Tipo Importação: conheça o Pansori, patrimônio musical da Coreia do Sul
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Tipo Importação: conheça o Pansori, patrimônio musical da Coreia do Sul

Um cantor ou uma cantora acompanhado de um baterista para contar uma história de amor, terror, traição, honra ou morte: este formato simples é tudo de que o pansori, gênero musical mais tradicional da Coreia do Sul, precisa. Inicialmente, lá no século XVII, sua função era entreter as classes baixas que não tinham acesso aos bons teatros e espetáculos musicais do país. Com o passar do tempo, as classes média e alta começaram a ter mais contato com o pansori, e no século XIX já era possível encontrar gente da elite nas apresentações.

Depois de muito sucesso popular, no século XX veio o declínio. Nos anos 1910, a ocupação japonesa no país censurou o pansori, acusando-o de ser “nacionalismo coreano”. Acabadas a ocupação e a censura, o que minou o gênero foi o rock. No pós-Guerra da Coreia (1950-1953), diante da música norte-americana que entrava no país, qual era a graça de ouvir histórias sem rimas nem refrões? O governo tentou dar um fôlego, declarando-o Propriedade Cultural Intangível, o que não adiantou nada. Muitos achavam que o gênero morreria, viraria peça de museu.

Mas a UNESCO não permitiu que isso acontecesse. Em 2003, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura reconheceu o pansori como Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade, o que deu ao governo sul-coreano o ânimo necessário para considerar alguns de seus intérpretes “tesouros nacionais vivos”.

Mudanças para ser pop novamente

O pansori clássico é composto por vários ciclos – como os atos de uma ópera – e pode durar até 10 horas. Talvez dê para entender por que o pessoal perdeu o interesse em meados do século XX, né? Nem solo em show de rock progressivo dura tanto!

São 12 os mandang – nome em coreano para as peças de pansori – oficiais. Sim, eles são registrados e todos os intérpretes têm que escolher entre esses 12 qual ou quais querem levar para o palco. Os mais populares são “Chunhyangga”, “Simcheongga”, “Heungbuga”, “Sugungga” e “Jeokbyeokga”. De toda forma, hoje é raríssimo encontrar uma apresentação completa; os artistas cantam/contam os ciclos mais populares e todo mundo fica feliz.

O pansori raiz, aquele que segue o ritmo tradicional apenas da bateria, tem uma plateia bem limitada, é verdade: idosos saudosos dos velhos tempos e estudantes de música clássica. O que atrai o público mais jovem é o chamado “pansori fusion”, em que há uma banda no palco e na música são inseridos elementos de reggae, rap, flamenco ou qualquer ritmo que quiserem. Há mais rimas nas letras e mais interação.

As histórias são contadas de um jeito bem mais legal. Veja:

* Tipo Importação é um especial que, todo mês, vai apresentar o melhor da música de países não tão visados pelos brasileiros. Neste mês apresentaremos ritmos e artistas da Coreia do Sul

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