Teresa Salgueiro, ex-Madredeus, ergue a bandeira — e a hashtag — da alegria
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Teresa Salgueiro, ex-Madredeus, ergue a bandeira — e a hashtag — da alegria

Enquanto no Brasil e em muitos países, vizinhos ou não, os recentes eventos sociais, políticos e ambientais não inspiram muitos sorrisos, há alguém, do outro lado do Atlântico, feliz da vida e tentando provocar uma reação positive entre os que cá — e lá — sofrem. Esta é Teresa Salgueiro, cantora portuguesa e ex-Madredeus, que musicou o poema de José Saramago (1922-2010), "Alegria" — do livro "Provavelmente Alegria", de 1970 —, para compor sua nova canção, "#alegria".

"Andava à volta da melodia, com a ideia de escrever alguma coisa sobre a felicidade, aquele sentimento que às vezes nos invade", contou a mulher de 50 anos ao jornal "Publico". "Estava a ler poemas e de repente li esse, que não conhecia. Adorei o poema, resolvi experimentá-lo na melodia e funcionou. Então acabei por criar o resto da melodia em função do poema e fiquei muito feliz com isso. Porque se o tema que eu tinha, aquela música, já queria transmitir a ideia de felicidade, alegria acabou por ser uma palavra melhor. Porque a alegria está presente em muitas coisas tão pequenas do dia a dia".

Se a letra já estava pronta, portanto, faltava apenas o arranjo, feito às pressas. O motivo veio a calhar. Teresa queria apresentar a canção pela primeira vez na Feira do Livro de Guadalajara, no México, no ano passado, onde estaria a escritora espanhola da qual é fã, Pilar del Río.

"Sabia que ia lá estar presente a Pilar del Río, que admiro há muitos anos, mas só conheci pessoalmente durante a campanha presidencial de Sampaio da Nóvoa e ficamos amigas; e pensei que seria bom concluir o tema — desafiei os músicos e fizemos juntos o arranjo — e estreá-lo nesse concerto, como surpresa para a Pilar", disse Teresa.

A canção ganhou um clipe no começo de outubro. No vídeo, foram reunidas 44 personalidades de diversas áreas — Pilar del Río é uma delas—, para participar de uma espécie de manifesto pela felicidade, onde cada um segura um cartaz com a hashtag #alegria (veja abaixo).

"Foi um esforço titânico, da equipa de produção. Foi e não foi, porque as pessoas foram de uma grande generosidade, tal como a Fundação Saramago, que nos foi recebendo durante vários dias. Muitas pessoas disseram que sim, outras não podiam (e por isso não estão), mas eu senti-me muito acarinhada", revelou ela.

No Brasil, em outros países da América Latina e de demais continentes, há turbulências mil, lembrou Teresa. Mas, ainda assim, há um motivo fundamental para seu sorriso: "Poder fazer música ao longo de tantos anos é uma alegria enorme". "A música preenche-me, a música e a poesia, e só o fato de ela me permitir conhecer outras culturas e a quantidade enorme de pessoas com quem trabalhei, só isso já é um fator de alegria profunda."

Ela, mesmo otimista, ainda completou: "A alegria de fruirmos a vida como ela é. Só o simples fato de sairmos à rua, olharmos para o céu, admirarmos a natureza, termos com quem falar, tudo isso é fator de uma alegria profunda. E há muita gente que não tem oportunidade de viver assim, porque a desigualdade é cada vez maior, as pessoas têm de fugir de conflitos enormes, assistimos à instauração de regimes que não permitem que as pessoas se expressem com liberdade. A alegria é um direito, mas é também um dever, que nós temos de proporcionar ao próximo."

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