Sulli, a cantora que se rebelou contra o mundo do k-pop
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Sulli, a cantora que se rebelou contra o mundo do k-pop

A cantora e atriz Sulli, uma sul-coreana de 25 anos, foi encontrada morta por seu empresário nesta segunda-feira (14), em seu apartamento em Seul. A jovem trabalhou na TV desde a infância, e na adolescência, entre 2009 e 2015, integrou o grupo de k-pop F(X). Depois de deixá-lo, ela decidiu investir em sua carreira solo e de atriz. A polícia ainda não bateu o martelo sobre a causa da morte de Sulli, mas a principal hipótese é de que a garota tenha cometido suicídio.

A nota de falecimento da cantora chega sete meses depois da notícia de que outro artista do k-pop, o coreano Seo Min-woo, líder do grupo 100%, morreu por conta de um infarto. Ele tinha apenas 33 anos. Em 2017, aconteceu mais uma baixa no mundo do k-pop. O vocalista da banda SHINee e amigo de Sulli, Kim Jong-hyun, acometeu contra a própria vida aos 27 anos.

A sequência de mortes por esgotamento mental e físico é um dos assuntos que têm chamado a atenção das autoridades e especialistas na área de saúde mental. Afinal, será que essas estrelas da música precisam trabalhar tanto? Serem tão exploradas/exigidas? Suprimirem tanto aspectos de sua vida pessoal/privada?

Sulli, 25 anos, era muito popular no Instagram/Reprodução
Sulli, 25 anos, era muito popular no Instagram/Reprodução

Uma das consequências de tamanha exposição são ameaças e cyberbullying. Enquanto algumas pessoas conseguem lidar com esse tipo de comportamento, outras sofrem uma pressão imensurável. Era o caso de Sulli. A jovem feminista lutava pelo seu direito de ser uma mulher livre, independente e, um detalhe interessante, ela aboliu o sutiã de sua vida. Por isso, durante a transmissão de um programa, seu seio acabou ficando à mostra sem querer.

Antes mesmo deste incidente, Sulli já era vítima de cyberbullying. Recebia muitas mensagens ofensivas nas redes sociais, onde tinha muitos seguidores — só no Instagram, mais de 6,7 milhões de pessoas a seguiam. Por isso, em 2014, ela tirou uma espécie de ano sabático para cuidar de si.

Em 2018, recuperada, mas ainda vítima de ataques virtuais, ela pediu que sua gravadora, a SM Entertainment, tomasse medidas legais contra os autores dos crimes cibernéticos. Infelizmente, nada foi feito a tempo de salvar a vida da menina.

Sulli, cujo verdadeiro nome é Choi Jin-ri, foi vítima de cyberbullying e, também, das pressões estéticas esperadas dos "ídolos" de k-pop, como são chamados os artistas do gênero. Espera-se que eles sejam "perfeitos", muito belos, saudáveis, talentosos, enfim, semideuses.

"As artistas de k-pop precisam ser fofas, amáveis e obedientes à críticas. Sulli não se encaixava nesse perfil", disse Yoonha Kim, crítico de música sul-coreano, à "BBC". "Ela era oposição a tudo isso. Levantava sua voz e queria ser ouvida."

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