Stewart Copeland lembra amizade com Neil Peart: 'Eu só queria que ele estivesse aqui'
Entretenimento

Stewart Copeland lembra amizade com Neil Peart: 'Eu só queria que ele estivesse aqui'

Stewart Copeland está passando seus dias compondo em seu estúdio. Isolado em Los Angeles, lamenta a morte de 70 mil "vizinhos" e diz que não se sentirá à vontade para fazer shows antes de surgir uma vacina contra o Covid-19. O ex-baterista do Police lembra ainda da grande amizade com o também baterista Neil Peart, do Rush, e de como sua morte o afetou.

"Ele era realmente um bom amigo e um personagem único", definiu Stewart Copeland, em entrevista à "Rolling Stone". O baterista do Rush, que morreu dia 7 de janeiro aos 67 anos, em decorrência de um tumor no cérebro, frequentava o estúdio Sacred Grove, de Stewart Copeland, geralmente acompanhado por Danny Carey, baterista do Tool. E Stewart adorava ir ao Hallowed Bubba Cave (uma garagem onde Neil Peart tinha uma coleção de carros em Santa Monica) para ficar jogando conversa fora sobre os modelos.

Stewart Copeland está compondo em seu estúdio em Los Angeles. Foto: Getty Images
Stewart Copeland está compondo em seu estúdio em Los Angeles. Foto: Getty Images

Stewart se diverte lembrando de como o amigo se comportava quando estava em seu estúdio. "Geralmente, todo mundo que chega aqui diz: 'Uau, saxofone! Eu nunca toquei saxofone!' Porque eu tenho a maior coleção do mundo de instrumentos baratos. Eu tenho um de tudo: tuba, saxofone barítono, violoncelo, tímpano... Para a maioria dos músicos é como uma loja de doces. Mas para Neil, não. Ele chegava, ficava atrás da bateria comandando tudo enquanto durasse", conta ele.

Aliás, é no Sacred Grove que Stewart tem passado a maior parte do tempo. "Eu terminei uma ópera para a German National Opera, que foi adiada e será lançada em agosto de 2021", conta ele, que também anda trabalhando para a Police Deranged for Orchestra, projeto onde as músicas de sua antiga banda vão ganhar novos arranjos orquestrais. Pouco antes da pandemia, ele estava em turnê com a Oysterhead, sua banda com Les Claypool, baixista do Primus, e Trey Anastasio, do Phish.

Questionado sobre o futuro do mercado musical e se faria shows antes do surgimento de uma vacina, o músico é categórico e diz que não. "Eu amo tocar, mas não posso usar a palavra 'tragédia'. Uma tragédia é a morte de tantas pessoas. O fato de eu não poder me apresentar na frente de muitas pessoas é uma decepção. É realmente o sentido da vida para todos os músicos, mas na verdade não é a força vital. Fazer música, sim, e fazer música com outros músicos, também", opina.

Quando Neil morreu, Stewart conta que sentiu um certo alívio, porque a doença era um processo muito doloroso. Mas, ao mesmo tempo, diz que demorou a aceitar sua partida. "Em um determinado momento da doença, ele disse: 'Olha, já passou um ano da minha data de validade. Ainda estou aqui'. E então outro ano se passou. Quando ele morreu, meu primeiro pensamento foi o de que ele teve uma vida incrível. Que ótima maneira de se despedir — ele viu o trem chegando e conseguiu um assento de primeira classe", compara. Só que pouco depois, a "ficha caiu", e Stewart se deu conta que não poderia mais falar com o amigo. "Comecei a sentir falta dele e só queria que estivesse de volta. Tipo, 'Isso foi muito legal, Neil! Uau! Você realmente fez isso lá, amigo! OK, você pode voltar agora' E essa é a parte que fica comigo. Eu só queria que ele estivesse aqui", lamenta.

O último encontro entre os dois foi no aniversário de Neil, em setembro de 2019. "Ele ainda tinha sua dignidade e dava a impressão de que estava gostando de ainda estar aqui, mas era visível que a doença estava começando a cobrar seu preço. Passou de não ótimo a muito ruim rapidamente. Socialmente, ele ainda era Neil. Lembro que ele disse: 'Não voltarei a usar minhas motos e a tocar bateria novamente'. Essas era grandes decepções para ele, mas ele ainda estava feliz por estar aqui", observa Stewart.

Se publicamente Neil parecia uma pessoa seca e quieta, entre amigos ele se soltava. Stewart conta que uma das coisas que ele detestava era ser bajulado. "Era uma de suas peculiaridades mais estranhas, a de não gostar de receber elogios. Externamente, suponho, ele era sombrio, mas essa aspereza apenas tornava sua inteligência mais penetrante", diz.

Relacionados

Canais Especiais

Ícone do FacebookÍcone do TwitterÍcone do InstagramÍcone do YoutubeÍcone do DeezerÍcone do SpotifyÍcone do Pinterest