Tipo Importação: Heavy metal consolida cena no Marrocos após superar o status de proibidão
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Tipo Importação: Heavy metal consolida cena no Marrocos após superar o status de proibidão

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É uma história meio surreal, mas aconteceu no Marrocos neste século. Em 2003, 14 músicos de heavy metal com idades entre 20 e 35 anos foram julgados após denúncias de “perturbação da ordem”. Eles também foram acusados de usarem “roupas satânicas contra a fé do país” e terem em casa “objetos demoníacos” (artigos na linha de crânios e cobras artificiais), além de escreverem letras em inglês, o que seria “muito suspeito”. E acabaram condenados a penas que variaram entre três meses e um ano de detenção, sem chance de liberdade condicional. 

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A dureza da situação causou indignação pelo país. Advogados e juízes laicos atribuíram o julgamento a motivos religiosos e acusaram o sistema judiciário marroquino de promover uma “caça às bruxas”. Mas os músicos foram presos mesmo assim e cumpriram suas sentenças.

Umas das bandas marroquinas de destaque é a Kawn, facilmente reconhecida por seu metal melódico progressivo / Foto: Divulgação
Umas das bandas marroquinas de destaque é a Kawn, facilmente reconhecida por seu metal melódico progressivo / Foto: Divulgação

Se quem causou essa confusão toda achou que afastaria a juventude do rock, achou errado: a partir dali, o movimento do metal cresceu — e muito — no Marrocos. À medida que saíram da cadeia, os músicos voltaram a se encontrar e a conhecer novas bandas que, inspiradas neles, haviam sido formadas. 

Foi o suficiente para alguns deles organizarem o festival de rock Tremplin/L’Boulevard, que lota estádios com mais de 160 mil pessoas a cada edição e recebeu um apoio financeiro de US$ 250 mil do rei Mohammed VI — o que foi interpretado como um reconhecimento oficial de que o julgamento havia sido injusto. A cena se fortaleceu, as bandas também. 

Conheça, a seguir, os cinco principais nomes do heavy metal do Marrocos:

Sakadoya

Formada em 2007, na cidade de Settat, a banda de death metal tem apenas um álbum lançado, “Back to the Age of Slaves” (2009); o restante de sua produção é divulgado de forma independente, em EPs ou faixas que só são tocadas ao vivo. Seu forte é a participação em festivais de heavy metal no Marrocos e na Europa.

Kawn

O quinteto está junto desde 2015, mas o primeiro álbum, homônimo, saiu agora em 2019. São nove faixas de metal melódico progressivo, um pouquinho deprê e cheio de crises existenciais. “From Ashes to Heaven” foi a música escolhida para divulgar o trabalho.

Dark Delirium

Trata-se de uma banda de um homem só: Jamal Morjane, que cuida das letras, vocais e guitarras — o resto fica por conta de músicos independentes ou de efeitos que ele próprio cria no computador. Baseado em Casablanca, ele já lançou seu som, um metal progressivo com influência da música folk marroquina, em dois álbuns: “Annihilation” (2014) e “Mediaevil Blood” (2015). 

Abnabak

Desde 2009, a banda da cidade de Agadir faz black metal com letras que vão do ódio à filosofia em uma mesma estrofe. É forte em festivais e tem um EP, “Under the Mask of Humanity” (2013), e um álbum, “Triumph of Death” (2015), no mercado.

Kharab

Saber a tradução do nome da banda — “kharab”, que quer dizer destruição ou ruína — torna menos surpreendente o fato de as letras que acompanham o black metal serem sobre solidão, morte e autodestruição. O público marroquino gosta bastante e lota seus shows.

*Tipo Importação é um especial que, todo mês, vai apresentar o melhor da música de países não tão visados pelos brasileiros. Neste mês apresentaremos ritmos e artistas do Marrocos.

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