‘Time Will Burn’: filme sobre rock underground brasileiro foi feito com a ajuda de amigos
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‘Time Will Burn’: filme sobre rock underground brasileiro foi feito com a ajuda de amigos

"O elo perdido do rock nacional". É assim que Marko Panayotis e Otávio Sousa, diretores do documentário "Time Will Burn — O Rock Underground Brasileiro do Começo dos Anos 90", descrevem o período entre o surgimento de dois movimentos do rock brasileiro. Depois do boom de bandas como Titãs, Barão Vermelho e Paralamas do Sucesso, no fim dos anos 1980, e antes do surgimento de grupos como os Raimundos e o Planet Hemp, no pós-1994, há um intervalo de tempo que foi frutífero para o surgimento de grupos que seguiram a onda do grunge norte-americano, mas não fizeram tanto sucesso no cenário nacional. São essas bandas que têm a história contada pelos cineastas, que fizeram o filme sem nenhum tipo de financiamento, público ou fruto de arrecadação online.

"Fizemos tudo no esquema e 'faça você mesmo'. O Otávio é fotógrafo e já havia feito outros documentários encomendados, então ele tinha o equipamento. Outras coisas nós tivemos que comprar, mas juntamos o que tínhamos e saímos produzindo", conta Marko. Como se já não bastasse, todo o filme foi feito nas horas vagas dos dois. "Temos que cuidar dos trabalhos que pagam nossas contas", brinca o diretor.

Os dois amigos tiveram a ideia para o documentário ao assistir outro filme, "Hype!", de 1996, que conta a história do grunge nos EUA. As gravações eram feitas em condições que não eram as ideais, mas sempre prezando pela qualidade da captação. "Alguns amigos nos ajudaram: um fez a vinheta, outro tratou o áudio. O único problema é que, como não pagamos, não podíamos cobrar um prazo de entrega, então o filme inteiro demorou cerca de quatro anos para sair, desde a primeira gravação", explica. O filme entrevista figuras importantes do rock nacional, como Japinha, do CPM 22, Rafael Crespo, do Planet Hemp, Edu-K, do De Falla, e Cherry Taketani, da Okotô, que morreu em 2017.

Ao narrar histórias de bandas como Pin Ups, Killing Chainsaw e Mickey Junkies, o filme mostra como os grupos da época trabalhavam em um esquema semelhante ao dos produtores do documentário. "Eram eles que faziam os próprios cartazes, as demos, copiavam fitas cassete... O pôster do filme é inspirados nos cartazes da época, montados com recorte e colagem", diz Marko, que é roteirista no "Programa da Sabrina", apresentado por Sabrina Sato, na Record.

Há dois anos "Time Will Burn" tem rodado por festivais. Entre eles, foi selecionado para o "In-Edit", Festival Internacional de Documentário Musical, algo que era um sonho para Marko e Otávio, que já havia dirigido os documentários “Supercarioca – 25 anos”, sobre o álbum dos Picassos Falsos, de 1988, e “Agridoce – 20 Passos”, DVD da Pitty.

O filme está disponível no recém-lançado portal da Agência de Cinema de São Paulo, o Spcine Play. A plataforma de streaming oferece ao usuário um catálogo com produções nacionais em sua maioria gratuitas. Para acessar, basta realizar um cadastro simples. Outra forma de assistir é acessando o Videocamp, plataforma online que permite o download de filmes para serem exibidos em sessões caseiras pelo mundo.

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