Tipo Importação: Cumbia ganha cara nova no Chile com pitadas eletrônicas, de hip-hop e rock
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Tipo Importação: Cumbia ganha cara nova no Chile com pitadas eletrônicas, de hip-hop e rock

Nascida na Colômbia em meados dos anos 1920 pelas mãos dos descendentes de escravos da Guiné Equatorial, a cumbia mistura elementos de culturas negra, indígena e branca. A partir dali, em questão de três décadas, o ritmo se tornou um dos estilos musicais mais populares por lá. Nesse meio tempo, foi adotada pelos vizinhos Venezuela e Panamá e, aos poucos, levada aos outros países da América do Sul.

Um dos destinos foi o Chile, que conheceu a cumbia por meio de Luisín Landáez. O venezuelano decidiu se estabelecer no país nos anos 1960 e se tornou um astro local – foram 45 lançamentos de álbuns de cumbia em dez anos.

Depois disso, Landáez decidiu dar outro rumo à sua carreira cantando bolero. Não deu tão certo assim e nos anos 1980 ele tentou bombar de novo com a cumbia, mas não colou. De toda forma, a semente do ritmo ele já havia plantado. Em seu rastro, fizeram sucesso ainda nos anos 1960 e 1970 a banda chilena Sonora Palacios e a colombiana Amparito Jiménez, que criou uma nova versão de “La Pollera Colora” para o público chileno.

Cumbia chilena: a criação de um estilo próprio ao longo dos anos

Desde que aprenderam a fazer cumbia, os músicos chilenos criaram um estilo único, com instrumentos de sopro, piano e uma percussão mais aceleradinha do que a original. O começo era comandado por orquestras de pelo menos dez músicos que antes tocavam cha-cha-cha, mambo, rumba.

Assim aconteceu até que, nos anos 1990, a música eletrônica chegou à cumbia chilena (como já vinha acontecendo, àquela altura, na Argentina e no México). O subestilo ganhou o simples nome de “Sound” no Chile. Alguns dos maiores expoentes deste movimento são La Nueva Sensacion Tropical, Grupo Alegria, Hechizo, D Latin Sound e Amerikan Sound.

No começo do século, a cumbia ficou romântica no Chile, com letras melosas e cantoras ou cantores como astros à frente de bandas “anônimas”, que podem ter seus membros trocados a qualquer momento – o que importa mesmo é o rosto principal. Aquela ideia de um grande combinado de músicos ficou de lado neste subgênero, e os grandes nomes são Américo e La Noche.

Também no começo dos anos 2000 surgiu o mix entre cumbia, rock e hip hop – o que estava demorando para acontecer, se pararmos para pensar. É a “new chilean cumbia”. O estilo é o mais popular até hoje, e cantores, cantoras e bandas de cumbia rock não param de surgir. Os destaques ficam para Chico Trujillo, Juana Fe, La Mano Ajena, Banda Conmoción e Cholomandinga.

De reinvenção em reinvenção, a cumbia consegue se manter pop entre o público jovem chileno. Prestes a completar 60 anos no país, ela não parece ter data de validade prestes a expirar.

* Tipo Importação é um especial que, todo mês, vai apresentar o melhor da música de países não tão visados pelos brasileiros. Neste mês apresentaremos ritmos e artistas do Chile.

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