Samba Que Elas Querem: roda formada só por mulheres conquista público no Rio
Inspiração

Samba Que Elas Querem: roda formada só por mulheres conquista público no Rio

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A tão falada primavera das mulheres não se limita mais a uma estação. Ou espaço. “Lugar de mulher é onde ela quiser”, já diria a icônica frase símbolo de uma geração que não aceita mais caber onde aperta. Ela quer expandir. Do lugar mais improvável até aquele espaço que faz pensar: por que demorou tanto tempo para isso acontecer? É assim para quem acompanha a roda de samba carioca composta só por mulheres, batizada de Samba Que Elas Querem

O grupo é formado por oito musicistas: nos tambores, tamborins, pandeiros, viola e cavaco estão Angélica Marino, Bárbara Fernandes, Cecília Cruz, Duda Bouhid, Isabela Ciavatta, Júlia Ribeiro, Mariana Solis e Silvia Duffrayer. A ideia de se juntarem para fazer música surgiu de maneira informal, para comemorar o aniversário de uma delas. Mas, por trás disso, havia um desejo genuíno de protagonizar um espaço ainda pouco explorado por suas irmãs de luta. Apesar de não ser a única roda de samba do Rio de Janeiro com esse formato, não há como dizer que não são exceções. É só olhar para os bares.

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A presença feminina tocando instrumentos, aliás, sempre foi (muito) menor do que a presença à frente dos microfones. O que reforça ainda mais o simbolismo da roda em meio a um forte movimento político de construção e desconstrução do lugar da mulher na sociedade. Foi assim que o Samba Que Elas Querem surgiu. “A roda tomou uma proporção muito além do que a gente imaginava. As pessoas amaram demais e tivemos um encontro muito propício com esse momento de protagonismo feminino”, conta Silvia, pandeirista e cantora, responsável pela idealização da roda.

Silvia recorda que várias mulheres ajudaram a transformar o samba no que ele é hoje. Nomes como Jovelina Pérola Negra, Tias Ciata e Surica, Dona Ivone Lara, Clara Nunes e tantas outras moldaram a espinha dorsal do gênero e servem de inspiração para as próprias integrantes do Samba que Elas Querem, assim como para vários outros músicos, sambistas ou não. 

O grupo, que se apresenta em vários espaços da cidade, do berço do samba, em Madureira, ao Circo Voador, no coração boêmio da Lapa, completou um ano em agosto, angariando públicos cada vez maiores. E isso desde o começo. “A roda foi muito aceita, a gente vê as mesmas pessoas acompanhando, então o público fidelizou. As pessoas se sentiram representadas, à vontade de estarem ali naquele espaço”. Não à toa algumas das integrantes eram espectadoras e participantes eventuais, incorporadas ao grupo ao longo das apresentações, sentindo-se mais acolhidas numa roda só de mulheres.

Agora elas pretendem seguir em turnê, gravar em estúdio e explorar o mundo de possibilidades que as espera. Para fazer justiça a uma das inspirações do grupo, Clementina de Jesus,“sai de baixo, senão eu vou passar por cima": 

Samba Que Elas Querem: grupo quer sair em turnê / Foto: Divulgação
Samba Que Elas Querem: grupo quer sair em turnê / Foto: Divulgação

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