçarem a ordem". Sendo assim, restavam aos moradores da URSS consumirem apenas o que era permitido pela censura, como músicas regionais, clássicas e folk.

Para driblar essa política limitante, a juventude da época deu o seu jeito de uma forma para lá de inventiva (e trabalhosa). Ou pirateavam discos de rock e outros gêneros de outros países, ou sintonizavam, ilegalmente, em rádios estrangeiras. Depois, claro, ainda faltava prensar essas músicas em discos, mas não nos convencionais vinis — feitos de plástico —, mas sim em chapas de raio-X. Os LPs feitos com esse material eram chamados de "música de ossos", ou roentgenizdat, em russo.

Toda essa história bizarra foi contada no minidocumentário de 2016, "X-Ray Audio" — disponível abaixo.

Discos como "Rock Around the Clock", de Bill Haley & His Comets, e "Boogie Woogie Bugle Boy", das Andrews Sisters, não eram permitidos em território soviético. Por um lado, até que o Partido Comunista não estava errado em dizer que a música "comprometia a ordem". Em Londres, onde o frenético gênero musical era permitido, jovens britânicos arrancaram assentos de salas de cinema tamanha foi a agitação com estes clássicos do rock.

A censura levou os jovens soviéticos a piratear discos de fora, e a falta de material para produzir novos exemplares foi o que fez com que eles usassem sua criatividade. Foi assim também na Hungria, nos anos 1940, quando radialistas descobriram a função musical das chapas de raio-X.

No país, durante esse período, a maior parte dos programas de rádio era gravada em goma-laca, um tipo de resina. Mas, durante a Segunda Guerra Mundial, importar esse tipo de material era quase impossível, principalmente porque vinha da Índia. Foi então que entraram os discos feitos de sobras de radiografias.

Para ver imagens exclusivas destes discos, registrados pelo fotógrafo húngaro József Hajdú, basta clicar aqui.

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