Ronnie James Dio: o cultuado deus do metal será tema de documentário
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Ronnie James Dio: o cultuado deus do metal será tema de documentário

As performances, o carisma e a imensa influência de Ronnie James Dio no heavy metal vão chegar às telas de cinema. A BMG e a viúva Wendy Dio fizeram uma parceria para produzir um documentário sobre cantor, que morreu em 2010 aos 67 anos, vítima de um câncer.

O cultuado artista, que foi vocalista das bandas Elf, Rainbow, Black Sabbath, Heaven & Hell, além de liderar um supergrupo com seu sobrenome artístico, será tema de um documentário. Devidamente autorizado pelo espólio do artista, o filme, que está em fase de produção, terá direção de Don Argott e Demian Fenton. "Estou muito empolgada por trabalhar com o BMG no tão esperado documentário de Ronnie. Ele amava seus fãs e espero que eles aproveitem essa viagem por sua vida", disse Wendy em comunicado.

A vida e a carreira de Dio estarão no documentário que vai reunir material de arquivo e entrevistas. Foto: Getty Images
A vida e a carreira de Dio estarão no documentário que vai reunir material de arquivo e entrevistas. Foto: Getty Images

O documentário vai reunir imagens de arquivo e fotos inéditas do cantor. Entrevistas com amigos e familiares vão dar um panorama em sua vida e sua carreira. Segundo um comunicado, o documentário é “baseado na autobiografia inacabada de Dio e vai narrar a jornada inspiradora de sua vida, amor e carreira histórica".

Muito antes de ser chamado de Deus do Metal, em 1957, o baixinho Dio — ele tinha 1,60 — começou sua carreira no grupo The Vegas Kings, quando ainda assinava Ronnie James Padavona. Depois de várias mudanças de nome da banda, ele assinou pela primeira vez como Dio no disco "An Angel Is Missing" do Ronnie & The Red Caps, em 1960. Logo depois, como Ronnie Dio & The Prophets, o vocalista participou de dez álbuns antes de integrar The Electric Elves, The Elves, Bootlegs, Elf e Rainbow.

O Rainbow, com Ritchie Blackmore, Cozy Powell, Ronnie James Dio, Tony Carey e Jimmy Bain, no lançamento do álbum "Rising", em 1976. Foto: Getty Images
O Rainbow, com Ritchie Blackmore, Cozy Powell, Ronnie James Dio, Tony Carey e Jimmy Bain, no lançamento do álbum "Rising", em 1976. Foto: Getty Images

Sobre seu tom particular de voz, ele contou certa vez ao "USA Today" que adorava ouvir ópera quando criança e era fã do cultuado tenor ítalo-americano Mario Lanza (1921-1959): "Eu não conseguia acreditar naquela voz incrível. Eu queria usar esse aspecto da vocalização no contexto do rock. Acho que essa é a conexão que as pessoas veem entre o meu estilo operístico e a música pesada".

No verão de 1979, o impensável aconteceu: o Black Sabbath demitiu Ozzy Osbourne e dessa vez não havia como voltar atrás — pelo menos até o grupo original se reunir em 1997.

O site "Louder Sound" reuniu depoimentos dos membros do Sabbath e do próprio Dio sobre a reunião que tanto salvou o Sabbath quanto foi definitiva para a carreira de Dio. "Quando finalmente tomamos a decisão sobre Ozzy, Tony (Iommi) disse que estava conversando com esse grande cantor. Ronnie apareceu e tocamos 'Children Of The Sea', que estávamos tentando fazer há tempos. Só dissemos: 'Inferno!', pois ficamos sentados lá por seis meses sem absolutamente nada, e só foi Ronnie chegar para dar um jeito imediatamente", disse Geezer Butler.

Dio comentou que era complicado trabalhar no Rainbow, fato que o ajudou na decisão de ir para o Sabbath. "Não quero ser negativo em relação a Ritchie (Blackmore, guitarrista e compositor do Rainbow), mas às vezes era muito difícil. Ritchie e eu escrevemos ótimas músicas, algumas coisas realmente maravilhosas, mas ele é um gênio e ele tem uma atitude muito decidida. Com Ritchie, você meio que canta sobre o que ele quer lhe dar", contou ele, destacando que nunca teve a intenção de substituir Ozzy. "Eu sabia que poderíamos ser ótimos juntos. Estávamos criando este álbum juntos, e era importante que tomássemos caminhos diferentes, afinal, eu não queria substituir algo que Ozzy faria. Mas, felizmente, ele não estava fazendo nada, por isso não foi um problema", contou ele, referindo-se a "Heaven and Hell", nono álbum do Sabbath. O título do álbum deu nome a uma turnê em 2007, que os reuniu novamente na esteira do sucesso da coletânea "Dio Years".

Geezer Butler, Tony Iommi, Vinny Appice e Ronnie James Dio na turnê "Heaven and Hell", em 2007. Foto: Getty Images
Geezer Butler, Tony Iommi, Vinny Appice e Ronnie James Dio na turnê "Heaven and Hell", em 2007. Foto: Getty Images

Dio, que sempre afirmou nunca ter usado drogas — "Eu via como aquilo era destrutivo e acabava com carreiras e vidas", dizia —gravou mais dois álbuns, "Mob Rules", em 1981, e "Live Evil" (o primeiro ao vivo da banda), em 1982, antes de cair na estrada com sua própria banda — com o baterista Vinny Appice, "roubado" do Sabbath - e estrear em 1983 com o álbum "Holy Diver". Dio gravou mais nove álbuns de estúdio e nove ao vivo, além de participações em trabalhos de David Coverdale, Queensrÿche, Deep Purple, Tenacious D e muitos outros. Em 1992, ainda faria com o Sabbath "Dehumanizer".

Oito anos após sua morte, o espólio de Dio leiloou exatamente 666 de seus pertences no Julien's Auction em Nova York. “Estou feliz que a extensa coleção de itens de Ronnie vá para seus fãs, museus e colecionadores de todo o mundo para serem exibidos para todos ver e apreciar. Esses itens são muito especiais para mim, mas reconheço ainda mais sua importância histórica" disse Wendy na época.

Este ano, a novidade para os fãs é a reedição os álbuns de estúdio de Dio entre 1996 e 2004, incluindo "Angry Machines", "Magica", "Killing the Dragon" e "Master of the Moon". A BMG está prometendo o lançamento para 20 de março da coleção que está esgotada há muito tempo em CD e nunca foi lançada anteriormente em vinil na América do Norte. As reedições vão incluir faixas bônus raras e inéditas, selecionadas de turnês de cada álbum, além de clássicos de Dio ao longo de sua carreira.

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