Tipo Importação: com um pé no punk e outro no pop, rock tcheco mantém a força no país
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Tipo Importação: com um pé no punk e outro no pop, rock tcheco mantém a força no país

Assim como rolou em boa parte do mundo, o rock começou a chegar à República Tcheca – que na época atendia por Tchecoslováquia – nos anos 1950, por influência da cena dos Estados Unidos. O boom mesmo foi em 1964, com a beatlemania: uma banda tcheca chamada Olympic ganhou status de um dos principais nomes da música no país ao tocar músicas muito parecidas com as de John, Paul, George e Ringo.

Aos poucos, outras bandas com o mesmo perfil começaram a surgir – Flamengo e Matador foram as mais fortes –, assim como uma espécie de contramovimento mais pesado liderado por Urfaust e Aktual, que continua na ativa.

Com a invasão das tropas soviéticas no país, em 1968, o rock foi “sufocado”, por ser considerado “fora do normal”. As bandas precisavam passar por exames de qualificação para receber uma licença para tocar e gravar. E é claro que essa licença poderia ser cassada a qualquer momento. Muitos músicos partiram em autoexílio para países da Europa Ocidental por causa disso. As que ficaram tocavam em porões clandestinos e em festas de famílias consideradas subversivas.

Foi assim, por baixo dos panos, que o punk entrou na Tchecoslováquia e ganhou força entre quem não estava a fim de ficar ouvindo apenas bandas marciais de influência russa (nada contra, mas diversidade faz bem para a cultura). Aquele rock mais pop da new wave aproveitou a brecha e também foi notado por muitos músicos jovens tchecos. Quando a situação começou a se normalizar com o fim da Guerra Fria, em 1989, todos puderam colocar seus rostos no sol e mostrar publicamente o que vinham fazendo durante aquele período sombrio.

Quem mais tirou proveito disso foi a Kabát, formada em 1983 como uma banda de thrash metal e que, com o ganho da liberdade de gravar sem precisar ser em um esconderijo e do direito de tocar ao ar livre para seu público, começou a ficar um pouco mais divertida nas letras, com direito a refrões, e menos pesada nas melodias. O quinteto está na ativa até hoje, faz um sucesso enorme e é considerado o nome de maior respeito do rock tcheco.

Na mesma época foi formada a outra principal banda de rock da República Tcheca: Lucie. O ano era 1985 e o quarteto decidiu ter uma pegada mais pop que o pessoal dos porões – a influência de Duran Duran e cia. também tinha sua importância. Apesar do som mais leve, a atitude do pessoal da Lucie é rock’n’roll: a banda não se apresenta em nenhum programa de TV, sob hipótese alguma. Seria “se render ao sistema”, o que ultrapassa os limites dos caras.

Com estas duas bandas como exemplo, em 1994 surgiu a terceira banda de rock mais importante até hoje na República Tcheca. O nome é Vypsaná Fixa e o som é definido pelo quarteto como punk pop. Isso aí, punk e pop.

Outras bandas de rock aparecem a todo momento por lá, é claro, mas nenhuma conseguiu ameaçar tomar um lugar no pódio composto por Kabát, Lucie e Vypsaná Fixa. Vale prestar atenção em UDG, Tři Sestry e Gaia Mesiah, pois são as que mais têm atraído público para shows e festivais e, quem sabe, podem fazer esse pódio pelo menos aumentar o número de premiados. O rock definitivamente não morreu na República Tcheca.

* Tipo Importação é um especial que, todo mês, vai apresentar o melhor da música de países não tão visados pelos brasileiros. Neste mês apresentaremos ritmos e artistas da República Tcheca.

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