Tipo Importação: com poucos e bons, reggae tem cena consolidada na República Tcheca
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Tipo Importação: com poucos e bons, reggae tem cena consolidada na República Tcheca

Se fosse feita uma pesquisa ou caso o assunto fosse levantado em um bate-papo ente amigos aqui pelo Brasil, talvez um dos últimos estilos musicais a serem espontaneamente associados à República Tcheca fosse o reggae. Mas a música extrapola fronteiras e o improvável acontece o tempo todo; assim, em meados dos anos 1970, os irmãos Vladimir e Rikard Tesarik conheceram o som de Bob Marley e decidiram, no começo dos anos 1980, formar a Yoyo Band para disseminar o ritmo jamaicano pelo leste europeu.

Ao longo de pouco mais de duas décadas, a banda lançou 15 álbuns e ganhou três Grammy Awards tchecos, além de ter capitaneado uma versão mais livre da trilha de “Hamlet” para o teatro – sim, houve uma montagem da peça de William Shakespeare na República Tcheca com o reggae de fundo. A história da Yoyo Band foi abreviada em 2003, quando Vladimir morreu em um acidente de bicicleta que chocou o país.

A sementinha do reggae, de toda forma, já estava plantada na República Tcheca. Diferentemente do que rolou com os artistas de rock, a Yoyo Band conseguiu tranquilamente sua licença para tocar na época da dominação soviética porque os censores não viram nenhuma perigo naquela música molezinha e do bem, que só atraía gente calma para as apresentações. Isso permitiu que um pessoal influenciado pelos irmãos Tesarik fosse desenvolvendo seu som sem ser incomodado. Não é muita gente, mas quem mergulha no reggae no país vai com tudo.

A primeira banda a se destacar depois do surgimento da Yoyo foi a Svihadlo. O sexteto entrou na cena em 1983, inicialmente sob o nome de Nouzový východ (que significa “saída de emergência”), mas só conseguiu lançar seu primeiro álbum em 1994, já com o nome pelo qual atende hoje.

O som da Svihadlo é um pouco mais roots que o da Yoyo Band, o que se explica pelo fato de alguns de seus integrantes terem ido à Jamaica para estudar o reggae. Até agora sua discografia tem oito álbuns de inéditas e uma coletânea comemorativa de 30 anos de carreira.

A virada do século revelou dois grandes nomes de reggae na música tcheca. O primeiro foi a banda Ilam, que se lançou em 2002 como quinteto e logo começou a receber em seu palco e em suas gravações participações de DJs e MCs. Apesar de flertar com um som eletrônico forte, com a energia do leste europeu, a Ilam procura manter a base na batida de Bob Marley. É um sucesso na noite tcheca.

Nesta década, o grande destaque é Adam Lanci, mais conhecido como Cocoman. Em 2009, quando apareceu com dreadlocks e cantando um reggae rápido, às vezes em espanhol, ele não foi levado tão a sério quanto gostaria. Desiludido, chegou a tentar migrar para o folk e até a atacar de DJ, mas o reggae falou mais alto.

Cocoman passou por uma reformulação do look, resgatou o som que fazia lá no começo, só que agora em tcheco, e arrebentou nas rádios locais. Não é apenas um artista de reggae: é um dos músicos mais populares do país. É até um pouco curioso vê-lo em ação: um cara com a maior pinta de astro de britpop, inclusive nas roupas e no cabelinho, cantando reggae com toda a animação do mundo. A música definitivamente não tem fronteiras – nem geográficas nem visuais!

* Tipo Importação é um especial que, todo mês, vai apresentar o melhor da música de países não tão visados pelos brasileiros. Neste mês apresentaremos ritmos e artistas da República Tcheca.

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