Sting canta e atua em musical inspirado no lugar onde cresceu, mas rejeita contar a vida em filme biográfico
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Sting canta e atua em musical inspirado no lugar onde cresceu, mas rejeita contar a vida em filme biográfico

Parece que a onda de cinebiografias milionárias como "Bohemian Rhapsody" e "Rocketman" não faz a cabeça de Sting. "Absolutamente não", diz, firme, diante da possibilidade de uma produção cinematográfica a seu respeito. "Estou contando minha história de uma maneira artística", diferencia, referindo-se ao musical "The Last Ship", que estreou em 2014 na Broadway e agora está cumprindo temporada em Los Angeles.

A versão de "The Last Ship", que fica em cartaz no Ahmanson Theatre até 16 de fevereiro, é diferente da indicada ao Tony que esteve na Broadway. Sting escreveu a música e as letras e interpreta o capataz de um estaleiro de Newcastle na história baseada em sua infância em uma sombria cidade da Inglaterra. "'The Last Ship' é uma metáfora. Esta é uma história sobre mim e estou nela de várias maneiras — provavelmente mais do que pretendia. Mas o personagem que estou interpretando é construído inspirado em pessoas como meu pai, tios, pessoas com quem fui criado. É assim que eu quero fazer, em vez de alguém dizer: 'Qual é o arco da vida de Sting?' Ainda não terminei!, disse ele em entrevista ao "The Hollywood Reporter".

Sting durante ensaio do musical 'The Last Ship' em Los Angeles. Foto: Getty Images
Sting durante ensaio do musical 'The Last Ship' em Los Angeles. Foto: Getty Images

Mas ao mesmo tempo que não gosta da ideia de uma cinebiografia, Sting não descartou uma adaptação cinematográfica para "The Last Ship". "Eu sempre faço filmes por acidente. Acabei de fazer uma comédia na França, falando francês. Eu gosto de fazer filmes, então, sim, eu faria mais. E isso poderia ser um filme? Claro, há uma qualidade épica, você sabe, o tamanho dos navios e estaleiros e milhares de homens e mulheres trabalhando... Ele tem uma qualidade cinematográfica. Então, eu espero que, estando em Hollywood, alguém vá ao musical e diga: 'Ah, isso fará um bom filme'", disse ele, que já participou de filmes como "Duna" e "Quadrophenia".

Na entrevista, Sting contou sobre esses primeiros anos de vida que serviram de inspiração para o espetáculo. "Eu venho de uma pequena cidade no nordeste da Inglaterra famosa por seus estaleiros. Construímos as maiores embarcações do planeta, e isso tudo bem no final da minha rua. Então, era um tipo de ambiente industrial surreal e épico, mas que eu não me atraía. Era uma ideia assustadora terminar no estaleiro como meu pai e meu avô e eu sempre pensava 'não quero isso'", disse, destacando que essa vontade de fugir de sua origem acabou sendo um presente. "Mais tarde percebi que a comunidade em que fui criado me deu a noção de quem eu sou e também foi o motor da minha ambição de escapar. A história deles não tinha sido contada, portanto, acho que o musical funciona como uma homenagem", disse Sting, que atualmente divide seu tempo entre Londres, Nova York e Itália.

Estrear na Broadway não foi tão fácil como poderia parecer para um musical com a assinatura de Sting. Por se tratar de um assunto sério com música original, os produtores ficaram receosos. "Você sabe, eles costumam fazer contos de fadas ou adaptações da Disney. Por isso, tivemos problemas para vender ingressos e os produtores disseram: 'Você tem que entrar na peça'. Eu não tinha intenção, mas concordei e acabei ficando muito feliz porque eu sentia que poderia fazer e, além disso, foi divertido. Embora o assunto seja sério, é realmente muito divertido", contou ele que, nos anos 1980, participou de uma montagem na Broadway de "A Ópera dos Três Vinténs".

Sting revela que, quando escreveu o personagem de "The Last Ship", era para um intérprete barítono. "Eu não escrevi para mim, sou tenor. Então, estou explorando os registros mais baixos da minha voz, que normalmente não são explorados nos meus shows", explica.

Mesmo com as incursões de sucesso no cinema e no musical, Sting faz questão de reiterar que é músico. "Minha intenção sempre foi ser músico, é isso que está escrito no meu passaporte. Eu levo minha profissão muito a sério portanto, a fama e os aborrecimentos provenientes dela são secundários. Eu ando por toda parte, onde quer que seja, sozinho. Não tenho uma comitiva e as pessoas são muito respeitosas", contou.

A separação do Police também foi um dos assuntos abordados na entrevista e Sting fez questão de dizer que ele, Andy Summers e Stewart Copeland são amigos. "Tudo o que nos propusemos a fazer como banda alcançamos cem vezes. Depois desse patamar, os retornos são decrescentes em termos de satisfação. Eu acho que uma banda é como uma gangue de rua, de adolescentes. Você não pode realmente evoluir como ser humano em uma banda porque está constantemente sendo atraído para o jogo. Portanto, não há liberdade", afirmou Sting, dizendo que os ex-companheiros "estão chegando na semana que vem para assistir". "Nós brigamos antes como cães e gatos quando éramos uma banda, porque era como uma coisa fraternal. Desfruto da liberdade que tenho agora para fazer exatamente o que escolho. Sigo minha curiosidade, meu instinto. Eu não preciso parecer com o resto da banda, pensar da maneira que eles fazem", destacou.

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