Sinéad O’Connor tenta retomar carreira depois de quatro anos sem dar shows, convertida em 'Imelda Marcos dos hijabs'
Entretenimento

Sinéad O’Connor tenta retomar carreira depois de quatro anos sem dar shows, convertida em 'Imelda Marcos dos hijabs'

Sinéad O’Connor passou por poucas e boas nos últimos anos. "Eu não sabia que existiam sete infernos, mas existem, eu os vi”, afirmou a cantora irlandesa em entrevista ao “Independent” da Irlanda. Uma endometriose crônica abalou sua saúde e a obrigou a remover uma parte do útero em 2015. A operação a fez passar por uma menopausa cirúrgica que mexeu com seus hormônios. "Tem uma música do Muddy Waters que diz 'se eu não enlouquecer eu acho que vou perder a cabeça', foi um pouco disso. Eu não estava quimicamente maluca, mas eu estava maluca por causa da situação e das coisas que estavam acontecendo.” Agora, ela quer se restabelecer. Convertida ao islamismo — ou melhor, “revertida”, segundo ela mesma —, ela adotou um novo nome, Shuhada Sadaqat, e planeja lançar dois álbuns simultâneos, de covers, em breve, além de fazer shows.

"Eu ainda queria ter milhões de libras. Recebi uma carta da minha gravadora dizendo que eu não vou ganhar dinheiro com royalties por 20 anos. Então é muito importante que eu possa fazer shows”, afirmou Sinéad. O novo nome é apenas em sua vida pessoal. Nos palcos e no dia a dia da música, ela ainda é Sinéad. As duas “personalidades” também se mostram no quesito figurino. Em casa, ela usa a hijab, o véu usado por mulheres muçulmanas. A vestimenta vai ficar de fora quando ela voltar a se apresentar ao vivo.

Sinéad em uma das últimas aparições ao vivo, em janeiro de 2016, com Buddy Guy/Paul Natkin/Getty
Sinéad em uma das últimas aparições ao vivo, em janeiro de 2016, com Buddy Guy/Paul Natkin/Getty

"Um muçulmano acredita que nada deve ser alvo de adoração, a não ser Deus. Isso é algo em que eu acredito. Eu tenho estudado teologia desde criança e eu evitei o islamismo porque tinha os mesmos preconceitos que todo mundo tem sobre isso." Ela tem um armário cheio de hijabs, que compra na Amazon. "Eu sou a Imelda Marcos das hijabs", brinca, em referência à ex-primeira dama das Filipinas conhecida por colecionar sapatos. A cabeça, ela diz, segue raspada.

Eu sou a Imelda Marcos das hijabs

Os anos difíceis de Sinéad lhe renderam uma certa desconfiança por parte dos promotores de shows. Embora ela possa ter recuperado o equilíbrio de sua vida, por ter cancelado uma série de shows durante seus períodos ruins, os agentes do setor passaram a ficar relutantes em agendá-la. "Eu tive que pagar um preço muito caro. Eu não trabalho há quatro anos. A indústria da música é muito cruel se eles acham que você cancelou por questões de saúde mental, apesar de eu ter tido razões ligadas a minha saúde física e à saúde do meu filho. As pessoas não acreditam que você vai aparecer mesmo que você tenha aparecido em 99,9% das vezes.”

Sinéad, metamorfose ambulante, em 2014/ Getty/Bobby Bank
Sinéad, metamorfose ambulante, em 2014/ Getty/Bobby Bank

Na entrevista, ela também comentou sobre o vídeo que gravou em 2017 afirmando estar com sentimentos suicidas. Ela diz que fez as imagens em um motel onde morava temporariamente, em Nova Jérsei, para chamar a atenção de alguém que pudesse ajudá-la. "Eu estava bastante racional em meio a minha loucura. E tinha uma pedra no rim também, e você faz qualquer coisa quando tem uma pedra no rim."

Sinéad em 1988/ Getty/Franz Schellekens
Sinéad em 1988/ Getty/Franz Schellekens

É difícil não se impressionar com a resistência de Sinéad depois de tudo o que ela enfrentou nesses últimos anos. Para contar sua própria história, ela prepara um livro de memórias. Se muitos podem achar que suas frases tangenciam a loucura, talvez a loucura de Sinéad faça sentido. "Eu tenho tentado fazer tudo como se eu tivesse 18 anos de novo. É hora para um novo capítulo em minha vida. Eu só quero voltar ao trabalho", diz. “Certo ou errado, um monte de coisa aconteceu e houve razões para isso. Eu acho que se eu não tivesse passado por tudo aquilo, eu não estaria aqui viva hoje. Eu sou grata por estar viva."

Relacionados

Canais Especiais

Ícone do FacebookÍcone do TwitterÍcone do InstagramÍcone do YoutubeÍcone do DeezerÍcone do SpotifyÍcone do Pinterest