Tipo Importação: Los Tres, Lucybell e Francisca Valenzuela são os grandes do pop-rock chileno
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Tipo Importação: Los Tres, Lucybell e Francisca Valenzuela são os grandes do pop-rock chileno

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A chegada do rock ao Chile foi como em boa parte do mundo: nos anos 1950, músicos locais ouviram a música que Chuck Berry e companhia estavam produzindo e decidiram fazer parecido. No caso chileno, pode pensar em algo bem semelhante mesmo: assim como no Brasil, as bandas locais traduziam os sucessos para o espanhol e estavam prontos seus hits. Este movimento ganhou o nome de nueva ola chilena.

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À medida que as bandas foram ficando mais fluentes em rock, começaram a arriscar pequenas liberdades, como misturar elementos do folk latino ao rock tradicional. Assim nasceram, nos anos 1960, os gêneros fusión latinoamericana e nueva canción. O maior expoente desta época é a banda Los Jaivas, que está na ativa há 55 anos.

Depois de um período de esfriamento da cena nos anos 1970 – devido à ditadura militar chilena (1973 a 1990), que considerava as músicas “libertárias” e contestadoras demais –, o rock do Chile voltou a ganhar força em meados dos anos 1980. Hoje, é o som mais importante do país, com bandas e artistas que fazem desde o rock mais puro até aquele com pegada mais pop. Conheça, a seguir, os três principais nomes do rock chileno.

Los Tres

Roberto Lindl, Álvaro Henríquez  e Francisco Molina formaram em 1982 o que viria a ser a grande banda de rock chileno dos anos 1990. Por serem três, batizaram-se com o nome fácil Los Tres, o que se tornou um pequeno problema em 1988, quando Ángel Parra juntou-se ao trio. Mas decidiram ir adiante assim mesmo. Desde o começo, o som é um rock livre, com influências do folk, do jazz e da música tradicional chilena. 

Entre 1989 e 2000, lançaram cinco álbuns: “Los Tres” (1991), “Se Remata el Siglo” (1993), “La Espada & La Pared” (1995), “Fome” (1997) e “La Sangre en el Cuerpo” (1999). O sucesso imenso de “La Espada & La Pared” rendeu à banda o convite para fazer o primeiro “Acústico MTV” do Chile, recebido com entusiasmo pelo público e pela crítica. E rendeu também as dores de cabeça de muitas vontades diferentes de mudar a sonoridade e muitos egos a serem administrados. Mesmo tendo conseguido lançar mais dois discos depois disso, a Los Tres resolveu se separar em 2000, para cada um seguir o tipo de trabalho que tanto queria fazer.

Só que a saudade falou mais alto, e em 2006 Lindl, Henríquez e Parra colocaram a banda na ativa de novo; Molina não quis voltar. Embora não lancem nada inédito há um bom tempo – depois da volta vieram os álbuns “Hágalo Usted Mismo” (2006) e “Coliumo” (2010) e o EP “Por Acanga” (2015) –, estão em plena atividade, fazendo shows e participando de festivais.

Francisca Valenzuela 

Chilena nascida nos EUA (os pais são pesquisadores que passaram bons anos trabalhando na Califórnia), Valenzuela é a pérola do pop-rock chileno atual. Sua veia artística começou a ser mostrada ainda nos tempos norte-americanos, quando aprendeu a tocar piano e violão e, principalmente, começou a escrever poemas. Na volta ao Chile, quando tinha 12 anos, lançou dois livros antes de começar a carreira musical.

E que belo começo de carreira: ela tinha 20 anos quando lançou o primeiro disco, “Muérdete la Lengua” (2007), que levou a cantora mexicana Julieta Venegas, encantada com aquela versão mais jovem dela própria, a convidá-la para abrir sua turnê no Chile. A partir daí, só glória! Valenzuela recebeu disco de ouro pelo álbum e ganhou o título de “princesa do rock chileno”.

O prestígio permitiu que ela se envolvesse como ativista pelos recursos naturais – compôs e cedeu a música “En Blanco” para o documentário “H2O: Cerro”, pela preservação da água no Chile – e se arriscasse em novas sonoridades, trabalhando com o rapper Latin Bitman.

Sua discografia tem outros dois álbuns de estúdio: “Buen Soldado” (2011) e “Tajo Abierto” (2014). Ela segue fazendo shows, participando de causas que considera importantes e estudando. E sendo a princesa do rock em seu país.

Lucybell 

 A história da Lucybell é parecida com a de muita gente que tenta a sorte na música: quatro amigos do curso de artes de uma universidade (aqui, a Universidade do Chile) resolvem juntar seus talentos e formar uma banda. No caso de Claudio Valenzuela (o vocalista que, apesar do sobrenome, não é parente próximo de Francisca Valenzuela), Marcelo Muñoz (guitarra), Gabriel Vigliensoni (teclado) e Francisco González (bateria), o plano deu certo, e a Lucybell logo se tornou um dos maiores nomes do rock chileno.

Com um som que remetia ao que as bandas do britpop vinham fazendo, o quarteto lançou “Peces” (1995), “Viajar” (1996), “Lucybell” (1998) e “Amanece” (2000) com sua formação original. Assim que o quarto CD chegou às prateleiras das lojas, Muñoz e Vigliensoni abandonaram o barco. No lugar deles entrou Eduardo Caces para colocar uma linha de baixo mais forte às próximas músicas, do disco “Lúmina” (2004).

A sonoridade da banda mudou bem depois disso. Em 2005 foi a vez de González sair e entrar Cote Foncea na Lucybell. Eles se voltaram mais ao rock puro e deixaram para lá os flertes com batidas sintéticas. Os álbuns que completam a discografia da banda são “Comiendo Fuego” (2006), “Fénix” (2010) e “Magnético” (2017). 

  * Tipo Importação é um especial que, todo mês, vai apresentar o melhor da música de países não tão visados pelos brasileiros. Neste mês apresentaremos ritmos e artistas do Chile.

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