Slayer,  a caminho do Rock in Rio, se despede com legado: uma banda autêntica por toda a carreira
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Slayer, a caminho do Rock in Rio, se despede com legado: uma banda autêntica por toda a carreira

Bandas vêm e vão, mas algumas chegam, marcam seu lugar na cena e mudam o jogo. Já outras seguem um caminho alternativo. Preferem privilegiar um som mais popular, ou se entregam a experimentos e reinvenções — nada contra. Nada disso, entretanto, aconteceu Slayer, grupo que está há 40 anos na estrada e passa com sua turnê de despedida pelo Rock in Rio, no dia 4 de outubro, no Palco Mundo.

"O Slayer é uma banda assustadora para muitas pessoas. Isso nunca mudou em quatro décadas. Eles têm esse diferencial", declarou Gerardo Martinez, do Nuclear Blast, selo que cuidou do último álbum de inéditas do grupo, "Repentless", de 2015. "O Slayer continua superofensivo e aterrorizador em 2019. Isso mostra que eles fizeram um trabalho muito bem feito ao longo dos anos."

O Slayer é um dos "quatro grandes" gigantes do metal. Não há dúvida disso, ainda mais após a turnê junto do Metallica, Megadeath e Anthrax entre 2009 e 2010. Acontece que, diferentemente de seus pares, a banda não chega a ser um sucesso retumbante de bilheteria. Nem por isso, porém, cogitou tornar-se mais palatável ou fez concessões para atingir um público maior. Os caras são fiéis ao estilo que representam — mais "sangue, coragem e satanismo" do que "sexo, drogas e rock n' roll".

Kerry King, 55 anos, é o guitarrista do Slayer/Getty Images
Kerry King, 55 anos, é o guitarrista do Slayer/Getty Images

"Isso não tem nada a ver com mística, mas com narrativa", explicou Rick Sales, empresário da banda, ao "Poll Star". "Jeff Hanneman (membro fundador da banda, morto em 2013) era um grande fã de história, particularmente aquelas sobre guerras e conflitos. A canção que melhor representa isso é 'Angel of Death', faixa do disco 'Reign in Blood', de 1986."

O conteúdo das letras do Slayer é tão controverso e mal interpretado que, em determinado momento, a gravadora Columbia Records se recusou a distribuir o primeiro disco da banda, que acabou saindo pela Def Jam. O grupo também já foi expulso do Madison Square Garden, em Nova York, por um incidente envolvendo os assentos da casa de show. "Os fãs estavam usando o apoio do assento como frisbees", contou Rick. "O promoter do local me encontrou e pediu para que o show parasse. Eu apenas respondi: 'Você está louco?'"

"Os fãs, basicamente, destruíram o lugar. O MSG não foi o único local que baniu a banda de tocar", observou Scott Sokol, Pinnacle Entertainment, empresa que representa o Slayer há 20 anos. Em 2017, entretanto, o grupo voltou a tocar na casa de show de Nova York, e a recepção do público foi totalmente diferente. "Foi um show fantástico, as pessoas estavam loucas, esperando algo miraculoso acontecer. Mas agora é diferente, os fãs são mais respeitosos", completou.

Mais respeitosos, mas nem por isso menos empolgados. Na apresentação de despedida do Rock in Rio, o Slayer provará, mais uma vez, porque é uma das bandas mais importantes da cena rock n' roll. "O grupo quer deixar um legado", afirmou Kristen Mulderig, que trabalha ao lado de Rick. "Mesmo não gravando mais discos, eles ainda têm muito trabalho a fazer. Querem que o Slayer viva, mesmo depois o fim.". Se depender dos fãs, isso vai acontecer.

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