Selena Gomez cita Billie Holiday e Ella Fitzgerald como vozes inspiradoras e diz que Instagram está destruindo sua geração
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Selena Gomez cita Billie Holiday e Ella Fitzgerald como vozes inspiradoras e diz que Instagram está destruindo sua geração

Na semana em que lança seu novo álbum, "Rare", Selena Gomez fez um balanço de mais de uma década de carreira em uma longa entrevista à revista "Dazed". Respondendo a perguntas de colegas de trabalho, fãs e amigos, a cantora se revela uma das superstars mais normais de todos os tempos, fofa e sexy, fria e atenciosa, retrô e contemporânea — tudo ao mesmo tempo. Ela mesma diz: "É muito cansativo interpretar um personagem com algo tão pessoal quanto a música".

O lançamento de "Rare" surge quatro anos após o álbum "Revival", um período em que participou de duas continuações da animação "Hotel Transilvânia", dublando Marvis, e, mais recentemente, do longa "Os Mortos Não Morrem", de Jim Jarmusch, e "Um Dia de Chuva em Nova York", de Woody Allen. O companheiro de set Timothée Chalamet a provoca, perguntando com qual diretor do passado ou presente ela trabalharia, se pudesse escolher. De pronto ela respondeu Martin Scorsese, acompanhando uma reverência.

Selena Gomes durante as filmagens de "Um Dia de Chuva em Nova York", em 2017. Foto: Getty Images
Selena Gomes durante as filmagens de "Um Dia de Chuva em Nova York", em 2017. Foto: Getty Images

Já o diretor Jarmusch elogiou seu estilo vocal e puxou pelo assunto de influências musicais, perguntando se ela se espelharia em cantoras veteranas. "Eu amo a ternura suave dos vocais de épocas passadas. Eu me pego ouvindo Billie Holiday, Patsy Cline, Carole King e Ella Fitzgerald o tempo todo, especificamente por causa dos tons distintos de suas vozes", revela.

Voltando ao novo álbum, Selena diz que trabalhou duro para finalizá-lo. "Eu cheguei a pensar que ninguém iria gostar e minha carreira como cantora terminaria. Eu trabalhei tão, mas tão duro neste álbum! Estou feliz que esteja indo bem porque fiz tudo o que pude para torná-lo o mais pessoal e real", conta, destacando "Vulnerable" como sua faixa favorita. "Alguém disse que era o coração do álbum e isso foi um elogio para mim. Eu acho que é bastante auto-explicativa, mas sou eu dizendo que estou disposta a me doar mais, para que você possa lidar com o que sou e o que preciso como mulher, porque não vou aceitar nada menos que isso", diz.

Selena começou sua carreira na TV com personagens inocentes de "Barney & Friends" e "Os Feiticeiros de Waverly Place"; gravou os primeiros discos como o grupo Selena Gomez & The Scene para então seguir carreira solo e, rapidamente, chegar ao estrelato pop. Em meio a esse turbilhão de acontecimentos, a artista sempre foi honesta ao discutir seus problemas de saúde mental, sua luta com o lúpus e seu sofrimento até trazer um transplante de rim — doação de sua melhor amiga, Francia Raisa.

Em 2016, ela se tornou a pessoa mais seguida do mundo no Instagram — hoje são 167 milhões seguidores — mas, pouco tempo depois, não se importou em falar como o aplicativo era incompatível com um sólido senso de identidade. A fotógrafa Brianna Capozzi provoca e pergunta se existisse um botão para apertar e se livrar completamente do Instagram, se ela apertaria. "Oh, Deus! Eu acho que muitas pessoas não gostam de mim por dizer que sim. (risos) Se eu encontrasse um meio equilibrado e feliz, seria ótimo, mas estaria mentindo se dissesse que as mídias sociais estão destruindo parte da minha geração e sua identidade", afirma.

Em uma entrevista na época do lançamento do filme "Os Mortos Não Morrem", Selena, que tem 24,6 milhões de inscritos em seu canal do youtube e 59.800 milhões de seguidores no Twitter, disse ser impossível nesse momento tornar as plataformas de mídias sociais seguras para os usuários e orientou os jovens a fazer uma pausa, caso se sentissem sobrecarregados. "Para minha geração, especificamente, a mídia social tem sido terrível. Entendo que é incrível usar como plataforma, mas isso me assusta quando você vê como estão expostas essas meninas e meninos. Eu acho que é perigoso", ponderou.

Em relações a outras questões sociais, Selena tem se posicionado firmemente contra a política de Trump em relação a imigrantes. Tanto que é uma das produtoras da série "Living Undocumented", que estreou no final de 2019 na Netflix. Os documentários mostram o terror na fronteira dos EUA através de histórias reais de famílias inspiradas na imigração de sua própria família para os Estados Unidos. "Eu sempre sou muito sincera sobre minha formação, tanto quanto eu falo sobre imigração - se meus avós não tivessem atravessaram a fronteira ilegalmente, eu não teria nascido. Na série temos oito famílias e as pessoas vêm até mim na rua e perguntam se há alguma maneira de ajudá-las", conta.

Selena conta que um dos principais motivos para ter se envolvido com o projeto foi o de "humanizar meu povo". "É definitivamente assustador, mas acho que às vezes você precisa fazer coisas que assustam para agitar as pessoas. Eles estavam sendo chamados de alienígenas, criminosos, e eu nem consigo imaginar o que essas crianças sendo separadas de suas famílias estão passando. É algo que os traumatizará pelo resto de suas vidas. E isso precisa ser discutido", afirma.

Selena Gomes no lançamento da série "Living Undocumented" em outubro de 2019. Foto: Getty Images
Selena Gomes no lançamento da série "Living Undocumented" em outubro de 2019. Foto: Getty Images

Embaixadora da Unicef desde 2009, Selena conta sobre alguns momentos emocionantes que já viveu em missões humanitárias. "Uma delas foi no Chile, quando tirei fotos no meu telefone com umascrianças e mostrei a elas. Eles nunca tinham visto uma fotografia de si mesmas. Até a água tinha uma qualidade tão ruim que elas não conseguiam ver seus reflexos. Lembro que foi um momento tão agradável porque, é claro, estamos fazendo tudo o que podemos para ajudá-los — fornecendo água potável, educação, construindo escolas, hospitais — mas quando você lida direto com essas crianças, é diferente. Como jogar futebol com garrafas de plástico embrulhadas em elásticos e vê-las felizes. Não sou uma boa jogadora de futebol... mas posso fingir", brinca.

Mais uma prova do engajamento sério de Selena é quando ela responde à pergunta de Katherine Langford, atriz da série "13 Reasons Why", da qual Selena é produtora executiva, sobre o que ela gostaria de estar fazendo daqui a 10 anos. "Espero fazer mais filantropia, mantendo um equilíbrio saudável das coisas que gosto agora. Espero estar superfeliz e criar coisas boas para o mundo", diz a cantora.

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