Sucesso com seus clipes no YouTube, MC Rashid transforma videografia em 'missão'
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Sucesso com seus clipes no YouTube, MC Rashid transforma videografia em 'missão'

Ser rapper é muitas vezes (senão sempre) ser uma espécie de cronista; um contador de histórias. E, como gênero musical dos artistas mais ouvidos no Spotify em 2018, o rap não deixa dúvidas de que este é um momento crucial para aqueles com mensagens a transmitir. Rashid, 31, representante paulista da mesma geração de nomes como Emicida, MC Marechal e Projota, é exemplo disso. Com mais de dez anos de carreira, o autor das faixas “Não É Desenho” e "Mil Cairão" se destaca no cenário nacional não só pelas letras e punchlines memoráveis, mas também pela atenção dedicada a videoclipes — que, para além da arte, têm servido como ferramenta eficaz de aumento de alcance e relevância.

Já são 28 clipes solo na videografia de Michel Dias Costa — nome por trás do equivalente árabe para “justo” —, incluindo os materiais feitos para o álbum “CRISE”, de 2018, que teve todas as dez faixas também lançadas em formato audiovisual. “Não foi um trabalho fácil”, conta Rashid, em entrevista ao Reverb, sobre liberar os clipes de forma serial durante 2017 até que o disco se completasse em janeiro do ano seguinte. “Nos baseamos em estudos e pesquisas sobre as plataformas de streaming e entendemos que seria uma bela forma de nos manter no radar do público e de criar algo diferente e relevante artisticamente”.

Os clipes de rap têm tido números absurdos, que jamais haviam sido registrados no nosso estilo; números de música pop

Os videoclipes de Rashid abrangem desde grandes produções a gravações feitas com celular, além de lyric videos, filmagens em primeira pessoa e animações que, juntos, colecionam milhões de views no YouTube. “Os clipes de rap têm tido números absurdos, que jamais haviam sido registrados no nosso estilo; números de música pop”, diz o paulista que também reconhece a tendência em fenômenos musicais mais antigos. "O público de hoje é bem relacionado com as imagens e isso já vem do tempo em que os grupos de pagode faziam um enorme barulho com DVDs ao vivo mais do que com discos", observa. "Também teve o funk ostentação que cativou as pessoas com produções audiovisuais de luxo (salve, Kondzilla!) e tudo isso culminou num público que adora ouvir música na rua, mas também curte chegar em casa e colocar uma playlist de clipes para rodar enquanto faz outras atividades".

A espontaneidade é uma baita ferramenta artística que a gente precisa saber quando usar

Tanto no papel — como mostra no livro "Ideias que rimam mais que palavras - Vol.1" (2018), o primeiro da carreira do MC —, quanto nas telas, Rashid explora a capacidade de contar histórias por meio de diferentes linguagens. "Acredito que o intuito da imagem, no caso da música, é reforçar a mensagem da canção, ajudar a 'desenhar' o que a letra quis dizer, tornando assim a música mais profunda ou mais impactante", explica o artista que, junto à equipe, escolhe os formatos audiovisuais a serem aderidos em cada faixa. “A espontaneidade é uma baita ferramenta artística que a gente precisa saber quando usar”.

Essa preocupação com a parte visual das produções de rap brasileiras também se estende aos produtos de moda da marca de Rashid, a Foco na Missão, e permeia o trabalho de outros gigantes do gênero musical no país. Não só em clipes, mas em capas de álbuns como "Ladrão" e "O Menino Que Queria Ser Deus", ambos do mineiro Djonga, "Gigantes", do carioca BK', e "Bluesman", do baiano Baco Exu do Blues, é possível notar um apreço estético que alavanca ainda mais o conteúdo dito por eles. Pois é como diz Rashid: "Não sei se será um modismo, mas de fato, a música dessa década é bem imagética" — e os rappers nacionais parecem ter entendido isso com louvor.

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