'Rocketman': Elton John e equipe comentam as canções mais significativas da trilha sonora do filme
Entretenimento

'Rocketman': Elton John e equipe comentam as canções mais significativas da trilha sonora do filme

Elton John e o letrista Bernie Taupin, seu amigo e parceiro musical de anos, tiveram suas músicas muito bem representadas em "Rocketman" — em exibição nos cinemas desde 30 de maio. As canções da trilha sonora funcionam como parte fundamental da narrativa do filme e, por conta disso, foram escolhidas a dedo.

Abaixo, selecionamos as nove mais significativas, explicamos em que contextos elas são utilizadas e adicionamos comentários do próprio Elton e da equipe de produção do longa-metragem. Portanto, prepare-se para SPOILERS a partir de agora.

'The Bitch is Back'

A primeira canção do filme transporta o público até os anos 1950, quando Elton John ainda era Reginald Dwight. Aos 17 anos, ele vivia com a família em Pinner, no Reino Unido, em um lar praticamente sem amor. "Todos os membros daquela família estão em busca de amor de maneiras diferentes”, observou David Furnish, roteirista de "Rocketman". "Tudo parece perfeito demais naquele lugar, então, algo está errado."

Dexter Fletcher, diretor do longa, usou a música para conectar o jovem Reginald com o Elton John dos anos 1990, quando estava na clínica de reabilitação. "O filme já começa querendo dizer que Elton era uma 'bitch' e que não tinha vergonha de ser quem ele era", apontou ele.

'Saturday Night’s Alright for Fighting'

A música serve para fazer a transição temporal entre o Reggie de 10 anos e o adolescente rebelde vivido por Taron Egerton. O número musical começa em um pub de Londres e magicamente se transporta para parque de diversões. A cena, que conta com 300 figurantes e 50 bailarinos, demorou 12 semanas para ser coreografada.

"Esse salto implicava em termos que mostram diferentes hábitos e influências de Londres na época", explicou coreógrafo Adam Murray. "Cada grupo (de dançarinos na sequência) começa a imitar os movimentos de outros grupos — os mods fazem um pouco do bhangra indiano, aparecem os teddies, os roqueiros, o povo do ska — numa unidade."

Esse artifício narrativo e a escolha da música, observou Furnish, "é uma metáfora brilhante para mostrar como Elton saiu de uma criação muito difícil, claustrofóbica, humilde, para se tornar essa força irrefreável que o empurrou para a frente da infância até o início da vida adulta."

Figurino utilizado por Taron Egerton no começo do filme, quando toca 'The Bitch is Back'/Reprodução
Figurino utilizado por Taron Egerton no começo do filme, quando toca 'The Bitch is Back'/Reprodução

'Your Song'

"Your Song" é uma música impactante para Taron Egerton, uma vez que ele usou a canção na audição para ingressar na Royal Academy of Dramatic Arts. Na opinião de Jamie Bell, que vive Bernie, essa é uma das "melhores canções já compostas na história". Elton John, em seus comentários, disse que "não cansa" de cantar essa música em seus shows.

"É uma música muito bonita e romântica. Ela toca as pessoas. É por isso que você compõe, para emocionar as pessoas. Você escreve músicas para agradar a si mesmo, mas se elas agradam aos outros — e acho que a letra de 'Your song' e os sentimentos ali conseguem —, elas não morrem nunca", reletiu ele. "É uma letra extraordinária para um poeta como Bernie, que tinha 18 anos. A cena retratou exatamente como foi na vida real. Compus em mi bemol, bem, bem rápido. Essa composição foi um momento mágico nas nossas vidas."

'Crocodile Rock'

"Um dos trechos do filme de que eu tenho mais orgulho é a apresentação que projetou Elton no Troubadour", admitiu Taron Egerton. "Ele tinha 23 anos e esse foi um daqueles shows, uma das noites incríveis do Troubadour, que realmente alçou ele ao posto de artista internacional gigantesco."

A produção construiu uma recriação milimétrica da casa de shows icônica de Los Angeles para a sequência em que o Elton vai de aterrorizado — escondido no banheiro dos camarins, recusando-se a sair — a triunfante.

"'Crocodile Rock' é um dos números de Elton que mais envolve plateia, por isso parecia uma escolha óbvia para a sequência', afirmou Furnish. "Também é contagiante, dá para pegar rápido, as pessoas cantam junto logo do início. No filme, há uma atmosfera de leveza, etérea, que Dexter imaginou para a apresentação do Troubadour. Elton sempre foi famoso pelos chutes que dá por cima do piano, pelas paradas de mão sobre as teclas. Decidimos pegar isso e usar como uma metáfora de sua escalada à fama."

'Tiny Dancer'

'Tiny Dancer' ajuda a contar a história do momento após o show do Troubadour, quando Elton e Bernie foram a uma festa na casa da Mama Cass. Lá, o músico conheceu seu empresário e amante, John Reid. "No filme, você nota a conexão imediata desses dois homens", falou Richard Madden, que interpreta Reid. "A relação ficaria muito mais complicada e mergulharia nas sombras, mas era importante para nós mostrar como foi intensa essa primeira faísca."

'Honky Cat'

Como na sequência de 'Saturday night’s Alright for Fighting', a de 'Honky Cat' também é ambientada com a aparência e o clima de um musical clássico da MGM. E não apenas por causa do elemento visual.

"Essa sequência curta ilustra o tipo de sucesso emergente e a notoriedade e riqueza crescentes que começam a chegar à vida de Elton naquela época", avaliou Taron. "A graça do número é que Elton está descobrindo sua real identidade antes que seus excessos cobrem seu preço. Nela, eu e Richard Madden fazemos uma dança no topo de uma vitrola gigante."

Taron Egerton (Elton John) e Jamie Bell (Bernie Taupin) em cena de 'Rocketman'/Reprodução
Taron Egerton (Elton John) e Jamie Bell (Bernie Taupin) em cena de 'Rocketman'/Reprodução

'Bennie and the Jets'

Para o produtor musical de Rocketman", Giles Martin, "Bennie and the Jets" é a mais ousada de todas as versões que a produção extraiu do catálogo de Elton John. A música te transporta para "o ponto alto ou o ponto mais baixo da história, dependendo do ponto de vista", explicou Dexter Fletcher. "Em 'Rocketman', tinha que haver uma hora em que Elton se desencaminha totalmente, perde o foco. Aí ele vai para uma clínica de reabilitação para tentar saber quem é outra vez. E essa canção narra esse momento."

No filme, a faixa é ambientada em uma boate, e não é qualquer boate. "Havia um período nos anos 1970 que o Studio 54 era a boate certa para se estar”, disse Fletcher. "Era um lugar incrível para pessoas incríveis com uma contribuição criativa incrível, mas foi uma época bem sombria, quando a AIDS estava muito disseminada. Tinha um traço de medo ali. A vida pessoal de Elton estava ficando completamente perdida no vício. Então, na sequência de 'Bennie and the Jets', tem um aspecto sinistro."

Para o figurinista Julian Day, se "Honky Cat" representa o começo dos excessos, "Bennie and the Jets" representa o declínio dessa fase. "Tudo começa a ficar demais. Seus vícios estão saindo do controle e puxando ele para baixo. A canção é usada quase como um grito desesperado. É uma utilização muito poderosa", concluiu.

'Goodbye Yellow Brick Road'

"Goodbye Yellow Brick Road" é utilizada para contar sobre a briga entre Elton e Bernie. Também é uma amostra do trabalho que o figurinista Julian Day fez em "Rocketman". O modelo que ele criou para acompanhar a canção é inspirado em "O mágico de Oz", como um grau de detalhe que apenas os fãs conseguem perceber.

"É um dos meus figurinos favoritos do filme", contou Julian. "Dei a Taron um paletó azul com sapatos e lapelas vermelho-rubi para representar Dorothy. A camisa é feita de um tecido prateado de Homem de lata. E ele usa um chapéu de palha de Espantalho, e um casacão de pele de Leão. Tem até uma fivela esmeralda, e Taron usou um brinco pequeno de esmeralda para representar a Cidade das Esmeraldas."

'Rocket Man'

É usada em uma sequência na qual o Elton está deprimido, toma uma overdose de medicamentos e pula numa piscina durante uma festa. "A música 'Rocket man' começa no fundo de uma piscina e termina em um estádio", decreve Giles Martin, considerando a escolha estética ousada.

"Ninguém pensa em 'Rocket Man' como uma canção de estádio. Mas a gente resolveu meio que dar uma pirada. Tem um coro de 50 pessoas e uma orquestra de cem membros. Virou um negócio gigantesco. Não fizemos essas coisas só por fazer. Fizemos para ficar divertido, bom de ouvir e bom de ver. No fim das contas, acho que ninguém ganha pontos pela coragem, acho que ganhamos pontos pelo entretenimento", finalizou.

Canais de Marcas

Relacionados

Canais Especiais

Ícone do FacebookÍcone do TwitterÍcone do InstagramÍcone do YoutubeÍcone do DeezerÍcone do SpotifyÍcone do Pinterest