Sheryl Crow volta com reforços para defender causas em seu ‘último’ álbum
Inspiração

Sheryl Crow volta com reforços para defender causas em seu ‘último’ álbum

A militância contra efeitos de mudanças climáticas e a oposição ao presidente Donald Trump inspiraram o novo álbum da cantora americana Sheryl Crow, que ainda reiterou a pretensão de encerrar sua carreira fonográfica com o atual álbum, “Threads”, gravado com dezenas de participações especiais.

Eric Clapton, Sting e Brandi Carlile se juntam a Sheryl na regravação de “Beware of Darkness”, de George Harrison. Já Keith Richards participa de “The Worst”, em que ele já cantava nos Rolling Stones, embora a tenha composto em parceria com Mick Jagger.

Sheryl Crow Keith Richards   KMazur WireImage
Sheryl Crow Keith Richards KMazur WireImage

James Taylor, Willie Nelson e até Johnny Cash participam em “Redemption Day” - música de Sheryl Crow que o falecido homem de preto gravara em 2003, tendo agora o registro de sua voz trazida para o dueto com a autora.

Sheryl Crow com CAsh SGranitz WireImage
Sheryl Crow com CAsh SGranitz WireImage

Em outras faixas, Sheryl Crow tem convidados bem diferentes, como o rapper Chuck D, do Public Enemy (em “Story Of Everything”), e duplas de outras cantoras (Stevie Nicks e Maren Morris em “Prove You Wrong”; Bonnie Raitt & Mavis Staples em “Live Wire”) - todas essas três de autoria de Sheryl com outros parceiros.

Já foi lançado o vídeo de “Still The Good Old Days”, com participação do guitarrista Joe Walsh (James Gang, Eagles), participante e coautor da música com a própria Sheryl Crow.

Também há convidados de gerações mais novas, como a cantora Anne Clark, também conhecida por St. Vincent (foto abaixo), de 37 anos (duas décadas mais nova do que Sheryl Crow), que participa com ela de “Wouldn’t Want To Be Like You”, inspirada em (aliás, contra) Donald Trump, a quem a cantora se opõe especialmente por ele constantemente negar as teses de mudança climática.

Sheryl Crow St Vincent
Sheryl Crow St Vincent

“Bem, todas as coisas óbvias que você pode pensar de estar na América, particularmente durante a campanha presidencial, inspiraram [a canção]”, afirmou Sheryl ao New Musical Express, da Inglaterra, onde se apresenta na sexta-feira (28), no tradicional festival de Glastonbury.

“Obviamente, a importância da verdade na América passou direto pela janela - o fato de que nossa imprensa livre está sendo atacada por nosso próprio presidente. E a outra coisa é ser mãe. Eu sou mãe de dois meninos e, como qualquer outra mãe ou pai, estou constantemente batendo na cabeça deles sobre dizer a verdade e tratar as pessoas com empatia e compaixão. E, no entanto, tudo o que você vê agora, predominantemente na América, é contrário a isso ”, afirmou a cantora e compositora, que volta a Glastonbury depois de 22 anos - sua última vez havia sido no festival em 1997.

Durante a entrevista, o "NME" lembrou de outra tour de Sheryl Crow nesse meio tempo - foi em 2007, quando excursionou por campi universitários para divulgar dados sobre mudança climática.

Sheryl Crow Michael Hickey Getty Images
Sheryl Crow Michael Hickey Getty Images

“Infelizmente eu acho que há uma grande população de pessoas que querem acreditar que a mudança climática é um produto do clima cíclico. Porque os líderes em quem elas acreditam estão dizendo isso - principalmente por conveniência para eles e seus bolsos -, tantas pessoas estão comprando essa versão”, lamenta Sheryl Crow. “Eu acho que estamos chegando ao ponto agora, onde vamos gastar muito mais dinheiro tentando desfazer o que tivemos a oportunidade de fazer anos atrás e não fizemos ”, acrescenta a autora de “A Change Will Do You Good” (“Uma Mudança Lhe Faria Bem”), em parceria com Jeff Teott e Brian MacLeod.

“Eu acho que… nós temos que tirar esse cara do cargo. em sido interessante com o Trump. Para mim, é uma questão de saber se é seu fanatismo ou se é competitividade, mas ele entrou e desfez tudo de bom que Obama fez. E acho que Obama foi muito bom em relação ao clima”, prossegue Sheryl Crow, sobre o atual presidente americano.

Sheryl Crow Donald Trump Mark Wilson Getty Images
Sheryl Crow Donald Trump Mark Wilson Getty Images

“Acho que quanto mais inconveniente o clima se torna - quando começamos a ver nossos litorais a cinco a seis polegadas abaixo da superfície - as pessoas começarão a reconhecer o fato de que isso não é brincadeira. Eu me ressinto porque tenho filhos pequenos e eles já estão me fazendo as perguntas difíceis como 'vamos morrer?'. Você sabe, eu lembro de fazer aos meus pais essas perguntas sobre a guerra nuclear e a bomba atômica. É tão pessoal agora que mal posso aguentar”, diz.

Sheryl Crow também cita os filhos, de 12 e 9 anos, para afirmar que não se preocupa em relação ao legado musical, embora ainda sinta frisson por tocar músicas como “My Favourite Mistake”, após todos esses anos. “Principalmente porque agora sou mãe. Você sabe o que eu quero dizer? Eu sinto como agora eu tenho o meu segundo fôlego e tenho muito mais bons anos em mim. Meu objetivo principal agora é tentar fazer algo que melhore suas vidas”.

Ao reafirmar que pretende encerrar a carreira fonográfica com “Threads”, mas “continuar fazendo música”, Sheryl Crow diz que se sente fora do music business atual, “voltado para artistas de 30 anos ou menos, mas que “há uma libertação nisso”, entretanto.

Honestamente, sinto que não faço parte da indústria da música hoje”, admite Sheryl Crow. “Ela gira em torno das mídias sociais e da autopromoção e é muito diferente de quando eu comecei, quando me envolvi em entrar em uma van e montar seu próprio equipamento e esperar que seu público crescesse ao longo do tempo para que algum dia você tivesse uma ônibus”, compara.

Sheryl Crow Stevie Nicks Chelsea Lauren WireImage
Sheryl Crow Stevie Nicks Chelsea Lauren WireImage

“Eu acho que ‘Threads’ mais do que provavelmente será meu último álbum. Estou realmente em paz com isso. Eu amei minha carreira, não sinto que minha carreira acabou, mas sinto que as coisas mudaram muito drasticamente. Eu adorei fazer discos, eu adorei produzir, mas sinto que pelo amor e pelo tempo e a emoção que criam uma declaração artística, um trabalho completo, que agora com pessoas de tecnologia meio que apenas cereja Escolha músicas, e parece meio fútil para mim. E isso pareceu o projeto certo para sair: um projeto que é uma linha do tempo desde os meus primeiros anos até agora e até mesmo no futuro”, afirma Sheryl Crow, ressaltando a parceria recente com Stevie Nicks (com ela, acima), a quem cita como “uma inspiração monumental na minha vida. A voz que me colocou em movimento tanto quanto minhas próprias composições e quem eu me via como e queria ser”.

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