The Kooks: ‘Fã mais azarada do mundo’ dá a volta por cima e consegue conhecer a banda
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The Kooks: ‘Fã mais azarada do mundo’ dá a volta por cima e consegue conhecer a banda

Imagina ter a chance de assistir a um show de uma de suas bandas favoritas e, por alguma razão, não conseguir ir. Agora imagina ter essa oportunidade quatro vezes e desperdiçar todas elas. Não por falta de vontade ou dinheiro, mas porque o destino simplesmente não deixou. Foi o que aconteceu com a publicitária Mafê Borsatto, de 27 anos, fã de The Kooks. Por forças alheias à sua vontade, ela perdeu quatro shows do grupo liderado por Luke Pritchard. A história até teve um final feliz, mas ele demorou para acontecer.

Toda a turnê de azar começou em 2012, quando Mafê morava na Alemanha. Ela já gostava da banda havia quatro anos e, na época, fazia um intercâmbio de seis meses em Hamburgo. Foi aí que a banda marcou sua primeira apresentação no Rio de Janeiro, no Circo Voador.

“Esse show tinha aquela coisa de ser em um ambiente menor, financiado pelos fãs por meio de crowdfunding e ainda seria o primeiro show deles no Brasil. Eu conheci a banda em 2008, aquela seria minha primeira chance de vê-los e não pude ir”, conta ela, em entrevista ao Reverb. O lamento pela oportunidade perdida parecia que ficaria cicatrizado quando ela soube que The Kooks integrariam o line-up do Southside Festival daquele ano. O evento acontece tradicionalmente na primavera, na cidade de Tuttlingen, próximo a Stuttgart.

Mafê então falou com alguns amigos, que a princípio toparam a empreitada, e começou os preparativos para a viagem. Comprou ingresso pela internet e, como ficariam acampados, negociou uma barraca em um site. “Combinei de encontrar o vendedor na estação de trem e levei uma amiga minha comigo porque não conhecia a pessoa. Comprei a barraca por 90 euros e nunca usei”. O que aconteceu? Os amigos desistiram de ir e ela preferiu não arriscar a aventura para o outro lado de um país desconhecido sozinha.

Três anos depois, em 2015, novamente uma chance: The Kooks confirmaram presença no Lollapalooza, em São Paulo. Mafê nunca tinha ido ao festival e aproveitou a proximidade com o Rio de Janeiro, além do fato de que outras amigas também iriam, para finalmente assistir a uma performance de “Naive” e “She Moves in Her Own Way”, suas músicas favoritas, ao vivo. Mas, como essa história é de um azar sem fim, ela não conseguiu. A fã, que havia ido ao evento para assistir somente ao show da banda (“Eu não gostava de ninguém que iria se apresentar lá além deles”), teve seu celular furtado e se perdeu das amigas. Passou boa parte do show procurando as colegas para curtir o show, mas só conseguiu fazer isso na última música da apresentação. O que ela achou daquele Lolla? “Uma experiência horrível”, conta.

Estava quase falando para as outras pessoas ‘desculpa gente o azar é todo meu, não tem nada a ver com vocês’.

No ano seguinte, o quarteto britânico voltaria ao Rio para um show solo no Vivo Rio. Ingresso comprado, tudo certo, dessa vez vai. Dois dias antes da performance, Mafê foi diagnosticada com meningite viral e permaneceu hospitalizada por uma semana. “Na época, minha história chegou até os caras da banda, que gravaram um vídeo me desejando melhoras e dizendo que eu teria direito a um golden ticket na próxima vez que eles viessem ao Brasil. Uma vida inteira de azar com The Kooks”.

O ano agora é 2018. The Kooks retorna ao Rio pela segunda vez em menos de dois anos, como se dessem à fã azarada mais uma chance de finalmente vê-los. Para completar, a turnê da vez se chamava “The Best Yet So Far” (“O melhor até agora”), ou seja: um show inteiro com as melhores músicas da carreira do grupo. “Não tem a menor chance de perder esse”, pensou a jovem. Ela tentou comprar ingressos antecipados com cartões do banco patrocinador do evento. Nenhum dos cinco (5!!!) usados foi aceito. Mafê chegou a ligar para a empresa responsável pela venda de ingressos, que disse que não havia nada de errado com o sistema.

Determinada a mudar sua sorte, a fã azarada decidiu ir até à bilheteria física em um sábado à tarde. Chegando lá, não pôde efetuar a compra pois só bilhetes para a apresentação que haveria naquele dia estavam à venda. Teve que retornar à bilheteria durante a semana.

Depois de tanto azar, Mafê conseguiu conhecer os integrantes do The Kooks (Foto: Acervo pessoal)
Depois de tanto azar, Mafê conseguiu conhecer os integrantes do The Kooks (Foto: Acervo pessoal)

Nesse meio tempo, sem o golden ticket prometido pela banda, Mafê decidiu participar de uma promoção cujo prêmio era um encontro com a banda. Para concorrer, ela deveria apenas responder a uma pergunta: "Por que você merece conhecer o The Kooks?". “Contei minha história inteira, coloquei links, mostrei meus stories e o quanto já estava sendo difícil ir a um show deles, que dirá conhecê-los”, diz.

No dia do show, tudo certo. A fã chegou com uma hora de antecedência e ficou à espera de orientações para participar do meet & greet. Junto com os organizadores da promoção e outros vencedores, ela foi até a entrada do backstage, já segura de que nada mais daria errado. Quando o grupo chegou lá, ouviu de uma produtora da casa de shows que não havia nenhuma orientação sobre a presença deles no local. Na hora, Mafê riu sem acreditar. Porém, minutos depois, o impasse foi desfeito e a situação, resolvida. A fã azarada que tentou por quase 10 anos assistir a um show do The Kooks finalmente, conseguiu. E ainda conheceu os músicos.

“Eu estava quase falando para as outras pessoas ‘desculpa gente o azar é todo meu, não tem nada a ver com vocês’. Porque ganhar uma promoção e não conseguir entrar era mais azar do que todo o resto do meu azar junto, mas no fim tudo deu certo”, ri da própria sorte. “Aproveitei o show e ainda tenho uma foto de recordação com eles. Acho que agora posso acertar minhas contas com The Kooks. Finalmente.”

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