Tina Turner, 79 anos e aposentada há 10, aplaude da mansão na Suíça o musical baseado em sua vida
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Tina Turner, 79 anos e aposentada há 10, aplaude da mansão na Suíça o musical baseado em sua vida

Tina Turner, 79 anos, sobreviveu à fama, à decadência, aos abusos do ex-marido, Ike, às intermináveis turnês, e hoje só pensa em descansar em sua mansão — ou seria castelo? — na Suíça, junto de seu marido alemão, Erwin Bach. Aposentada há 10 anos, ela nem precisa sair de casa para ganhar dinheiro com novos trabalhos. Afinal, é uma diva inesquecível e, por isso, ganhou um musical na Broadway para chamar de seu.

Em uma entrevista ao "New York Times", Tina revelou que não sente falta dos palcos. "Estava cansada de cantar e fazer os outros felizes", disse ela. "É tudo o que fiz durante toda minha vida." E, de alguma maneira, é o que continua a fazer. A diferença é que não precisa movimentar um dedo para isso.

"Tina: The Tina Turner Musical" é um espetáculo baseado em sua vida e repleto de hits de sua carreira. Ele já foi apresentado em Londres, em Hamburgo e, agora, a peça produzida por US$ 16,5 milhões chega a um teatro de Nova York. O musical é dirigido por Phyllida Lloyd (que já trabalhou em "Mamma Mia") e discorre sobre quatro décadas de sua vida — de sua infância ao sucesso estrondoso nos anos 1980.

Na verdade, Tina precisou se mover um pouco para que o espetáculo saísse do papel. Ela realizou o trabalho de consultora, mostrando seus passos para a coreógrafa do musical e compartilhando memórias com os roteiristas da peça. A artista também fez um pequeno quiz sobre sua vida para a atriz que iria interpretá-la: a jovem de 32 anos Adrienne Warren.

"Você sabe fazer a pony dance (o movimento que é sua assinatura)?", perguntou Tina. Adrienne respondeu que sim, mas na hora de demonstrar o passo, ela não foi tão bem. A cantora de 79 anos, então, largou sua aposentadoria por breves segundos e ensinou à atriz como se fazia a dança.

"Não me sinto desconfortável vendo gente me imitar hoje em dia. Afinal, vi muita gente tentando ser eu ao longo dos anos", declarou ela. "O que me incomoda é revisitar minha vida toda outra vez. Principalmente os anos que vivi com Ike." Até hoje, Tina não esclareceu totalmente todos os abusos e violências que sofreu do ex-marido. Segundo ela, tudo que era para dizer já foi dito. "E também tenho vergonha dessa fase", desabafou.

Os primeiros relatos da agressividade de Ike foram revelados na autobiografia "I, Tina", de 1986. Desde então, ela precisou recontar essa história muitas e muitas vezes, durante entrevistas em programas de auditório.

No ano passado, durante a apresentação do musical em Londres, Tina estava lá, sentada no assento mais prestigiado do teatro. Apesar de toda dor, ela terminou o espetáculo rindo, foi ao backstage do musical e disse ao ator que interpreta Ike: "Eu te perdoo". Na vida real, entretanto, ela nunca o fez.

Ike e Tina em 1963/Getty Images
Ike e Tina em 1963/Getty Images

"Não sei se poderia, de fato, perdoá-lo depois de tudo que fez comigo", afirmou Tina. "Mas Ike está morto, portanto, não preciso me preocupar com ele." O músico faleceu em 2007, aos 76 anos.

Quando Tina finalmente deixou Ike, em 1976, ela tinha apenas 36 centavos no bolso. Ela tinha tantos hematomas na cabeça que deixou a casa sem sua famosa peruca e cheia de pendências, afinal, ela cancelou todos os shows que faria com o marido depois disso. Foi então que ela tentou sua carreira solo, mas não antes de todos perguntarem para ela: "Tina, mas cadê o Ike?".

Rapidamente, ela fez com que todos parassem de associá-la ao ex-companheiro agressivo. Mas isso não bastava. Ela precisava de um oceano de distância do homem que a fez tão mal. Por isso, ela se mudou para a Europa. E, lá, deu a volta por cima com o disco "Private Dancer", produzido na Inglaterra. E ninguém nunca mais a perguntou: "Cadê o maldito do Ike?".

Em terras europeias, mais precisamente em Colônia, na Alemanha, ela conheceu seu atual marido, Erwin Bach. Ela amou seus olhos. Seu nariz. Já seu corte de cabelo... "Mas não tive problemas em levá-lo no cabeleireiro para acertar isso", brincou ela.

Como trabalhava na indústria fonográfica, Erwin achava estranho começar a se envolver com uma cantora tão famosa. Mas Tina estava apaixonada e foi teimosa. Antes de chamá-lo para sair, ela deu um jeito de descobrir sua data de nascimento e fazer seu mapa astral. "Graças a deus ele é de aquário. Ike era escorpiano", falou. Na época, ela tinha 46 e ele 30, o que levou a imprensa a apelidar Erwin de "boy toy". Mas, aqui estão os dois, 30 anos depois, casados, bem vividos e com cabelos brancos.

Ah, e falando nisso, ele compartilha uma parte de seu corpo com Tina: o rim, que doou à cantora quando ela estava mal de saúde. "Se precisasse, faria tudo de novo", diz Erwin. "Mas, meu bem, talvez você precise continuar com um", completa ela, com humor sagaz.

Erwin Bach e Tina Turner na estreia do musical 'Tina:The Tina Turner Musical' em Londres, em abril de 2018/Getty Images
Erwin Bach e Tina Turner na estreia do musical 'Tina:The Tina Turner Musical' em Londres, em abril de 2018/Getty Images

Desde 1995, os dois vivem uma vida feliz na Suíça, cercada pelos luxos que ela tanto batalhou para ter. Tina sequer precisou aprender a língua local, ou a de seu marido, o alemão. Ali, quem manda é ela — e finalmente! Afinal, Tina merece.

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