Streaming para DJs: uma tendência inevitável está prestes a revolucionar o mundo da música
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Streaming para DJs: uma tendência inevitável está prestes a revolucionar o mundo da música

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Uma verdade histórica: todo DJ precisa ter uma vasta coleção de músicas. Só mudaram os formatos do acervo ao passar dos anos; primeiro eram os vinis, depois os CDs, e hoje arquivos digitais estocados em HDs e pendrives. Mas no que depender da Beatport, a principal loja virtual de música especializada em dance music e eletrônica em geral, essa história está para acabar. 

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Com o serviço Beatport LINK, lançado há alguns dias, DJs poderão fazer uma assinatura (não muito diferente do Spotify Premium) e ter acesso a todo o acervo de faixas da Beatport via streaming, incluindo músicas exclusivas e não disponíveis para download. Com isso, será possível a qualquer um “atacar de DJ” sem possuir sequer um único disco.

Com o novo serviço, qualquer um pode ser DJ. Crédito: Unsplash
Com o novo serviço, qualquer um pode ser DJ. Crédito: Unsplash

As consequências dessa virada para o streaming serão sentidas em toda a indústria da dance music. Hoje, a Beatport obtém quase toda sua receita por meio de downloads pagos, vendendo faixas para DJs profissionais. Mas trata-se de um modelo de negócio em declínio. Ao partir para o esquema de assinaturas de streaming, a empresa espera ter os mesmos resultados que as grandes gravadoras conseguiram ao se aliar ao Spotify e outros serviços de música online.

Entrevistados pelo site Pitchfork.com sobre o movimento da Beatport, DJs, produtores e empresários admitiram que se trata de uma tendência inevitável. E que todos precisam se preparar para os impactos. “O novo serviço é voltado às pessoas que têm um equipamento básico e gostam de fazer festinhas em casa para os amigos. Há um grande mercado aí para as gravadoras”, reconhece Sam Barker, produtor musical e sócio do selo alemão Leisure System.  Já o inglês Paul Rose, proprietário da gravadora Hotflush, opina: “O novo cenário vai ter vencedores e perdedores, e nós temos que achar um jeito de vencer. O streaming para DJs é uma realidade. Ficar reclamando não adianta”.

Streaming para DJs já é uma realidade. Crédito: Unsplash
Streaming para DJs já é uma realidade. Crédito: Unsplash

A passagem para o modelo de streaming trará complicações extras para os músicos que produzem as faixas usadas pelos DJs. Há o risco de que o formato de assinaturas “canibalize” as receitas geradas com as vendas de faixas online. “Muitos artistas independentes não estão preparados para essa mudança”, diz Melissa Taylor, fundadora da agência Tailored Communication, especializada em divulgação de artistas de dance music. “As plataformas de streaming não se interessam muito por artistas pequenos. Nosso poder de barganha é mínimo.” Para John Berry, um dos diretores da gravadora alemã de techno Kompact, há um problema estrutural com a remuneração dos artistas no cenário do streaming: “Creio que nenhum produtor tem recebido valores justos por seu trabalho. Todo o panorama é muito desfavorável para os artistas”.

A definição de “valores justos” depende do quanto os DJs realmente vão pagar para tocar as músicas do catálogo da Beatport. Downloads pagos variam, em média, de US$ 0,99 a US$ 2,49 por faixa, uma realidade não aplicável ao streaming. Seria justo cobrar mais dos DJs profissionais, que usam as músicas em seus sets e não raro obtém altos cachês com suas performances? O Beatport LINK conta com três categorias de assinatura para refletir essa realidade. O plano básico (US$ 14,99 por mês) oferece apenas streaming de arquivos em baixa qualidade, inadequados para casas noturnas. Dois planos mais caros (Pro, US$ 39,99, e Pro+, US$ 59,99) disponibilizam som de qualidade superior, integração com equipamentos profissionais e a possibilidade de fazer downloads para execução off-line.

O novo serviço oferece categorias diferentes para DJs profissionais e amadores. Crédito: Unsplash
O novo serviço oferece categorias diferentes para DJs profissionais e amadores. Crédito: Unsplash

Heiko Hoffman, um dos diretores da Beatport, garante que o LINK não vai destruir o negócio de vendas de downloads: “Não faria sentido para nós investir em um produto que interferisse com nosso principal negócio. A ideia é gerar receitas adicionais, não substituir uma coisa pela outra”. Para os artistas, a coexistência dos dois formatos – download e streaming – é fundamental, como lembra Melissa. “É preciso um número extremamente alto de streamings para compensar a perda de receita com uma faixa que deixa de ser vendida. Vai ser difícil saber antecipadamente quanto os artistas podem ganhar ou perder com o sistema de assinaturas”, ressalta.

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