Roddy Bottum, do Faith No More, cria banda com o namorado, MAN ON MAN, e mostra 'outro perfil no cenário gay'
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Roddy Bottum, do Faith No More, cria banda com o namorado, MAN ON MAN, e mostra 'outro perfil no cenário gay'

Roddy Bottum, tecladista do Faith No More, e seu namorado Joey Holman, que também é músico, estão passando a quarentena juntos. Numa forma de continuar suas atividades musicais enquanto não há prazo para voltar para a estrada — a turnê europeia do Faith No More foi adiada — Roddy e Joey começaram a compor juntos e criaram o duo MAN ON MAN. A primeira música é "Daddy", que chega acompanhada de um videoclipe amoroso do casal.

Roddy e Joey gostam de dizer que "Daddy" é uma "celebração do amor em isolamento". Tanto a música como o vídeo proporcionam um momento de leveza com toque sexy em meio ao clima pesado em que o mundo vive. "É realmente um momento sombrio, não há como negar isso, mas a vibração entre nós diante desse vírus é de positividade, produtividade e otimismo. O som pop e o tom do vídeo vieram 100% desse sentimentos", conta Roddy à "Rolling Stone".

O MAN ON MAN surgiu da necessidade dos músicos permanecerem artisticamente produtivos no isolamento. Morando atualmente na pequena Oxnard, na Califórnia, Roddy diz que começaram a perceber que estavam prestes a enfrentar uma nova realidade, num lugar onde nunca estiveram. "Começamos a conversar sobre a melhor forma de documentar este capítulo da história enquanto continuávamos a produzir. O isolamento para nós tem sido um tempo de compor e fazer arte, isso nos aproximou muito mais. Tínhamos algumas guitarras, um piano e um teclado, e escrevemos e gravamos tudo em casa. Tem sido uma janela de iluminação, honestamente. É raro ter tanto tempo para introspecção", observa.

O tecladista conta que eles já haviam feito parcerias antes da pandemia, mas que agora o trabalho tomou outra dimensão. "Parecia importante documentar o tempo da pandemia, mas também o que sentíamos um pelo outro e a intensidade de nossa união em isolamento. Nós escrevemos um pouco juntos antes, mas nunca assim. Nem pensávamos em lançar um disco ou vídeo, mas acabou que a quantidade de músicas meio que justificava isso", diz Roddy, avisando que lançarão mais singles e vídeos antes do disco completo que tem previsão de sair no segundo semestre.

Roddy assumiu ser gay no início dos anos 90, quando esse tipo de posicionamento poderia afetar amizades e carreira, principalmente dentro de uma banda de hard rock. "Eu senti que a comunidade do rock era um lugar tolerante quando assumi. Mas ela foi a menor das minhas preocupações. Era mais importante para mim fazer essa declaração para a comunidade gay e para as pessoas comuns. Naquela época, Rob Halford, do Judas Priest, nem tinha saído do armário. Minha declaração pode ter sido uma provocação para o mundo hetero em geral, porém o mais importante para mim era a necessidade de falar para a comunidade gay, a minha comunidade", disse ele numa entrevista no início do ano ao "Kerrang".

Já Joey parece ter demorado mais a sair do armário. Entre 2006 a 2009, ele foi guitarrista da banda de rock cristã Cool Hand Luke, um período que ele conta não ter sido muito confortável. "Foi uma experiência cheia de diversão e aprendizado, mas no final das contas, eu estava escondendo uma parte muito importante de quem eu era, e isso foi doloroso. Tocávamos em bares e clubes, mas outras vezes em igrejas e em festivais de música cristã. Mesmo sendo algo de pouco mais de uma década, não havia espaço para ser honesto porque sabia que significaria o fim da minha carreira", lamenta o músico, satisfeito por poder se expressar honestamente agora. "O espírito do MAN ON MAN é o total oposto disso. Estamos enraizados no amor, na auto-expressão e na verdadeira liberdade", comemora.

Roddy e Joey em cena do videoclipe "Daddy". Foto: Reprodução
Roddy e Joey em cena do videoclipe "Daddy". Foto: Reprodução

Além de expressar de forma simples e aberta sua relação — usando apenas cuecas em grande parte do vídeo, eles aparecem cortando o cabelo um do outro, dançando, se abraçando —, a dupla quebra um padrão dentro da própria comunidade. "Há uma representação já suficiente de jovens bonitos e sem pelos na comunidade gay. É bom representar um lado que não é 'bonitinho nem polido'. Saiu uma matéria sobre nós em um veículo não-gay, onde teve vários comentários homofóbicos e ageístas. Eu fiquei feliz porque assim conseguimos provocar ao mesmo tempo em que representamos esse outro perfil no cenário gay", afirma Roddy.

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