Spotify, 10 anos: como o serviço de streaming mudou a música
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Spotify, 10 anos: como o serviço de streaming mudou a música

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Dez anos depois de sua criação, não é exagero dizer que o serviço de streaming Spotify mudou a cara da música e da indústria fonográfica. Foi ele que popularizou a assinatura de música digital e que lentamente vem fazendo as pessoas desapegarem de suas coleções de CDs para ouvir músicas no celular. Compatível com a maioria dos aparelhos digitais (não apenas celulares, mas também TVs, computadores, consoles de videogame e sistemas de som), a empresa criada pelos suecos Daniel Ek e Martin Lorentzon em 2006 passou dois anos em desenvolvimento até lançar seu produto gratuitamente no dia 7 de outubro de 2008.

De lá para cá, o Spotify tornou-se o equivalente musical da Netflix: um serviço de assinaturas que não apenas virou sinônimo do próprio mercado em que atua, como estabeleceu-se como uma das principais marcas desta segunda década do século. São 180 milhões de usuários em 65 países, sendo que mais de 80 milhões de seus clientes já assina para não ouvir os anúncios comerciais, enfiados tímpano abaixo para o ouvinte que não paga a taxa mensal (que também não pode ouvir as músicas na ordem que deseja, vivendo a vida em shuffle). 

Embora esteja longe do domínio mundial (praticamente não há países africanos ou asiáticos em seu mercado de atuação), é o player de música mais bem sucedido no mundo e a quantidade de plays que um artista consegue no serviço é hoje mais importante do que a quantidade de CDs vendidos.

Não era uma ideia nova. Um serviço de música online por assinatura que permite você ouvir a todas as músicas do mundo já tinha sido previsto por Frank Zappa no início dos anos 1980, que anteviu a crise da indústria fonográfica com a popularização da música digital e cogitou esta opção numa época em que computadores pessoais ainda não fazia parte do dia-a-dia e nem existia world wide web. Foi tachado de excêntrico, como na maioria de suas criações. 

Os criadores do próprio Napster, o primeiro software de compartilhamento de música digital, que se popularizou na virada do século, tentaram negociar a sobrevivência de sua empresa oferecendo seus préstimos às grandes gravadoras que os processavam por ter permitido o acesso gratuito (e ilegal) às músicas que existiam nos computadores das pessoas, mas foram ignorados e o processo os levou à falência. 

A solução de um serviço de assinatura que faria as pessoas pararem de baixar MP3 ilegalmente só pelo conforto de não ter que lidar com programas e sites desconhecidos, ou aprender a usar torrents ou velhos softwares P2P já era alardeada desde a década passada. Mas foi o Spotify que conseguiu se equilibrar melhor entre questões tecnológicas e legais, mudando sempre sua interface e negociando diretamente com editoras e gravadoras.

Com isso, o serviço mexeu na base da música pop do século passado. Apresentou o conceito de playlists como nova moeda de troca, ultrapassando discos e singles. Estes ainda estavam lá, mas os ouvintes do Spotify foram aos poucos sendo induzidos a seguir listas de músicas que às vezes eram organizadas por artistas ou gêneros musicais (como nas lojas de disco do passado), mas também por emoções, sensações ou afinidades. “Músicas para ouvir na estrada”, “músicas para ouvir na academia”, “músicas para relaxar”. 

Ao mesmo tempo, surgiam novos personagens — os curadores de playlist, alguns deles tão populares quanto DJs de rádio na época de ouro desta mídia (e alguns acusados de receber dinheiro para colocar artistas para tocar — igualzinho ao jabá do rádio).

O Spotify também ajudou artistas a explodir globalmente. De uma hora pra outra, era possível ouvir em diversos pontos do planeta uma música nova, um disco recém-lançado, o single que todo mundo estava falando. Foi assim que nomes como Dua Lipa, Ed Sheeran, Sam Smith, Nicki Minaj, Drake, Khalid, Imagine Dragons, Ariana Grande e Sia viraram fenômenos globais.  Da mesma forma que gêneros que, sem uma plataforma como essa, ficariam restritos aos seus países de origem, como o K-pop coreano e o funk paulista. 

O aplicativo ainda foi alvo de críticas de nomes tão diferentes quanto Taylor Swift e Radiohead, que inicialmente não colocaram seus discos no serviço, mas logo cederam à sua onipresença. A mais notável exceção segue sendo Beyoncé, cujo "Lemonade" certamente seria o disco mais ouvido da década caso não estivesse preso à plataforma digital criada por seu marido, Jay-Z — o Tidal, concorrente direto do Spotify.

Após a primeira década de sucesso, fica a pergunta: será que o programa ainda aguenta outros dez anos, na velocidade em que as coisas precisam mudar atualmente? Será que conseguirá conter o avanço do YouTube, que acaba de lançar seu serviço de assinatura de música? Há muito ainda o que melhorar, desde o catálogo às fichas técnicas dos álbuns, mas o aplicativo segue conquistando terreno e afirmando-se cada vez mais como o principal player de música digital do mundo.

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