Tipo Importação: Liderada por Ana Tijoux, cena de hip-hop e rap é forte no Chile
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Tipo Importação: Liderada por Ana Tijoux, cena de hip-hop e rap é forte no Chile

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Um dos principais nomes da música chilena hoje em dia é Ana Tijoux, e o que mais vale destaque nessa informação é o fato de ela não ser uma cantora daquele pop que toca no rádio e gruda no cérebro: seu estilo é o hip-hop. Urbana até o último fio de cabelo, ela passou por algumas bandas até decidir fazer seu voo solo e conseguir emplacar faixas no game “FIFA 11” e na quarta temporada da série de TV “Breaking Bad”.

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Ana foi uma das artistas que levaram a música urbana para o Chile depois do fim a ditadura de Augusto Pinochet, que durou de 1973 a 1990. Como seus pais se exilaram na França após o golpe de estado — ambos são acadêmicos que, de repente, se perceberam perseguidos pelo regime —, ela nasceu e cresceu em terras francesas, adquirindo toda a cultura local. Ao se estabelecer no país natal dos pais em 1993, a cantora colocou para fora toda sua bagagem musical e logo formou uma dupla chamada Los Gemelos, com o rapper Zaturno.

O sucesso mesmo veio em 1997, quando a dupla se juntou a Seo2 e ao DJ Squat e formou a Makiza. Ao longo de nove anos, a banda emplacou um sucesso atrás do outro, entre eles “La Rosa de Los Vientos” e “Somos Tontos, No Pesados” (uma versão do hit da banda de rock Los Tres). 

Apesar de estar em uma posição confortável com a Makiza, em 2006, Ana decidiu se lançar em carreira solo com o álbum “Kaos”. Os ex-companheiros musicais podem não ter gostado muito, mas foi o passo mais certeiro que ela poderia ter dado. Prova disso é que em 2010, depois do lançamento do segundo CD da cantora, “1977”, ninguém menos que Thom Yorke, do Radiohead, recomendou espontaneamente que seus fãs ouvissem o trabalho da chilena. 

De lá para cá, Ana Tijoux se mantém em um patamar confortável com mais discos lançados — “La Bala” (2011) e “Vengo” (2014) — e turnês norte-americanas e europeias muito bem sucedidas. O que mais chama a atenção de seu público são as letras sem o peso do machismo que domina a maior parte da produção de hip-hop e rap por aquelas bandas.

A trajetória do hip-hop e do rap chilenos

Como foi dito ali em cima, Ana foi uma das artistas a levar a música urbana para o Chile após o fim da ditadura. O retorno de exilados e filhos de exilados ao país enriqueceu a cultura local e introduziu o som do hip-hop e do rap nas rádios e nas casas de shows chilenas. Assim como ela, Jimmy Fernandez chegou da Itália e os integrantes da banda Floor Masters, de Los Angeles, com esse estilo na mala.

Não tardou para a capital Santiago ganhar batalhas de hip-hop e rap — a exemplo daquelas de breakdance que já ocorriam no fim dos anos 1980 ao som Run DMC e Afrika Bambaataa — e a música ficar cada vez mais popular. Na esteira desse fenômeno das ruas vieram as bandas Tiro de Gracia e Los Tetas, entre outras.

Ao longo dos anos 2000, o rap chileno se tornou mais político e, ao mesmo tempo, começou a abrir espaço para misturas com reggae e ritmos latinos. Os nomes que mais chamam a atenção nesse período são Panteras Negras, LB1, Subverso e GuerrillerOkulto.

Desde 2012, o rap chileno vem passando por uma renovação graças à chamada nueva escuela del rap. Inkognito, La Habitación del Pánico, ZitaZoe e SubVerso são os artistas que mais valem a pena ouvir. E o que é mais legal: eles crescem sem tirar de cena o pessoal que consolidou o gênero no país. O movimento é relativamente novo e tem espaço para todo mundo. 

* Tipo Importação é um especial que, todo mês, vai apresentar o melhor da música de países não tão visados pelos brasileiros. Neste mês apresentaremos ritmos e artistas do Chile. 

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