Tipo Importação: Conheça a Capitão Fausto, a 'Los Hermanos' de Portugal
Especial

Tipo Importação: Conheça a Capitão Fausto, a 'Los Hermanos' de Portugal

Nome: Capitão Fausto

Integrantes: Manuel Palha, Domingos Coimbra, Francisco Ferreira, Tomás Wallenstein e Salvador Seabra

Gênero: Rock

Desde quando: 2011

Tamanho nas redes sociais: 38 mil fãs no Facebook/ 1.205.004 plays no YouTube

Discografia: “Gazela” (2011), “Pesar o Sol” (2014), “Grelhados ao vivo” (2014) e “Têm os dias contados” (2016).

Se Marcelo Camelo fez as malas e se mandou para Portugal, os rapazes da Capitão Fausto — banda lusa frequentemente comparada aos Los Hermanos — fizeram o caminho inverso. Apaixonados pela música brasileira, Manuel Palha, Domingos Coimbra, Francisco Ferreira, Tomás Wallenstein e Salvador Seabra desembarcaram em São Paulo no fim do ano passado com a missão de gravar o seu quarto disco de estúdio, chamado “Sempre bem”.

Sucessor de “Têm os dias contados”, o disco deve chegar às lojas e às plataformas digitais no último trimestre deste ano. O álbum foi produzido por Rodrigo “Funai” Costa. O clipe de “Sempre Bem”, single que deu nome ao trabalho, já foi lançado no mês de maio. A música conta com participações especiais de Catarina Wallenstein, Constança Rosado e Madalena Tamen.

A viagem aconteceu após o convite do Red Bull Studios. Para Tomás, vocalista do grupo, a expedição até o Brasil foi bastante engrandecedora. Ele conta que a influência da MPB neste disco foi "mais importante do que para qualquer outro" já gravado pela banda:

“Foi uma experiência muito interessante, pois não só foi a primeira vez que fomos ao Brasil como foi a primeira vez que gravamos num ambiente que nos é totalmente diferente do normal. Tivemos imensa liberdade de criar e de gravar em condições únicas. Adoramos São Paulo e correu tudo muito bem”, diz ele, que já está de volta a Portugal.

Ao todo, foram onze dias no estúdio paulistano. Eles já chegaram de Portugal com as ideias bem acabadas e só precisavam mesmo apertar o rec e gravar. Os dias brasileiros dos Capitão Fausto foram de trabalho intenso, mas também houve tempo para explorações. Hospedados no histórico edifício Copan, idealizado por Oscar Niemeyer no centro da capital Paulista, eles foram a apresentações de bandas como O Terno e conheceram um pedaço do circuito da novíssima música brasileira que pulsa na capital paulista.

Na verdade, tenho a certeza que chegará o dia em que vai existir igualdade de oportunidades para a música portuguesa chegar às pessoas no Brasil, e na verdade pela nossa língua comum faz todo o sentido que isso aconteça

“Quisemos aprofundar a discografia que já conhecíamos de vários artistas e estar ainda mais informados. É uma cultura musical inacreditavelmente vasta e rica, cheia de coisas boas para escolher”, vibra Tomás.

Os cinco integrantes da banda se conhecem desde os tempos de colégio. Alguns deles ainda tinham 15 anos quando participaram do projeto Lancelot. E Tu?, uma espécie de Capitão Fausto pré-histórico. No entanto, a estreia fonográfica do grupo aconteceu apenas anos depois, em 2011, com o disco “Gazela”, saudado pela crítica portuguesa como “uma óptima surpresa”.

Então em 2014, lançaram “Pesar o sol”. No mesmo ano, um álbum ao vivo consagrou a ascensão do conjunto na cena local. Dois anos depois, veio “Capitão Fausto têm os dias contados”, que consolidou a banda como uma das mais promissoras representantes do rock português.

A relação da banda com o Brasil não se resume apenas ao disco gravado em São Paulo. Neste ano, eles foram uma das principais atrações do line-up da versão portuguesa do festival Rock in Rio, realizado em junho na cidade de Lisboa. Para Tomás, vai chegar o dia em que as barreiras que separam a música brasileira da portuguesa vão se dissolver. Finalmente, ouvintes brasileiros e tugas falarão a mesma língua: a da música.

“Na verdade, tenho a certeza que chegará o dia em que vai existir igualdade de oportunidades para a música chegar às pessoas, e na verdade pela nossa língua comum faz todo o sentido que isso aconteça”, diz ele, que não vê os brasileiros tão interessados em música portuguesa como os portugueses com a nossa música. “No fundo, acho que o que acontece muito é a música portuguesa nem sequer chega ao público potencialmente interessado. Ele nem chega a conseguir fazer um juízo de valor pois nem sequer sabe que a música existe”.

* Tipo Importação é um especial que, todo mês, vai apresentar o melhor da música de países não tão visados pelos brasileiros. Neste mês de estreia do Reverb, apresentaremos ritmos e grupos de Portugal.

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