Taylor Swift: 'Miss Americana', doc da Netflix, mostra 'despertar político' da cantora e traz música inédita
Taylor Swift

Taylor Swift: 'Miss Americana', doc da Netflix, mostra 'despertar político' da cantora e traz música inédita

A voz de Taylor Swift já está presente na música há quase 15 anos, mas ouvir a cantora falar sobre política ainda é uma novidade. Frequentemente criticada por se calar ante a debates de ordem social, desde o fim de 2018 a cantora adotou uma nova postura no discurso. Em outubro daquele ano, a estrela do pop se posicionou a favor de candidatos democratas durante as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos — fato inédito em sua carreira. O passo que já havia sido contundente, foi consolidado em agosto último, quando Taylor lançou “Lover”, seu mais recente álbum, no qual milita por igualdade e pelos direitos LGBT.A transformação na carreira é o mote central de “Taylor Swift: Miss Americana”, documentário produzido pela Netflix que estreia mundialmente em 31 de janeiro.

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O filme é dirigido por Lana Wilson, diretora escolhida a dedo por Taylor entre as opções oferecidas pelo serviço de streaming. A equipe de produção foi quase que totalmente feminina. “Eu digo que a gente teve assistentes de produção homens porque eu gosto de mostrar para as pessoas que homem podem servir café para as mulheres”, brinca a diretora, em entrevista à “Variety”. A publicação desta semana traz uma longa entrevista com Taylor, uma entre as poucas concedidas nos últimos anos.

'Miss Americana': cartaz do filme sobre a transformação política de Taylor Swift / Foto: Divulgação
'Miss Americana': cartaz do filme sobre a transformação política de Taylor Swift / Foto: Divulgação

O documentário narra a história da auto denominada “boa moça” lutando contra as últimas barreiras que a impedem de abraçar publicamente causas sociais pelo medo de reações negativas. Como bem descreve a revista, “‘Miss Americana’ é o retrato do nascimento de uma ativista’”. Pelo filme, é possível ver o processo que levou Taylor a “se assumir” enquanto voz política. Foi durante as eleições de meio de mandato dos EUA, em 2018, que ela decidiu apoiar publicamente candidatos do partido democrata em seu estado, o Tennessee. por exemplo, ela Taylor finalmente decide "sair do armário" para falar de política, em favor do partido democrata, nas eleições de seu estado natal, o Tennessee. Na época, o “Washington Post” descreveu o anúncio como “uma martelada nos admiradores de Trump em fóruns online da extrema direita”. Isso porque eles acreditavam que Taylor era, na verdade, uma apoiadora do presidente americano.

Naquela época, Trump declarou que gostava “um pouco menos da música” de Taylor depois disso. Mesmo com a derrota eleitoral dos candidatos da cantora, graças a ela dezenas de milhares de jovens decidiram se registrar para votar. “Aquela foi uma frustração maior para mim. Eu acho que o que acontece no mundo é maior do que quem ganha”, disse a cantora à “Variety”.

Uma das cenas reproduzidas no documentário é um trecho de uma entrevista concedida por Taylor a David Letterman em 2012. Ao ser perguntada se estava satisfeita com as opções para as eleições presidenciais daquele ano, a cantora, que tinha 22 anos, responde que não se sente no direito de falar para as pessoas em quem elas devem ou não votar. “Toda vez que eu não falei sobre política enquanto jovem, eu fui aplaudida. É muito doido”, reflete, hoje, aos 30 anos, sobre o episódio.

O silêncio de Taylor em questões políticas e sociais tinha como uma das bases a lembrança do exílio forçado das Dixie Chicks. Em 2010, a vocalista do grupo country americano, Natalie Maines, fez duras críticas ao governo Bush durante um show na Inglaterra. A fala foi recebida de forma expressivamente negativa nos EUA. “Eu vi como um comentário tinha tanto poder e aquilo me deixou aterrorizada”, justifica Tay.

Em um dos momentos do filme, é possível ver Taylor e sua equipe discutindo sobre o fatídico pronunciamento de 2018. “Eu li a declaração inteira e, neste momento, eu estou em pânico. Eu sou o cara que saiu para comprar carros blindados”, desabafa o pai da cantora, Scott Swift. Apesar dos esforços contrários feitos pelo pai, Taylor é irredutível. Ela se mostra arrependida por não ter se posicionado durante as eleições que levaram Donald Trump ao poder, dois anos antes e dispara: “Eu não posso mudar isso, mas eu preciso estar do lado certo da história. Pai, eu preciso que você me perdoe por fazer isso, porque eu vou fazer.”

“Meu pai tem muito medo das ameaças contra a minha segurança e a minha vida e ele vê o quanto nós temos que lidar com stalkers no dia a dia e que eu sou filha dele. É da natureza dele”, explica a cantora, que tem um irmão mais novo, Austin Swift.

Para Taylor, tornou-se claro que ela deveria expor suas opiniões em favor de causas que apoiava. “Celebrar (gays) e não falar em favor deles me pareceu errado. Usar a minha voz para tentar advogar sobre isso era a única escolha que eu tinha. Porque eu já havia falado sobre igualdade e cantado sobre isso em músicas, como ‘Welcome To New York’, mas nós vivemos um momento em que direitos humanos estão sendo violados”, diz.

“Quando você diz que certas pessoas podem ser expulsas de um restaurante por causa de quem elas amam ou como elas se identificam, e essas são políticas reais que certos políticos apoiam alegando ‘valores familiares’, isso é muito complicado”, completa.

Outro episódio que fez Taylor ter mais coragem para falar sobre essas questões foi o processo contra um DJ que a assediou. O caso ganhou ampla repercussão. “Eu achei que era uma oportunidade de mostrar como esses julgamentos são. Eu vivi aquilo enquanto uma pessoa extremamente privilegiada, então eu só posso imaginar como é quando você não tem isso”, reflete.

"E eu acho que um tema que acabou surgindo no filme é o que acontece quando você não é apenas alguém que quer agradar todo mundo, mas alguém que sempre respeitou as figuras de autoridade, fazendo o que você deveria fazer, sendo educado a todo custo. Eu ainda acho importante ser educado, mas não a qualquer custo”, diz ela.

A diretora Lana Wilson acrescenta: “Quando comecei a filmar, foi antes que ela ‘saísse do armário’ politicamente. Ela sabia que estava saindo de um período muito sombrio e queria colaborar em algo que capturasse o que estava passando e que fosse realmente cru, honesto e emocionalmente íntimo”, conta. O despertar político de Taylor, segundo a diretora, foi fruto de uma profunda reflexão que levou muito tempo. “Vi (em Taylor) essa história de amadurecimento feminista com a qual pessoalmente me conectei e que realmente acho que mulheres e meninas em todo o mundo identificarão”, aposta.

O filme tira seu título de uma das músicas do álbum “Lover”, “Miss Americana & the Heartbreak Prince”. Toda a letra da faixa é uma metáfora sobre como Taylor cresceu como uma patriota ufanista e teve que deixar de lado, de forma relutante, sua ingenuidade em tempos de Trump. “Miss Americana” traz também uma faixa inédita de Taylor Swift, “Only The Young”, escrita em meio à frustração de Taylor por conta das eleições de 2019. Em uma das cenas, a cantora aparece compondo as letras. A versão completa toca durante os créditos do documentário.

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