Tipo Importação: Goa trance, a música eletrônica que move as baladas da Índia
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Tipo Importação: Goa trance, a música eletrônica que move as baladas da Índia

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Entre o fim dos anos 1980 e o começo dos 1990, com a música eletrônica bombando na cena noturna de praticamente todo o mundo, na Índia criou-se um estilo próprio: o Goa trance. O nome se deve ao fato de a origem dele ter sido no estado indiano de Goa, o mais rico do país. Goa tem um passado português, foi sede das colônias lusitanas no século 16.  O nome da cidade de Vasco da Gama, ou simplesmente Vasco, a mais populosa do estado, é uma lembrança dessa herança.

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E não foi por acaso que a música eletrônica aconteceu por lá: Goa já tinha sido a “capital hippie” da Índia nos anos 1970 e serviu de porta de entrada para techno, acid-house, industrial e todos os gêneros de música dançante aos longo dos anos. Além disso, na virada de 1990 para 1991 Goa foi escolhida pelo pessoal mais jovem e endinheirado da região como O destino para grandes festas. Uma Ibiza local, que precisava ter seu som característico. 

No começo dos anos 1990, Goa se tornou o destino favorito para grandes festas / Foto: Divulgação
No começo dos anos 1990, Goa se tornou o destino favorito para grandes festas / Foto: Divulgação

Um ponto interessante do Goa trance é que praticamente todos os DJs envolvidos em sua criação e disseminação não são indianos, mas sim estrangeiros que estavam ali aproveitando aquele momento de efervescência. Um dos grandes nomes da primeira onda desse estilo de música eletrônica é o duo Eat Static, de Somerset (Inglaterra), formado por Merv Pepler e Joie Hinton em 1989. 

Os suecos do trio Battle of the Future Buddhas também foram estrangeiros no lugar certo e na hora certa da criação do Goa trance. Eles já tinham uma carreira consolidada na Holanda quando se voltaram ao Oriente. Cheque o som deles: 

Música para ‘transcendência coletiva’

O tempo do Goa trance é pensado para as pessoas se entregarem à música e deixarem o corpo segui-la. Nas festas dos anos 1990 embaladas por ele, falava-se sobre atingir uma “transcendência coletiva”; é para dançar pensando só na batida, com mais nada interrompendo a experiência.

As músicas costumam ter entre oito e 12 minutos de duração, com começo lento (como um aquecimento), meio um pouco mais acelerado e final lento novamente (um chill out). Os padrões das batidas e as camadas eletrônicas se mesclam para criar um efeito intenso, quase hipnotizante. 

Depois de um período em baixa na virada para os anos 2010, a música eletrônica voltou a ter seu espaço cativo no país / Foto: Reprodução
Depois de um período em baixa na virada para os anos 2010, a música eletrônica voltou a ter seu espaço cativo no país / Foto: Reprodução

Uma de suas características é o uso de sons “orgânicos” para a transição de um momento para outro na faixa (sons suaves, como o de uma serra sendo passada lentamente em algo sólido ou de um sapato pisando na lama). Isso foi assimilado posteriormente pelo psytrance. Outra é o uso de samples de falas de filmes, especialmente sci-fi. Esta música do Megatripolis, um pessoal de Londres que também mergulhou de cabeça no Goa trance, é um bom exemplo: 

O Megatripolis também ajudou a popularizar o Goa trance na Inglaterra em meados dos anos 1990, mirando na comunidade indiana que vive por lá. Mas é claro que o som pegou muito mais gente, independentemente da origem geográfica.

Goa trance hoje: espaço recuperado depois de um período em baixa

Depois de um período meio em baixa na virada dos anos 2000 para os 2010, a música eletrônica voltou a ter seu espaço cativo no país tanto entre um público jovem quanto entre um pessoal mais maduro que estava saudoso de festas como as da juventude. As festas Goa voltaram a ser realizadas na Índia e novos artistas surgiram, como o romeno E-Mantra.

A vibe continua a mesma, mas o visual das festas e dos clipes ficou mais místico, psicodélico. O som se mantém suave e hipnótico. O projeto croata Nova Fractal também está aproveitando este momento do Goa trance e é um dos destaques hoje em dia por lá.

As festas Goa são grandes acontecimentos que rolam o ano todo em espaços abertos, como parques e praias, ou fechados, como casas noturnas e ginásios. Uma boa pedida para quem curte música eletrônica e está pensando em conhecer a Índia além do Taj Mahal. 

O duo Eat Static, da Inglaterra, formado por Merv Pepler e Joie Hinton em 1989 / Foto: Divulgação
O duo Eat Static, da Inglaterra, formado por Merv Pepler e Joie Hinton em 1989 / Foto: Divulgação

*Tipo Importação é um especial que, todo mês, vai apresentar o melhor da música de países não tão visados pelos brasileiros. Neste mês apresentaremos ritmos e artistas da Índia.   

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