Rush: Primus faz turnê em homenagem ao trio canadense, com repertório de álbum clássico
Entretenimento

Rush: Primus faz turnê em homenagem ao trio canadense, com repertório de álbum clássico

O adolescente vê pela primeira vez o show de seu ídolo, gosta tanto que decide seguir a carreira artística e, décadas depois, tem a oportunidade de tocar ao lado de quem o inspirou. Parece roteiro de filme — e é, de vários — mas também é a história da vida de Les Claypool. O vocalista e baixista do Primus viu o Rush quando tinha 14 anos e agora prepara a turnê A Tribute to Kings, toda baseada no disco ... da banda progressiva. Mas nessas quatro décadas, o caminho de Claypool cruzou várias e incríveis vezes com o do Rush.

A partir de maio, Claypool e seus companheiros de banda Larry LaLonde e Tim Alexander vão homenagear seus ídolos em uma turnê em que vai apresentar o repertório de "A Farewell to Kings". "Nós pensamos em fazer um álbum na íntegra há um tempo atrás e sempre conversamos potencialmente sobre 'Hemispheres'", conta Claypool à "Rolling Stone". O vocalista já lançou dois álbuns covers, o "Primus & The Chocolate Factory with the Fungi Ensemble" (2014), com uma releitura da trilha sonora do filme 'A Fantástica Fábrica de Chocolate', e o "Live Frogs Set 2" (2001) - esse com a banda Les Claypool's Frog Brigade -, com o repertório de "Animals", do Pink Floyd.

Les Claypool , em uma apresentação com a Primus em 2019: "sempre conversamos potencialmente sobre 'Hemispheres'". Foto: Getty Images
Les Claypool , em uma apresentação com a Primus em 2019: "sempre conversamos potencialmente sobre 'Hemispheres'". Foto: Getty Images

Foi nesse final dos anos 1970 que Claypool viu seu primeiro show de rock, justamente na turnê de "Hemispheres". Era o dia 16 de novembro de 1978 quando o Rush apresentou o repertório de seu sexto álbum na arena Cow Palace, na Califórnia. Na plateia, o adolescente Claypool, absolutamente chocado com o que via. "O garotinho de 14 anos que tinha acabado de vomitar no estacionamento por beber três cervejas teve a mente explodida ao ver aqueles caras fazendo o que eles fazem", lembra.

Depois de 40 anos, o vocalista não perdeu nem um pouco daquele entusiasmo. Ele lembra do primeiro encontro, para valer, em uma turnê em 1992, quando o Primus abriu para o Rush. "Nós os encontramos nos bastidores. Eu acho que Albuquerque foi o primeiro show, não tenho certeza. Éramos grandes fãs do Rush na adolescência, então quando surgiu a oportunidade de fazer essa turnê, foi bem surreal. E então conhecer esses caras e depois fazer amizade com eles e os anos subsequentes de amizade foi incrível. E, como eu disse, foi surreal ter Neil Peart, Geddy Lee e Alex Lifeson na nossa frente, batucando nos armários e outros tipos de coisas", lembra Claypool, citando cenas engraçadas das tais jams improvisadas. "Quando tocávamos em estádios, ficávamos nesses vestiários, então um dia Neil ensaiava em seu kit, mas em outro, 'tocava' nos armários com suas baquetas; em outro, Alex tocava guitarra usando um Doritos como palheta. Foram bons tempos", diz, saudoso.

Tim Alexander, Larry LaLonde e Les Claypool em 1992. Foto: Getty Images
Tim Alexander, Larry LaLonde e Les Claypool em 1992. Foto: Getty Images

Os anos passaram e Claypool diz que teve longos períodos em que eu não encontrou nenhum dos integrantes do Rush. "A última vez que vi Neil foi na casa de Stewart Copeland (baterista do Police); Alex e Geddy acho que foi mais recentemente num jantar, quando estavam em São Francisco. Nós nos encontramos em aeroportos de vez em quando. Geddy me entrevistou para o livro dele e na época fizemos um acordo: eu participaria do livro, mas ele tinha que me mostrar a maneira correta de tocar 'YYZ'. Ele topou, claro, e eu descobri que tenho interpretado errado todos esses anos!", conta, rindo.

Outro momento de aproximação com o Rush foi em 2010, quando tocou "The Spirit of Radio" na cerimônia de introdução da banda ao Canadian Songwriters Hall of Fame. "Geralmente não fico nervoso antes das apresentações, mas ali fiquei morrendo de medo porque era extremamente bizarro. Primeiro, os três estavam sentados ali, olhando para nós de seu camarote. Segundo, era uma plateia cheia de socialites usando roupas e jóias elegantes e, imagino, peles falsas. Foi uma coisa estranha", comenta.

Claypool diz que o último show que viu dos ídolos foi a turnê do útimo disco, "Clockwork Angels", de 2012. "Não sei quantos shows do Rush vi. Obviamente, já tocamos um monte de covers deles, como 'YYZ' e 'La Villa Strangiato'", cita. Na turnê que fez com o Slayer ano passado, por exemplo, o Primus já tocava uma faixa de "A Farewell to Kings", “Cygnus X-1 Book I”. "Começamos a aprender as músicas tocávamos um trecho aqui e outro ali de 'Cygnus' ao longo dos anos. Essa é grande questão do Rush: nós três tendemos a conhecer muitos trechos, mas poucas músicas inteiras porque é difícil, é a porra do Rush!", brinca.

Ano passado, aliás, teve um momento histórico para Claypool, quando Geddy participou do show do Claypool Lennon Delirium - sua banda de rock psicodélico ao lado do guitarrista e vocalista Sean Lennon - cantando "Tomorrow Never Knows". "Eu não esperava que ele aparecesse. Eu perguntei, informalmente, 'Ei, você quer participar?' e ele disse: 'Bem, você sabe, eu não costumo fazer isso, mas deixe-me pensar'. E eu fiquei tipo 'Tudo bem, não se preocupe'. Porque uma coisa que me deixa louco é que eu gosto fazer participações, mas às vezes eu só quero assistir ao show, e quando você sabe que precisa entrar em um determinado momento, faz com que você não consiga relaxar e aproveitar muito. Então eu disse apenas para ele ir e se divertir. E foi incrível!", lembra ele.

Apesar de toda complexidade musical, Claypool conta que o repertório do Rush sempre foi um terreno comum para os integrantes do Primus. "Eu me lembro de quando nós nos encontramos pela primeira vez. Isso foi uma das coisas que nos uniu quando sentamos lá e tocamos trechos de músicas do Rush", conta.

Para a turnê-homenagem, Claypool conta que, originalmente a ideia era fazer com o set list da turnê de "Hemispheres", já que foi o primeiro show que viu e, possivelmente o de LaLonde também. "Esse disco sempre teve um lugar muito grande no meu coração e na minha cabeça. Mas quando pensamos na tarefa nada fácil de enfrentá-lo... Eu tenho que tentar cantar como Geddy Lee e suas coisas mais antigas estão na estratosfera. Eu perguntei para ele certa vez: 'Cara, isso é falsete, ou ...?' E ele disse: 'Não, essa é minha voz mesmo'. Então, talvez eu precise de ajuda da plateia em muitas delas. Eu ainda tenho que tocar as partes do teclado. Então, decidimos pelo 'Kings' porque foi o primeiro disco do Rush que eu ouvi e tem 'Cygnus X-1', que sempre foi a minha música favorita. Pareceu ser bom para nós enfrentarmos, já que '2112' poderia ser um pouco óbvio", justifica.

Quando o grupo decidiu, afinal, levar a turnê adiante, Claypool entrou em contato com Geddy para falar sobre seus planos. "Eu mandei uma mensagem para ele— eu mantenho contato com Geddy — apenas para ter certeza de que não estávamos pisando em algo estranho. Ele ficou animado, achou que era uma ótima ideia", conta.

A morte do baterista Neil Peart, em janeiro, tornou a situação um pouco mais delicada. "Estamos tentando ser o mais sensíveis possível, para que não pareça que estamos apenas nos aproveitando tipo 'Ei, um super-herói morreu — vamos sair e fazer uma homenagem'. Eu sabia que ele estava doente há um tempo, mas não sabia até que ponto. Portanto, não foi uma grande surpresa, mas ainda é uma coisa que nos afeta muito. Quando seus heróis e amigos começam a deixar o planeta, você leva uma sacudida", diz Claypool.

A turnê A Tribute to Kings começa no dia 26 de maio no Texas e segue até 2 de agosto no Arizona. As bandas Wolfmother, The Sword e Battles vão se revezar nos shows de abertura.

Tags relacionadas:
EntretenimentoRockTurnê

Relacionados

Canais Especiais

Ícone do FacebookÍcone do TwitterÍcone do InstagramÍcone do YoutubeÍcone do DeezerÍcone do SpotifyÍcone do Pinterest