Tipo Importação: na Índia, trilhas de Bollywood dominam o mercado
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Tipo Importação: na Índia, trilhas de Bollywood dominam o mercado

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Por mais que lançamentos gigantescos como “Vingadores: Ultimato” façam parecer que o centro do cinema está nos EUA, é a Índia que abriga a maior indústria cinematográfica do mundo. Bollywood – o apelido é uma fusão de Hollywood com Bombaim, o antigo nome de Mumbai, cidade onde ficam os estúdios por lá – leva mais de mais de 3 bilhões de espectadores às salas de cinema todos os anos. É mais que o dobro do que os filmes de Hollywood conseguem.

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Boa parte desse sucesso se deve à música. Um enredo de Bollywood que se preze precisa ter um belo dilema amoroso (podem ser famílias rivais, bem à “Romeu e Julieta”, ou um caso de ciúmes sem fundamento que se resolve no final) e música, muita música. Com média de três horas de duração, as histórias têm seus pontos altos marcados por cantoria no estilo “batalha de protagonistas” acompanhada por coreografia com centenas de figurantes.

Dá uma olhada em “Bole Chudiyan”, um dos maiores sucessos de todos os tempos da “filmi music” (nome que se dá ao gênero), para ter uma ideia. A música faz parte da trilha de “Kabhi Khushi Kabhie Gham” (2001):

Esse arranjo de multidão é quebrado nos momentos de clímax romântico dos filmes: aí ficam apenas “mocinho” e “mocinha” em cena, declarando o amor por meio da música. O maior hit amoroso de todos os tempos da filmi music é “Tujhe Dekha To Ye Jaana Sanam”, de “Dilwalhe Dulhania Le Jayenge” (1995). Olha que fofo:

Topo das paradas e das vendas

Além de importantes para os longas, as trilhas sonoras são as queridinhas da indústria fonográfica indiana. Como o público realmente ama as canções que vê nas telas de cinema e quer tê-las para ouvir em casa e dançar em festas, a filmi responde por 72% das vendas de música em álbuns e por streaming no país.

Em canções de trilhas de filmes Bollywoodianos como "Badtameez Dil", do filme “Yeh Jawaani Hai Deewani” (2013), também é traço marcante a incorporação de vários gêneros musicais que estejam em alta / Foto: Reprodução
Em canções de trilhas de filmes Bollywoodianos como "Badtameez Dil", do filme “Yeh Jawaani Hai Deewani” (2013), também é traço marcante a incorporação de vários gêneros musicais que estejam em alta / Foto: Reprodução
Uma curiosidade interessante sobre a filmi music é que as atrizes e os atores raramente cantam

Os estúdios contam com orquestras e compositores próprios e também com colaborações de grandes nomes da música local, como Ravi Shankar (1920-2012, guru de George Harrison e pai de Norah Jones) – que no fim da vida acabou brigando com Bollywood por causa de uma cinebiografia não autorizada, mas isso é outra história.

Uma curiosidade interessante sobre a filmi music é que as atrizes e os atores raramente cantam, e os estúdios têm também cantoras, cantores e corais próprios. Isso mesmo: o que se vê nos filmes é dublagem, lipsync battle de raiz. Mas mal dá para notar. Confira neste hit que anima festas indianas desde 1998, “Ladki Badi Anjani Hai”, do filme “Kuch Kuch Hota Hai”(1998):

Sejam dançantes ou românticas, as composições não são complexas: a ideia é manter as características da música tradicional indiana (com o uso de cítara, tambura e bansuri, entre outros instrumentos locais) com uma pegada pop, que conquiste o público de cara. As letras vão na mesma vibe, com versos simples e refrãos “chiclete”.

Popularização da música de Bollywood no Ocidente

Dentro da Índia e em países vizinhos – a filmi music também é popular no Nepal, por exemplo –, a música de Bollywood é enorme e não precisa provar nada para ninguém. Para os públicos de países europeus e americanos, no entanto, ela ainda é meio misteriosa. 

Mas, com uma forcinha de cineastas que curtem esse movimento, aos poucos se tornam mais familiares para os ouvidos ocidentais. Em 2001, Baz Luhrmann adaptou para “Moulin Rouge” a música “Chamma Chamma”, do filme de Bollywood “China Gate” (1998):

Quem Quer Ser um Milionário”, grande vencedor do Oscar de 2009, também homenageou e chamou a atenção para a filmi music contemporânea:

Atualização constante para não perder a relevância (nem o público) 

Uma das características naturais da filmi music é não ter músicos ou bandas que sejam astros – até porque eles são dublados pelos atores e pelas atrizes, como falamos lá em cima. Por isso, as composições não são presas a esse ou aquele estilo e podem seguir as tendências musicais de acordo com o que os cineastas acharem adequado. 

Respeita-se a base rítmica indiana tradicional, é verdade, mas não há mal nenhum em acrescentar uma batida eletrônica aqui, um rap ali e deixar um pop mais datado para trás. É justamente por acompanhar a evolução da música que a filmi nunca perde público nem relevância e continua sendo tão adorada na Índia.

Badtameez Dil”, do filme “Yeh Jawaani Hai Deewani” (2013), é um bom exemplo disso. Veja só:

O estilo é praticamente uma instituição cultural indiana, leva o pessoal às salas de cinema e vende bem. Será que um dia ultrapassará as fronteiras e conseguirá emplacar com os públicos de ouvidos mais acostumados às trilhas sonoras ocidentais? Fiquemos de olho! 

*Tipo Importação é um especial que, todo mês, vai apresentar o melhor da música de países não tão visados pelos brasileiros. Neste mês apresentaremos ritmos e artistas da Índia.  

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