Tipo Importação: com as portas abertas pelo A-Ha, pop norueguês continua fazendo dançar
Especial

Tipo Importação: com as portas abertas pelo A-Ha, pop norueguês continua fazendo dançar

Publicidade

Mantos brancos de neve cobrindo a paisagem em longos meses de frio, um dos maiores IDHs do planeta (atualmente é o maior: 0,953 de índice de desenvolvimento humano), uma das orquestras mais respeitadas do mundo — a Orquestra Filarmônica de Oslo, que em setembro deste ano comemora um século no formato atual... Até o começo dos anos 1980, quando se pensava em música e Noruega, dificilmente se fazia uma associação com pop; o comum era ligar o país a sons clássicos, com um maestro à frente. 

LEIA MAIS: Erlend Øye faz show na praia do Leme, mas os protagonistas foram os fãs

VEJA TAMBÉM: Tipo Importação: Ásgeir, o 'príncipe' do rock islandês nos anos 2010

Nada contra, inclusive adoramos, só que tinha muito mais que isso rolando. Graças à proximidade geográfica com o Reino Unido, o pessoal mais jovem absorvia tudo de rock e pop que surgia nas terras da Rainha Elizabeth II e traduzia as influências para suas próprias músicas. As guitarras do rock, os sintetizadores do tecnopop, tudo estava no trabalho das bandas que movimentavam a cena pop-rock de lá.  

Os noruegueses do A-Ha: Pal Waaktaar-Savoy, Morten Harket e Magne Furuholmen / Foto: Getty Images
Os noruegueses do A-Ha: Pal Waaktaar-Savoy, Morten Harket e Magne Furuholmen / Foto: Getty Images

Por isso, foi natural o estouro do A-Ha com “Take On Me” em 1985. Teve um momento de “peraí, eles são da Noruega?” por parte do resto do mundo, mas não é como se Magne Furuholmen, Morten Harket e Pal Waaktaar-Savoy fossem jóias exóticas no meio dos fiordes noruegueses. Eles foram os caras que conseguiram estar no lugar certo — Londres —, no momento certo e com o som certo para cair nas graças de uma grande gravadora (a Warner) e do público. O clipe de “Take On Me”, cheio de referências a HQs, conquistou todos os prêmios e é um clássico. Você já deve conhecê-lo, mas nunca é demais rever: 

O trio reinou na década de 1980, fez música-tema de filme do 007 (“The Living Daylights”, para “007 – Marcado para a Morte”, de 1987) –, parou em 1994, voltou em 1998, parou de novo em 2010 e acabou retornando à ativa em 2014. O sucesso na Europa e no Brasil continua grande, que bom para eles!, mas o mais importante é que o A-Ha colocou a Noruega no mapa do pop. Se o gênero ganhou ainda mais força internamente e hoje existem bandas que conseguem sair de lá e chegar aos nossos ouvidos, em grande parte é porque Magne, Morten e Pal abriram a porta. 

Vem conhecer o que de mais bacana se tem feito no pop na Noruega atualmente.

Sondre Lerche

Lerche deve ser o norueguês que mais ama o Brasil: desde que veio para cá em 2015 e teve as experiências incríveis de tocar no Popload Festival e uns dias depois quase ser preso por nadar pelado no Rio de Janeiro (quem nunca?), volta toda hora, passeia como local, tem amigos brasileiros. A gente não reclama, não, pode continuar vindo!

Sondre Lerche, o som indie da Noruega / Foto: Divulgação
Sondre Lerche, o som indie da Noruega / Foto: Divulgação

O som é um indie que abraça a galera e melhora a cada novo disco. Vale ouvir “Sentimentalist” (do álbum “Please”, de 2014, uma das favoritas nos shows), e a super dançante “Soft Feelings” (de “Pleasure, lançado em 2017). 

Kings of Convenience

Ok, Lerche pode ser o norueguês que mais ama dar rolê pelo Brasil, mas os caras do Kings of Convenience têm uma relação de amor um pouco mais longa com nosso país tropical: uma parte considerável de suas influências vem da bossa nova. No geral, a dupla faz um pop suave, o que não quer dizer que seja sempre devagarzinho: “I’d Rather Dance With You” está aqui para provar isso.  Faz dez anos que Erlend Oye e Eirik Boe não lançam nada novo, mas eles têm feito shows para, segundo eles próprios, “testar novos sons para um próximo álbum”. Estamos esperando! 

Highasakite

A origem da banda liderada por Ingrid Helene Havik é o jazz: ela e o baterista Trond Bersu se conheceram em um conservatório estudando este estilo. Em um ano, a dupla de jazz virou banda de indie, e esse foi o passo mais acertado para ganhar popularidade: o álbum de estreia foi direto para a primeira posição na parada norueguesa e chamou a atenção dos islandeses do Of Monsters and Men, que chamaram os vizinhos escandinavos para tocar com eles na turnê europeia de 2015.

O som da Highasakite é aquele pop dançante bem calculadinho, que flerta com a eletrônica sem ser “tunts-tunts”. A banda é uma das mais importantes na cena norueguesa atualmente, tanto que se apresentou no Prêmio Nobel da Paz de 2016. “Someone Who’ll Get It” é um dos maiores hits:

E, voltando ao começo da conversa, Ingrid Helene foi escolhida como a representante da música jovem norueguesa para fazer uma participação especial no acústico que o A-Ha gravou em 2015. A música foi “The Sun Always Shines on TV”, e ela mandou bem demais: 

Fieh

Vamos encerrar esse papo de pop norueguês com a banda mais delicinha do momento: Fieh e seu som pop-groovy-impossível-ficar-parado. Liderada por Sofie Tollefsbol, a banda tem uma porção de músicos (às vezes oito, às vezes nove). 

É pop da melhor qualidade, com tudo que conquista a gente de cara: batidinhas que podem ser acompanhadas com palmas, um vocal incrível, alegria. É música solar que vem de um país tão gelado. Duvido que alguém não balance pelo menos os pés ouvindo “Glu” ou “Flower”.

*Tipo Importação é um especial que, todo mês, vai apresentar o melhor da música de países não tão visados pelos brasileiros. Neste mês apresentaremos ritmos e artistas da Noruega.   

Publicidade

Relacionados

Canais Especiais

Ícone do FacebookÍcone do TwitterÍcone do InstagramÍcone do YoutubeÍcone do DeezerÍcone do SpotifyÍcone do Pinterest