Tipo Importação: Noruega honra a tradição escandinava na música eletrônica
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Tipo Importação: Noruega honra a tradição escandinava na música eletrônica

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Os países escandinavos são fortíssimos na cena eletrônica, e a Noruega honra a tradição local com louvor. Alguns dizem que é porque os governos incentivam a educação musical em todos os estilos desde os primeiros anos escolares, o que possibilita o surgimento precoce de músicos incríveis. Outros defendem que tem a ver com o fato de ser pouca a burocracia para a realização de festas (em clubes noturnos, coisa corriqueira mesmo) e festivais (daí estamos falando de superproduções que duram dias, você sabe como é o esquema), o que anima o pessoal a se especializar para dar som nesses eventos. Analisando à distância, parece um desses casos de “quem nasceu antes: o ovo ou a galinha?”. 

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Bom, o fato é que da terra dos fiordes e do sol da meia-noite vêm alguns dos grandes nomes da música eletrônica do mundo. É lá também que rolam dois dos mais importantes festivais do gênero. 

O duo norueguês Röyksopp, formado por Svein Berge e Torbjorn Brundtland / Foto: Divulgação
O duo norueguês Röyksopp, formado por Svein Berge e Torbjorn Brundtland / Foto: Divulgação

Prodígios da música eletrônica

O duo Röyksopp é uma bela porta de entrada para entender a música eletrônica da Noruega. Eles se conheceram, compraram juntos uma bateria eletrônica e começaram a se apresentar na cena techno de Tromso (no norte do país) quando Svein Berge tinha 12 anos e Torbjorn Brundtland, 13. Isso foi no final dos anos 1980 e durou até o começo dos 1990, quando cada um foi cuidar da vida e dos estudos.

Mas o que tem que ser é, não é verdade? Em 1998, os dois se reencontraram na outra ponta da Noruega, mais especificamente em Bergen, onde estava rolando uma efervescência cultural tão grande que até ganhou nome: a Bergen Wave (os artistas mesmo odeiam esse termo, só que... pegou, fazer o quê?). 

Eles voltaram a tocar juntos e, ao lado de Kings of Convenience, caíram nas graças do público e da crítica tanto locais quanto britânicos. Rapidinho viraram “embaixadores” da Bergen Wave, expoentes da música norueguesa para o mundo. Ao longo de 20 anos, Svein e Torbjorn já passearam por tudo que é estilo de música eletrônica, mantendo sempre o toque “quente” que vem desde o início, com elementos afro e house, e as parcerias certeiras.

Para começar, vale ouvir “Monument”, com a sueca Robyn, e “What Else Is There?”, com a também sueca Karin Dreijer Andersson (da dupla The Knife). 

O rei da tropical house

Do que é mais recente e está mais em alta na música eletrônica norueguesa, o artista a seguir é, sem dúvida, Kygo. Talvez você se lembre dele nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. Kygo foi o primeiro artista de house music a se apresentar em uma cerimônia de encerramento de Olimpíadas.  

Kygo é o nome artístico de Kyrre Gorvell-Dahll, adotado porque era seu login para o sistema de informática da escola (KYrre GOrvell, sacou?). Ele já estava na cultura da música eletrônica há um tempo, mas chamou a atenção quando lançou um remix de “I See Fire”, de Ed Sheeran. Uma vez conhecido, ele em seguida conseguiu emplacar uma música, “Firestone”, que conta com os vocais de Conrad Sewell

A ascensão foi meteórica. Quando se viu, já tinha um monte de gente legal solicitando sua produção e sua participação especial. Por causa dessas amizades, Kygo é o único norueguês no Top 100 de músicas mais ouvidas do Spotify (está lá em 65º lugar com “It Ain’t Me”, parceria com Selena Gomez) e foi convidado para tocar com o A-Haos caras que colocaram a Noruega no mapa da música pop nos anos 1980 – no encerramento da apresentação do Prêmio Nobel da Paz de 2015, tocando o hino “Take On Me”. É dele, também, o remix de “Higher Love”, de Whitney Houston, lançado em junho de 2019. Os fãs da diva, que morreu em 2012, estão ouvindo sem parar, e mesmo quem não é tão ligado no trabalho dela gosta do resultado.  

Vale ficar de olho se sua praia é música eletrônica. Kygo tem apenas 27 anos e ainda deve fazer muita coisa legal. 

Magos com um pé no pop

Todd Terje, que adotou o nome artístico em homenagem a um produtor de house music americano, Todd Terry, se destaca com releituras de disco music e, claro remixes house de sucesso como "Love Is The Drug", do Roxy Music. A faixa "Inspector Norse", de 2012, é aclamada como um clássico da história recente do pop. A repercussão de seu trabalho, sempre muito acessível, já o levou a listas de DJs mais influentes do mundo, posições de destaque em festivais como o Sónar, em Barcelona, e colaborações com Bryan Ferry, Franz Ferdinand e Robbie Williams.

Parceiro do produtor Prins Thomas em vários projetos, Lindstrøm é o músico mais capacitado entre os astros da cena eletrônica norueguesa e reconhecido por seus álbuns tanto quanto pelos singles. Entre os artistas que já foram remixados por ele estão grandes nomes como ABBA e Roxy Music.

Festivais de música eletrônica na Noruega

À medida que se desbrava a música eletrônica norueguesa a partir destes dois exemplos que trouxemos aqui — Röyksopp e Kygo —, percebe-se que artistas excelentes não faltam. E em todos os estilos eletrônicos que você puder imaginar. Isso ajuda a entender por que dois dos maiores festivais do estilo rolam por lá. Saiba mais sobre eles e, quem sabe, já comece a planejar sua próxima viagem musical para a Noruega.

Insomnia

Além de música eletrônica, o festival dá espaço para apresentações de jazz e de hip hop. O nome se deve ao fato de rolar em Tromso (sim, a terra do Röyksopp) na época do fenômeno do sol da meia-noite, quando o sol não se põe e não há noite na região. Sem noite, ninguém dorme e vai todo mundo dançar! (mentira, o pessoal local tem suas técnicas para dormir, sim)

Quando: sempre no mês de outubro, ao longo de três dias. Em 2019, será de 24 a 26/10.

Ekkofestival

O Ekko, como é carinhosamente chamado na Noruega, é exigente na parte do som: só entra música eletrônica, nenhum outro estilo. Mas é promovido um lance muito legal de produção de arte (física ou digital) enquanto rolam os shows. É um festival muito bonito.

Quando: também em outubro, concorrendo com o Insomnia. Ainda bem que as cidades são bem distantes (Tromso é no norte, Bergen é no sul)! Em 2019, será de 23 a 26/10.

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