Rod Stewart, na estrada com disco novo, fala sobre vencer o câncer e gravar 'canções rebeldes'
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Rod Stewart, na estrada com disco novo, fala sobre vencer o câncer e gravar 'canções rebeldes'

Como já contamos aqui no Reverb, Rod Stewart, de 74 anos, está recuperado de um câncer de próstata. Feliz após concluir o tratamento, ele voltou com tudo, lançou um disco novo — "You're in My Heart: Rod Stewart with the Royal Philharmonic Orchestra", em 22 de novembro —, e está viajando em turnê para promovê-lo. Levando uma orquestra inteira no palco, com os arranjos que trouxeram novas cores para seu repertório de cinco décadas.

"Quando soube que queriam colocar uma orquestra em 'Stay With Me' (rockão clássico de 1971 escrito por Rod e Ron Wood, quando os dois integravam o grupo Faces), eu disse: 'Ah, não vão, não!'. Mas o Trevor Horn, meu produtor, me pediu, resolvi deixar que tentassem e fiquei espantado: ficou lindo", vibra. Rod empolga-se também com o resultado em outro de suas joias da coroa, "Maggie May": "Não ficou nada xarope ou açucarado".

Para divulgar os recentes shows que fará na Irlanda, em Belfast (2 de dezembro) e em Dublin (3 e 4), ele concedeu uma entrevista ao "Irish News". No bate-papo com o jornalista Richard Purden, reiterou seu amor pelo Celtic Football Club, equipe da Escócia sediada em Glasgow, onde se apresentou esta semana e provocou catarse com "You're In My Heart", canção que muitos julgam ser de inspiração romântica, mas que fala dos sentimentos de Rod por seu time do coração.

Ele aproveitou a passagem do show por Glasgow para assistir à vitória do Celtic no dia seguinte. "Falei com Neil Lennon (técnico do time) antes da partida contra o Lazio (da Itália). Ele disse que iríamos ganhar. Passei muito tempo com os fãs cantando nas ruas e tirando selfies. Foi um momento mágico", contou.

Outra música do repertório de Rod, "Grace",escrita pelos irlandeses Frank e Séan O'Meara em 1985, ele diz ter conhecido a partir das arquibancadas do Celtic. Rod chegou a acusar a BBC de censurar sua gravação, por conta do teor anti-inglês da letra, inspirada em um rebelião de libertação irlandesa em 1916, o Levante da Páscoa. "Eu fiz o dever de casa, estive no local, li muito sobre essa insurreição. Tenho cantado a música há mais de um ano. É uma canção lindíssima", empolga-se.

Rod Stewart comemorando a vitória do Celtic no jogo contra o Lazio, em novembro/Getty Images
Rod Stewart comemorando a vitória do Celtic no jogo contra o Lazio, em novembro/Getty Images

O novo disco repleto de sucessos de sua carreira também é um lembrete das habilidades de Rod como compositor. "The Killing of Georgie", originalmente lançada em 1976, é "uma música sobre um homossexual, um amigo meu, ser gay naquela época era um tabu". "Gostaria de poder explicar como surgiu, você abre o cérebro e canta qualquer coisa que queria — é tentativa e erro. Eu tinha uma sequência de acordes descendentes e taquei a letra em cima", descreve, à sua moda, o processo de composição.

Para Rod, artesãos da canção são mesmo Bob Dylan, Tom Waits e o irlandês Van Morrison, seus compositores favoritos.

"Ele é um cavalheiro, o Sir Van. Amo as coisas que ele escreve", declarou. "Na última vez que o encontrei estava com minha ex-mulher (Rachel Hunter) em um hotel em Londres. Ficamos tão bêbados que mal consigo me lembrar."

Rod lembrou também de outro reencontro histórico, com sua antiga banda, os Faces, em 2015. Foi na ocasião que anunciou que havia se tratado de um câncer na próstata.

"Fizemos aquele show para angariar fundos para a caridade", explicou o músico. "Anunciei que venci o câncer, embora não saiba se isso é realmente possível. Mas eu estava melhorando, então vamos colocar dessa maneira. Foi uma noite incrível com Kenney Jones na bateria e Jim Cregan na guitarra. Os dois se recuperaram de câncer na próstata e, claro, Ronnie Wood, que teve câncer de pulmão, também estava lá. Todos nós continuamos batalhando."

"Nunca me senti diferente por causa da doença. Me tratei durante dois anos e, nesse tempo, continuei a trabalhar. Ia constantemente ao hospital e é um milagre que ninguém tenha descoberto. Não queria que as pessoas soubessem, porque esse câncer é horrível e chega sem nenhum aviso", completou Rod. "Decidi contar a todos para ajudar outras pessoas. Agora, estou muito bem, na minha melhor forma. Treino durante três dias, tenho um lindo campo de futebol, uma piscina coberta e uma academia — e eu uso!"

Sobre o câncer que espera ter ficado para trás, ele disse: "Nunca me senti diferente por causa da doença. Me tratei durante dois anos e, nesse tempo, continuei a trabalhar."

Para 2020, o cantor já tem planos e agenda cheia. Aos 75 anos, que completará em 10 de janeiro, vai excursionar pelos EUA com o Blondie, e depois seguirá para datas na Austrália. Um novo álbum também será produzido, com tema delineado. "Serão umas vinte das melhores canções folk e country já escritas. Por caras como Hank Williams, Carter Family e Johnny Cash. E com algumas canções rebeldes da Irlanda e da Escócia também", avisa.

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