‘Stupid Love’: por que o texto da ex do atual namorado de Lady Gaga é importante
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‘Stupid Love’: por que o texto da ex do atual namorado de Lady Gaga é importante

A história parece sinopse de comédia romântica moderna: depois de sete anos de um relacionamento que começou na faculdade, você e seu namorado terminam e ele te bloqueia no Facebook, mas ainda te segue no Instagram. Tempos depois, é segunda-feira e você está no trabalho pronta para mais uma semana, quando seus amigos começam a te bombardear com mensagens e ligações: seu ex-namorado está em um relacionamento sério com ninguém menos que uma das maiores estrelas da música pop no mundo, Lady Gaga.

“Pode rir se você quiser. Todo mundo que eu conheço riu”, escreveu Lindsay Crouse, editora do caderno de Opinião do “New York Times”, personagem principal dessa história, em um artigo publicado na última quinta-feira no jornal. A situação inesperada aconteceu com ela logo depois do Super Bowl LIV, em fevereiro, quando a cantora de “Stupid Love”, single lançado nesta sexta-feira, apareceu publicamente pela primeira vez com o empresário Michael Polansky, seu novo namorado e ex de Lindsay.

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Com o subtítulo “como você se compara a uma das mulheres mais famosas do mundo?”, o artigo escrito pela jornalista poderia descambar para mais um enredo sobre mulheres colocadas em situação de disputa por causa de homens. Mas o ano é 2020 e — apesar de bastante possível dentro dos cenários político-sociais da atualidade — isso não aconteceu. Lindsay aproveitou a história pessoal para falar, mesmo que indiretamente, sobre sororidade.

“Lady Gaga é incrível. Comparar-se a ela é incrivelmente motivacional, e eu recomendo que você tente, independentemente de como você se relaciona com o namorado dela. Pelo menos, foi o que eu fiz”, sugeriu a jornalista no texto.

Lindsay Crouse e a cineasta grega Daphne Matziaraki, em foto de 2017 / Foto: Getty Images
Lindsay Crouse e a cineasta grega Daphne Matziaraki, em foto de 2017 / Foto: Getty Images

A sociedade historicamente coloca mulheres em constante situação de competição. Sem uma reflexão pessoal profunda, muitas de nós acabam aceitando que isso é realmente algo que deve ser feito. A escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie tem um bom discurso sobre o assunto — sim, aquele que se popularizou na faixa “Flawless”, de Beyoncé:

“Nós educamos meninas para que elas se vejam como competidoras, não por cargos ou realizações, o que pode ser algo bom, mas pela atenção dos homens”, escreveu. A frase é parte da palestra “We should all be feminists” (“Sejamos todos feministas”), disponível no “TedxTalk” e publicado pela Companhia das Letras.

“A questão é que Lady Gaga está vivendo a vida ambiciosa que continuamos dizendo que as mulheres devem adotar. Uma citação dela que eu lembro de ter lido, provavelmente no Instagram, diz: ‘Nunca deixe ninguém no mundo dizer que você não pode ser exatamente quem você é’. É muito fácil envelhecer e considerar que você fez o melhor possível, aproveitou ao máximo — e até mesmo se tornar um pouco complacente com isso. Mas se Lady Gaga pode fazer o que ela quer, e até expandir os desejos dela, por que eu não? Por que não permitir que a ideia de ser ‘exatamente quem eu sou’ signifique tentar ser o melhor que eu poderia ser? Lady Gaga continua a se desafiar, a tentar coisas novas, a prosperar. Pelo menos é isso que eu percebo através do meu celular”, refletiu Lindsay.

“Aqui vai como é ver a pessoa com quem você esteve por uma eternidade namorar uma das mulheres mais famosas — e fantásticas — do mundo”, ela escreveu em sua conta no Twitter, ao publicar o artigo.

É um tanto curioso pensar no título da nova faixa de Lady Gaga nesse contexto. Pensar em um fortalecimento pessoal, em uma espécie de “amor próprio”, que nasce como fruto de uma comparação bélica, aquela em que alguém obrigatoriamente tem que vencer e outro ser derrotado, é realmente estúpido. “Preciso ser melhor que a Lady Gaga”, “nunca serei como a Lady Gaga”, “não serei boa o suficiente como a Lady Gaga” são pensamentos do tipo. Por outro lado, é interessante pensar em uma “comparação” que não venha carregada com a ideia do “versus”, mas baseada na soma. “Quero ser como a Lady Gaga” por ela ser um modelo de inspiração, uma mulher como qualquer uma de nós, que erra, que acerta, que se supera e não alguém que me faça me sentir menor. Isso pode parecer piegas ou clichê, mas é algo que precisa ser dito e repetido sem exaustão.

Michael Polansky e Lady Gaga no Super Bowl LIV, em fevereiro / Foto: Getty Images
Michael Polansky e Lady Gaga no Super Bowl LIV, em fevereiro / Foto: Getty Images

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