Tipo Importação: Diabo na Cruz une tradicionalismo português ao rock
Especial

Tipo Importação: Diabo na Cruz une tradicionalismo português ao rock

Nome: Diabo na Cruz

Integrantes: Jorge Cruz, Bernardo Barata, João Pinheiro, João Gil, Manuel Pinheiro e Sérgio Pires

Gênero: Rock

Desde quando: 2008

Redes sociais: 48 mil fãs no Facebook e 2.174.878 plays no YouTube

Discografia: “Virou!” (2009), “Roque popular” (2012), “Diabo na cruz” (2014) e “Ao vivo” (2017).

Em um discurso registrado no disco ao vivo que celebra os dez anos dos Diabo na Cruz, o vocalista Jorge Cruz faz questão de dizer que a banda faz rock n roll inspirado na tradição portuguesa. O sexteto, que cantou em diferentes discos a vida urbana e rural do país do fado, encontrou uma metáfora gastronômica interessante para sintetizar essa relação especial entre a música de massa anglo-americana e suas raízes mais profundas.

“Como alguém que se vê rodeado de hamburguerias num país de bacalhau e decide cozinhar hambúrguer de bacalhau”, diz Jorge, em entrevista ao Reverb. “Somos uma banda de seis elementos, composta por bateria e percussões portuguesas, baixo, guitarra eléctrica, teclados e viola braguesa. A viola braguesa é uma viola artesanal com origem na cidade de Braga. Procuramos fazer música do século XXI conjugando elementos instrumentais, líricos e narrativos de diferentes épocas, para daí extrair uma resposta qualquer às nossas ânsias de busca de identidade”.

Somos compostos por bateria e percussões portuguesas, baixo, guitarra eléctrica, teclados e viola braguesa, uma viola artesanal com origem na cidade de Braga. Procuramos fazer música do século XXI conjugando elementos instrumentais, líricos e narrativos de diferentes épocas

Jorge sempre teve na cabeça a ideia de fazer uma alquimia entre os elementos portugueses e os sons globais. Queria juntar José Afonso e José Mário Branco, expoentes da música de intervenção portuguesa, com Xutos e Pontapés e Ornatos Violeta, representantes das vertentes mais roqueiras do país. Seus primeiros trabalhos, como o powertrio Superego e o projeto FanfarraMotor já pareciam seguir por esta direção. Mas foi apenas depois de mudar-se de Aveiro para Lisboa que os Diabo na Cruz começaram a ganhar corpo.

Na capital portuguesa, conheceu músicos que orbitavam em torno da gravadora FlorCaveira e produziu os discos de João Coração e Os Golpes. Em 2008, fundou a banda ao lado do baterista João Pinheiro e do baixista Bernardo Barata. A eles se juntaram B Fachada, especialista em viola braguesa que depois seguiu carreira solo, e o tecladista João Gil.

Com esta formação, o grupo editou o EP “Dona Ligeirinha” e “Virou!”, um elogiado disco de estreia que mereceu atenção da crítica especializada portuguesa. Cruz explica que falar da vida do país foi uma necessidade primária da banda.

“É o lugar de onde somos. A nossa casa, a nossa família, o nosso rosto no espelho. Não se trata tanto de uma inspiração mas de uma perplexidade. De uma não compreensão que incita à curiosidade e à procura de respostas”.

Em 2012, com a substituição de B Fachada por Sérgio Pires e a entrada do percussionista Manuel Pinheiro, o grupo tomou a forma que apresenta até hoje. Desde então, o conjunto gravou o segundo álbum de estúdio, "Roque Popular", e o terceiro, que levou o nome da banda, em 2014. Para este segundo semestre de 2018, eles preparam o quarto.

Apesar de nunca terem se apresentado para a audiência do Brasil, os Diabos na Cruz carregam também influências deixadas por artistas que fizeram misturas semelhantes na MPB. Ele explica como funcionou essa “ponte aérea” entre Lisboa, Recife e Santo Amaro da Purificação:

“Nunca tocamos no Brasil mas a música brasileira sempre serviu de referência para cimentar as nossas ideias. Os aromas de revolução cultural oriundos do tropicalismo e do mangue bit tiveram uma importância fundadora nas nossas experiências musicais”.

Segundo uma pesquisa revelada pela Santa Sé no ano passado, cerca de 88,7% da população de Portugal é católica. Em um lugar onde a religião é tão importante, era de se imaginar que o nome da banda trouxesse alguns contratempos aos artistas.

“Sim, o nome gera alguma desconfiança por parte das pessoas mais religiosas. Mas ele surgiu no contexto da nossa participação nas actividades da FlorCaveira, uma editora cristã evangélica na qual o questionamento, o contraste e a provocação faziam sentido. É claro que, como qualquer outra coisa, não é entendido por todos da mesma maneira. Mas, em geral, tem sido bem recebido”.

* Tipo Importação é um especial que, todo mês, vai apresentar o melhor da música de países não tão visados pelos brasileiros. Neste mês de estreia do Reverb, apresentaremos ritmos e grupos de Portugal.

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