The Alarm, banda que seguiu as pegadas do U2 nos anos 80, retorna com música sobre luta contra o câncer
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The Alarm, banda que seguiu as pegadas do U2 nos anos 80, retorna com música sobre luta contra o câncer

“As estrelas nos seus olhos brilham mais que o sol. São mais fortes que o amor.” A letra de “Brighter Than The Sun”, do Alarm, busca nos astros a poesia necessária para refletir um momento de força em meio à dor. De acordo com Mike Peters, líder da banda galesa de rock que fez sucesso na primeira metade dos anos 80, seguindo de perto as pegadas do U2, a inspiração para a música veio durante uma sessão de radioterapia feita por sua mulher, Jules, que tratava um câncer de mama, em 2016.

Depois de levada ao hospital no primeiro dia de tratamento, Jules decidiu que, dali em diante, faria o percurso de pouco mais de oito quilômetros a pé. “Ela disse: ‘Eu quero provar para todo mundo e para mim que eu vou passar por isso tudo e vou sobreviver’”, relembra ele, em entrevista à “Billboard”. Naquele instante, Mike Peters, que também havia enfrentado o câncer em três ocasiões da vida - na primeira vez, em 1996, foi diagnosticado com um raro tipo de leucemia -, encontrou os versos da canção.

O drama vivido por Mike e Jules, casados há mais de trinta anos, foi tema de um documentário da “BBC” “While we have time” (“Enquanto temos tempo”), que contou com depoimento emocionado de Bono, do U2, velho companheiro de turnês com The Alarm no começo da carreira.

Mike Peters e James Stevensom se apresentam em Londres, na Inglaterra, em 2015
Mike Peters e James Stevensom se apresentam em Londres, na Inglaterra, em 2015

“A letra veio de uma vez só. Eu estava muito inspirado pela forma como alguém pode passar por uma situação dessas e ainda reafirmar que eles vão conseguir passar por isso. Há uma luz que sai de pessoas que se mantêm positivas nesses momentos. Eu vivi isso com a Jules. É daí que veio essa música”, conta Mike, que é um dos fundadores da Love Hope Strength Foundation, que apoia pessoas com câncer, e apoia projetos voluntários relacionados ao tratamento da doença.

A música integra o álbum “Sigma”, o primeiro depois de “Equals”, lançado em 2018, tem data de lançamento prevista para 28 de junho. No começo do ano, o grupo já havia relançado “Strength”, álbum que saiu originalmente em 1985.

Entre 1981, e 1987, The Alarm foi responsável por abrir 33 shows do U2. Eles conviveram com Bono e companhia na estrada, antes do megaestrelato, e testemunharam uma série de momentos importantes na decolagem do grupo irlandês. Dos anos de convivência, o vocalista do The Alarm reúne boas histórias sobre a vida de um dos maiores nomes do rock internacional.

Eddie Macdonald, Nigel Twist, Mike Peters e Dave Sharp fazem show no Festival de Montreux, em 1984 / Foto: Getty Images
Eddie Macdonald, Nigel Twist, Mike Peters e Dave Sharp fazem show no Festival de Montreux, em 1984 / Foto: Getty Images

Foi com a banda irlandesa que o Alarm excursionou pelos EUA pela primeira vez. O show de estreia aconteceria em São Francisco e o grupo de Mike Peters, com um nome tão propício para trocadilhos sobre pontualidade, chegou atrasado. Mas foi por um problema no voo. Bono e The Edge os viram chegar, esbaforidos, ao local do show, e fizeram questão de ajudar a carregar os equipamentos.

“Eu me dei bem com o Bono logo de cara. Eu estava tocando violão durante a passagem de som e ele veio puxar assunto. Eu percebi que, naquela época, ele não sabia tocar direito, então o ajudei com alguns acordes”, conta. “Na verdade, nenhum deles sabia tocar algo fora do repertório do U2, nem mesmo The Edge. Ele não sabia coisas básicas que professores ensinam. Mas pegava o instrumento e tocava algo que soava bem. Era assim que ele tocava e o porquê dele ser um instrumentista tão original.”

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