The Specials, rumo à estreia no Brasil, seguem afiados e engajados na música para dançar
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The Specials, rumo à estreia no Brasil, seguem afiados e engajados na música para dançar

O ska, o reggae e a energia punk eram a linguagem do The Specials para denunciar racismo e injustiças sociais. Mais de quarenta anos depois de sua fundação e de muitas idas e vindas, o grupo inglês continua fiel à sua essência provocadora e relevante como nunca. No ano passado, abriu para os Rolling Stones, e em fevereiro lançou "Encore”, primeiro álbum com material original depois de duas décadas, que chegou ao primeiro lugar na parada do Reino Unido.

O trio formado atualmente por Terry Hall (voz), Horace Panter (baixista) e Lynval Golding (guitarrista) está em turnê pelos Estados Unidos e deve fazer em dezembro, em São Paulo, seu primeiro show no Brasil.

"Vote for me" é uma das novas músicas. Ouça aqui:

The Specials encabeçou o elenco da 2 Tone Records, gravadora que marcou, nos anos 1970, um movimento musical na Inglaterra ao reunir grupos politizados e multirraciais. Foram apenas dois anos, mas suficientes para eles reconhecerem que participavam de um genuíno movimento cultural.

A música dos Specials é altamente dançável - e pulável -, porém impregnada de comentários políticos e sociais. "Queremos que você dance e fique feliz, ao mesmo tempo em que lhe damos algo para pensar", destaca Horace Panter, conhecido também como Horace Gentleman. The Specials pode ser considerada a primeira banda multirracial inglesa a ter alcance mundial. "Acho que isso se deve ao lugar de onde viemos, a pequena cidade de Coventry. Havia um circuito forte de bandas soul com integrantes brancos e negros. O que importava para tocar era você ser um bom músico, e não a cor da pele", conta o baixista.

Horace Panter: música do The Specials é para dançar e pensar
Horace Panter: música do The Specials é para dançar e pensar

Sobre ser bom músico, Panter destaca: "A gente era uma geração mais velha que a dos punks. Terry tinha 19 anos, mas nós já tínhamos vinte e tantos, a gente sabia tocar. Já tínhamos passagens por bandas que trabalhavam em discotecas e em bailes. Não éramos tipo Buzzcocks, caras que aprendiam a tocar o instrumento na metade do segundo show. E pra mim, tocar reggae não veio naturalmente. Tive que tomar aulas do Lynval. Era um pouco confuso, porque no reggae todas as regras da música pop são torcidas".

Com a separação em 1981, Panter chegou a participar do Special AKA, com o tecladista Jerry Dammers (fundador também da 2 Tone) e o baterista John Bradbury, e do General Public, grupo que emplacou hits mundiais como "Tenderness". Depois mudou de área e foi trabalhar como professor de arte para crianças especiais. Aos 65 anos, Horace Panter segue sendo daqueles raros músicos que dão tudo de si, seja para milhares numa arena lotada ou diante de quinze gatos pingados num pub londrino (quando toca blues e country em projetos paralelos).

Ao lados dos companheiros, Panter recebeu recentemente uma homenagem do Conselho Municipal de Los Angeles: dia 29 de maio está declarado oficialmente como o dia do The Specials na cidade americana. Não por acaso, Amy Winehouse era grande fã do grupo.


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